BTG vê tendência positiva para Embraer (EMBR3); ações sobem quase 15%

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 7 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Divulgação Embraer (EMBR3)

A Embraer (EMBR3) divulgou ontem (2) suas perspectivas para o mercado de aviação de 10 anos, onde a empresa examina a demanda de passageiros para viagens aéreas e novas entregas de aeronaves nos próximos anos.

Assim, a Embraer dá ênfase especial ao seu principal segmento de produtos – aeronaves de até 150 assentos (modelos de aeronaves de fuselagem estreita, geralmente operados em rotas aéreas).

A companhia revisa também suas perspectivas de mercado de longo prazo periodicamente, mas este ano a revisão tem um significado especial, uma vez que apresenta os impactos previstos na demanda de aeronaves causada pela pandemia.

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De acordo com a empresa, o impacto de curto prazo da pandemia global tem implicações de longo prazo para a demanda por novas aeronaves. Pelo lado bom, tendências do setor decorrentes da crise podem se tornar oportunidades positivas para a Embraer, como a crescente importância das redes aéreas domésticas e regionais na
restauração do serviço aéreo.

Nesta quinta-feira, os papéis da empresa registram valorização de 15,08%, cotados a R$ 9,68, impulsionados também pelo otimismo com vacinas.

Essas mesmas tendências também são favoráveis para o segmento de turboélice, que o BTG acredita ser o próximo passo importante da Embraer.

Conforme o relatório, a administração já está estudando potenciais parcerias neste negócio, e um parceiro potencial para o novo turboélice poderia ser a Saab da Suécia, que parou fabricar turboélices menores em 1999, mas tem laços estreitos com a Embraer por meio da venda dos caças JAS-39 Gripen para o Brasil.

Por fim, o banco destaca que aeronaves com até 150 assentos serão fundamentais para a rapidez da recuperação do setor, o que é particularmente interessante para aeronaves de corpo estreito como as produzidas pela Embraer.

Principais tendências para o setor de aviação

De acordo com o estudo, a pandemia está causando mudanças importantes que estão remodelando os padrões das viagens aéreas e demanda por novas aeronaves. Assim, a Embraer destaca quatro fatores principais:

  • dimensionamento correto da frota, o que significa uma mudança para aeronaves de menor capacidade e mais versáteis para corresponder às exigências. As empresas buscarão estar mais bem preparadas para qualquer volatilidade na demanda e, talvez, outra crise. Uma frota mais versátil com aeronaves de diferentes capacidades irá mitigar o crescimento mais lento do tráfego;
  • regionalização, como empresas que buscam proteger suas cadeias de abastecimento de choques externos trarão as empresas mais perto, gerando novos fluxo de tráfego. Transportadoras afortunadas o suficiente para atender a grandes mercados domésticos ou continentais com poucas restrições de fronteira são susceptíveis de emergir muito mais fortes do que aqueles que dependem de abrir fronteiras internacionais;
  • comportamento do passageiro, como preferência para voos mais curtos e a descentralização de escritórios de grandes centros urbanos exigirá ar mais diversificado redes. As companhias aéreas precisarão revisar suas redes, avaliar suas frotas, oferecer novos soluções, comunicar de forma eficiente e fornecer liberdade de escolha para atrair passageiros; e
  • meio ambiente, reforçando um foco em aeronaves mais eficientes e mais verdes. Muitas companhias aéreas e OEMs que receberam ajuda do governo enfrentarão um crescimento da pressão para adotar políticas mais ecologicamente corretas.

Tráfego global retornará para níveis de 2019 em 2024

O  BTG concluiu que a Embraer considera as principais tendências da aviação global da seguinte forma:

  • o tráfego global de passageiros (medido em RPKs) retornará para Níveis de 2019 em 2024, mas permanecem 19% abaixo da previsão anterior da Embraer até 2029;
  • Os RPKs na Ásia-Pacífico terão o crescimento mais rápido (3,4% ao ano). Esta estimativa de crescimento compara com CAGRs 2019-2029 de 1,6% na América do Norte, 3,0% na América Latina e 1,8% na Europa;
  • A Embraer espera que 4.420 novos jatos (até 150 assentos) sejam entregues até 2029;
  • 75% das entregas substituirão aeronaves antigas e 25% representam o mercado crescimento;
  • a maioria das entregas de jato será para companhias aéreas na América do Norte (1.520) e na Ásia Pacífico (1.220). A América Latina demandará 380 unidades e a Europa 780 neste período;
  • A Embraer espera que 1.080 novos turboélices sejam entregues até 2029. A maioria será para companhias aéreas na China / Ásia-Pacífico (490) e na Europa (190). A América Latina exigirá 130 turboélices e Europa 190.

Projeções para Embraer:

Reprodução/ BTG

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