BTG (BPAC11): volumes de contêineres devem continuar fluindo para Santos Brasil (STBP3)

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Reprodução Página Oficial Santos Brasil

A equipe do BTG Pactual (BPAC11) participou de uma reunião com a alta administração da Santos Brasil (STBP3) para discutir atualizações recentes desde o último relatório trimestral da empresa.

Os principais destaques são:

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  • Os volumes de contêineres estão em níveis recordes, favorecidos pela forte recuperação da demanda desde meados de 2020, que ultrapassou a capacidade de transporte;
  • O momento positivo da indústria deve persistir no próximo ano, com normalização da oferta/demanda esperada até 2023, quando o novo fornecimento de remessa está desbloqueado;
  • Há espaço para revisões adicionais de preços na Santos Brasil, uma vez que o porto continua atrás de outros grandes portos de contêineres brasileiros em preços;
  • A Santos Brasil está monitorando o pipeline de leilões e oportunidades de M&A, com foco em alocação de capital na obtenção de exposição na cadeia do agronegócio, principalmente granéis líquidos terminais.

No geral, a reunião reforçou a confiança do BTG em volumes portuários mais fortes e melhores condições de preço para o semestre.

A longo prazo, a Santos Brasil (STBP3) deve continuar liderando o aumento de capacidade para a empresa, poderoso fosso econômico pelo valor estratégico da região. Assim, o BTG continua comprador da Santos Brasil.

Dinâmica positiva de oferta/demanda da indústria até 2022

A indústria de contêineres está crescendo com o aumento da demanda por bens produzidos no exterior, que criou gargalos de transporte em todo o mundo, levando a uma oferta/demanda desequilibrada.

O CEO da Santos Brasil mencionou que os navios estão engarrafados nos EUA devido ao volume recorde de carga chegando à região (explicado pela expansão online de compras), enquanto o Brasil enfrenta restrições de capacidade de envio.

Além da falta de fornecimento de contêineres, a forte demanda está trazendo pressão adicional ao mercado, à medida que tanto o tempo de trânsito quanto o comprimento do estágio nos portos aumentam.

Assim, a oferta/demanda positiva da balança na indústria de contêineres deve persistir no próximo ano, com plena normalização prevista para 2023, quando a nova capacidade do navio porta-contêineres for entregue no mundo todo.

Diante desse cenário, a Santos Brasil está aplicando R$ 600 milhões para ampliação da capacidade do porto em Santos, adicionando 400k TEU de capacidade anual de movimentação de carga no Porto,  o que é suficiente para suportar o crescimento do volume de contêineres em Santos pelos próximos 3 anos.

Espaço para novos aumentos de preços da Santos Brasil

Os gargalos no mercado global de transporte marítimo trazem uma dinâmica de preços favorável para companhias de navegação. A administração vê espaço para mais alta de preços para o Porto de Santos ainda fica atrás de outros portos brasileiros em termos de preço por caixa, mesmo depois de recentes revisões de contrato (que aumentaram substancialmente os preços ano/ano).

Além disso, dado o ambiente de preços construtivo, a administração espera expansão de margem a/a no próximo ano, impulsionado pelo efeito total das revisões de preço juntamente com volumes resilientes.

A privatização da Autoridade Portuária de Santos (SPA), prevista para o próximo ano, é um fator positivo para a indústria portuária. Quanto maior for a eficiência devem surgir muitos aspectos da frente regulatória: (i) melhora do contrato portuário da gestão; (ii) reestruturação dos acessos ferroviários e rodoviários; (iii) planejamento de longo prazo de infraestrutura; (iv) uma melhoria muito desejada na transparência; e (v) melhor alocação de capital.

Novos leilões de fusões e aquisições são uma oportunidade de desbloquear valor

A Santos Brasil acompanha de perto o ousado pipeline de leilões da indústria portuária, com foco em aumentar sua exposição ao segmento de agronegócios, principalmente granéis líquidos terminais.

A estratégia visa equilibrar melhor sua exposição atual à importação do segmento, ao mesmo tempo que cria novas vias de crescimento.

Haverá terminais de granéis líquidos sendo leiloado em Santos (STS08A e STS08) e Paranaguá este ano, e o BTG vê um ajuste melhor para o segundo.

Por fim, as fusões e aquisições também estão no radar, assim como o setor de contêineres no Brasil ainda é altamente fragmentado e deixa espaço para maior verticalização dos negócios, enquanto a empresa também vê oportunidades em logística e em terminais portuários dedicados para outros tipos de carga.

Assim, o BTG recomenda a compra até R$ 11.

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