BTG: Cielo (CIEL3) registra resultado ainda fraco mas melhor

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 7 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Cielo/Divulgação

O BTG Pactual avaliou como ainda fraco o resultado divulgado pela Cielo (CIEL3) no terceiro trimestre deste ano. No entanto, ressalta que definitivamente houve uma melhora em relação ao segundo trimestre de 2020.

Segundo o banco, as expectativas eram baixas para Cielo e, no geral, os números foram melhores do que o esperado.

O lucro líquido atingiu R$ 100 milhões (3,7% de margem líquida), duas vezes mais forte do que o BTG tinha modelado.

Juliano Custódio. Henrique Bredda. Luiz Barsi. Gustavo Cerbasi.

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Os ganhos voltaram para território positivo, após uma perda líquida de R $ 75 milhões no segundo trimestre de 2020, mas ainda com forte queda (-71,5%).

Volume Total de Pagamentos (TPV, na sigla em inglês) se recuperou mais rápido e mais forte do que esperado pelo BTG, e Cielo Brasil (subsidiária adquirente) teve melhor desempenho. Por outro lado, a Joint Venture com BB Cateno mais uma vez desapontou.

Dessa forma, a recomendação do BTG é neutra para Cielo, com preço-alvo de R$ 5,00.

TPV mais forte, impulsionado por débito

O TPV total no terceiro trimestre registrou aumento de 29% na comparação com o trimestre anterior, uma recuperação mais forte do que o esperado (9%), embora ainda caia 4% na comparação ano a ano.

De acordo com o BTG, o rendimento da receita da Cielo Brasil caiu para 0,73% (vs. 0,79% no 2º trimestre) devido a uma combinação maior de transações com cartão de débito.

Mesmo assim, a receita bruta ficou 6% acima para o que o esperado. A penetração do pré-pagamento continuou a cair, impactando receitas de pré-pagamento.

Por outro lado, dois dias pagamento continuou ganhando participação de mercado, principalmente nas pequenas e médias empresas (PMEs) e na cauda longa, tendência que a Cielo espera continuar nos próximos trimestres.

Isso, segundo o BTG, deve fortalecer o rendimento das receitas no futuro.

Receita da Cateno sobe 34%, mas elevação de custos atrapalham

Na Cateno, o TPV também se recuperou mais rápido do que o esperado, ajudando na receita. Mas novamente, as despesas decepcionaram devido a taxas de marca mais altas (dada a valorização do dólar) e um aumento nas reclamações dos clientes.

Mas outras empresas do Grupo Cielo, como M4U e Me-S, tiveram prejuízo líquido de R$ 73 milhões, ligeiramente melhor que o prejuízo de R$ 79 milhões do segundo trimestre e acima do prejuízo de R$ 25 milhões no terceiro trimestre de 2019.

O custos e despesas da Cielo Brasil, no entanto, foram melhor do que o esperado e ajudaram no resultado.

Com isso, o Ebitda consolidado da Cielo atingiu R$ 574 milhões, um aumento de 52% na comparação com trimestre anterior.

A taxa de alavancagem financeira melhorou para 1,08vez contra 1,15 vez em 2º trimestre.

Cielo pode ser mais do que um puro adquirente?

Embora o BTG acredite que o Brasil ainda está muito longe do Modelo da China, o banco sinaliza o que está acontecendo com o Ant Group, que deve fazer IPO neste semestre.

Historicamente, a grande maioria de suas receitas vinha de pagamentos, mas com o tempo os pagamentos estão se tornando a “maneira” como o grupo conecta clientes e obtém dados para ganhar dinheiro com outros produtos como crédito, seguros, investimentos, entre outras.

As taxas de pagamento estão caindo, o que também é uma tendência que vemos no Brasil e no Ocidente. Por isso que palyers como Stone estão entrando em serviços bancários, de crédito e de software.

Dessa forma, o BTG continua cauteloso com a forma que a Cielo segue operando e questiona: como um “produto” de bancos, e co-controlado por BB e Bradesco, o que a Cielo pode fazer?

Projeções

Embora as expectativas fossem baixas, o BTG escreveu que é justo dizer que os números da Cielo foram melhor do que o esperado, principalmente se levar em consideração o braço adquirente, a Cielo Brasil.

Portanto, o banco afirma que não ficaria surpreso se a ação surpreender positivamente. A economia parece estar se recuperando mais rápido do que o previsto e os pagamentos digitais com cartão estão acelerando, o que definitivamente “dá” mais tempo para a Cielo e sua controladora acionistas para descobrir a melhor opção para a empresa.

Por fim, o BTG afirma ter dificuldade em ver qualquer ângulo para ser estruturalmente positivo para as ações se a Cielo continuar rodando da mesma forma.

Para saber mais sobre a Cielo, suas estratégias e o que pode afetar seu desempenho na bolsa, leia mais nessa reportagem especial

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