BTG (BPAC11): Itaú (ITUB4) tem resultado acima do consenso, mas receita permanece fraca

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: XP recomenda bancos mesmo com votação do teto dos juros

O lucro líquido divulgado pelo Itaú Unibanco (ITUB4) no primeiro trimestre de 2021 foi de 7% a 10% acima da expectativa do BTG Pactual (BPAC11), mas a receita ainda permanece fraca, diz análise divulgada nesta terça-feira (04).

Segundo os analistas, o Itaú apresentou forte lucro líquido ajustado de R$ 6,4 bilhões (18,5% ROE), aumento de 19% t/t e 64% a/a. “O lucro líquido veio de 7% a 10% acima de nós e do consenso, ajudado por ganhos anormais de ‘trading’ e, mais importante, por uma qualidade de crédito muito boa, o que permitiu que as provisões para perdas com empréstimos fossem 25% melhores do que esperávamos”, diz o BTG.

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As ações do banco caem 3,33% na manhã desta terça-feira, cotadas a R$ 26,97.

Margem financeira abaixo do esperado

Já a NII (margem financeira) com clientes do Itaú veio abaixo do esperado, especialmente depois do resultado visto com o Santander na semana passada.

“Mas se levarmos em consideração o custo do risco, o NIM (spread) ajustado ao risco melhorou muito t/t”, destacam os analistas.

Ex-variação cambial, os empréstimos de Itaú aumentaram 2% t/t e 8% a/a.

Os destaques do 1T, segundo o BTG, foram a originação recorde de hipotecas e desempenhos positivos das carteiras automotivas e de grandes empresas. Ao contrário do Santander, e em linha com o que o Itaú vinha indicando, os maiores volumes de crédito rotativo/cheque especial “mais arriscados” não influenciaram aqui.

Na verdade, o BTG cita que a NII com clientes subiu 1% t/t e caiu 6% a/a, um desempenho fraco.

No Brasil, a NII com clientes ficou estável t/t. Os resultados da tesouraria alcançaram R$ 2,5 bilhões, um aumento de 57% t/t e 223% a/a, mais de 80% acima do que modelado pelo BTG. Mas, embora seja definitivamente uma boa notícia, parece um caso isolado.

Desempenho do negócio principal do Itaú

As receitas de serviços vieram um pouco melhor do que o esperado (-3% t/t e +0,5% a/a), mesmo com impactos vinculados a menores taxas de performance do negócio de asset management e menores taxas de cartão associadas a Covid, diz o BTG.

O segmento de seguros mais uma vez ficou aquém das expectativas (o Itaú trouxe alguém novo para dirigir o negócio). “Portanto, quando adicionamos a NII com clientes, receitas de serviços e seguros, que podem ser vistos como o negócio principal, o desempenho permanece pouco inspirador/fraco”, afirmam os analistas.

O Opex foi 2% melhor do que a projeção do BTG (queda de 7% t/t e aumento de 3% a/a).

Menores provisões de Itaú

A inadimplência acima de 90 dias ficou estável t/t em ainda baixos 2,3%.

O indicador ficou estável para o segmento de empresas (0,4%) e melhorou 30 bps para pessoas físicas, atingindo 3,9%, enquanto para PMEs atingiu 2,5% (+ 80 bps sequencialmente), explicado pelo fim dos prazos de carência para créditos reescalonados em períodos anteriores.

As inadimplências de 15 a 90 dias aumentaram 20bps t/t para 2,0%, ainda em um nível baixo e abaixo dos números do ano passado.

Este indicador aumentou conforme o esperado devido à sazonalidade, e para o segmento de PMEs caiu 20bps t/t.

Graças a melhores índices de inadimplência, o Itaú registrou “apenas” R$ 4,4 bilhões em provisões (queda de 21% t/t e 57% a/a), resultando em um índice de cobertura de 298% (queda de 22 p.p).

Assim, a queda nas provisões foi ajudada por níveis muito mais baixos da operação da América Latina exceto Brasil (queda de 78% t/t e 35% a/a).

“Na verdade, sinalizamos que a subsidiária Corpbanca registrou resultados no 1T melhores do que o esperado (algo que não víamos há algum tempo). Sinalizamos que o Itaú decidiu reduzir sua exposição ao risco há algum tempo, o que tem impactado claramente a receita. Mas se esta decisão for compensada com provisões menores, ela pode eventualmente dar frutos. Mas, por enquanto, a receita parece pior do que a de seus pares”, afirma o BTG.

Melhores tendências de receita no segundo semestre

No geral, o principal destaque positivo do trimestre do Itaú foi a qualidade do crédito, segundo o BTG.

“Embora continuemos acreditando que as inadimplências devem aumentar nos próximos trimestres, as tendências permanecem muito favoráveis, o que tem sido uma surpresa positiva para todos os bancos. A receita continua sendo um problema, mas uma economia mais forte/mais vacinação e uma inflação/Selic mais alta oferecem alguma esperança de que o 2S possa ser melhor”, afirmam os analistas.

A Corpbanca, que tem sido uma chatice na maior parte do tempo desde o M&A, também está começando a ajudar.

Para o BTG, os números do 1TRI21 não parecem tão bons quanto os resultados acima do esperado sugerem, mas também não devem prejudicar as ações.

Por fim, negociando a 1.6x P/BV 2021 ex-XP, o BTG classifica as ações do Itaú como compra. Preço alvo de R$ 37.

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