BTG (BPAC11) tem visão construtiva para a indústria de reboques, beneficiando Randon (RAPT4)

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).

Crédito: Crédito: BTG Pactual/Divulgação

A equipe do BTG Pactual (BPAC11) realizou uma websession com o presidente da ANFIR (Associação Nacional Fabricantes de Implementos Rodoviários), José Spricigo, para discutir o estado atual da indústria de reboques no Brasil.

Os principais destaques são:

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  • As perspectivas de demanda para 2S21 e 1S22 são fortes, principalmente impulsionado pela demanda do agronegócio;
  • Para 2S22 e 2023, ele espera retorno da demanda para níveis mais normalizados de 70 a 80 mil reboques/ano (vs. pico de demanda de 90 a 100 mil unidades / ano hoje);
  • A elevação dos custos das matérias-primas, principalmente do aço, levou o setor aumentar seus preços em ~ 60% no acumulado do ano;
  • O aumento das taxas de juros representa um risco para o setor, devido a maioria das vendas que são financiadas;
  • A América do Sul deve continuar sendo um importante mercado de exportação para produtores locais de reboques;
  • O ambiente de preços é saudável, apesar do retorno recente de empresas tradicionais;
  • Os investimentos em automação e conectividade são as principais prioridades da indústria;
  • A tendência crescente de terceirização de veículos pesados é positiva para o setor, pois aumenta o ritmo de renovação recorrente da frota.

Em suma, o evento reforçou a visão construtiva do BTG sobre a indústria local de reboques com base em interessantes catalisadores (volume de demanda resiliente, racionalidade de preços, capacidade de repassar aumentos de custos e margens resilientes).

“Em nossa cobertura, isso é positivo para a Randon (RAPT4), nossa escolha principal no setor de bens de capital, que é negociado a um preço barato de 9,3x Preço/Lucro em 2022. Somos compradores de Randon”, diz o BTG.

Momento positivo e permanecerá até o primeiro semestre de 2022

A indústria de reboques do Brasil está tendo um desempenho melhor do que o esperado, com volumes previstos para alcançar 92 a 95 mil unidades no mercado local, além de 4 a 5 mil reboques para exportação, totalizando aproximadamente 100 mil reboques produzidos em 2021, diz o BTG.

Esta forte produção é principalmente apoiada pela demanda resiliente do setor de agronegócios (65% das vendas totais), em que o ritmo de renovação da frota é acelerando, com muitas empresas de transporte aumentando a relevância dos modelos dumper (substituindo a preferência anterior por reboques de grãos), ao mesmo tempo que visa renovar a frota com os recursos de tecnologia mais recentes do setor (especialmente materiais mais leves).

Para o 1S22, a perspectiva permanece construtiva, já que a maioria dos produtores garantiu pedidos para o início de 2022 e a demanda deve permanecer forte.

Por outro lado, o cenário para o 2S22 e 2023 é um pouco mais incerto, pois a demanda depende: (i) do aumento dos juros; (ii) redução esperada dos preços dos insumos siderúrgicos; e (iii) a transição para a tecnologia Euro VI em 2023.

Apesar dessas incertezas, a ANFIR espera que a indústria produza 70 a 80 mil unidades / ano em um mercado normalizado, portanto, alguma desaceleração da demanda já é esperada para 2S22.

Preços do aço e aumento das taxas de juros são obstáculos para o curto prazo

A forte demanda apoiou o aumento de ~ 60% no preço que a indústria teve que passar aos clientes neste ano devido ao aumento do custo das matérias-primas, principalmente do aço. Apesar dos esforços de repasse, as margens caíram ligeiramente.

“No entanto, essa tendência deverá mudar nos próximos meses, uma vez que os preços do aço devem cair gradualmente”, afirmam os analistas.

Se a demanda permanecer forte, a redução do custo não deve se traduzir em uma imediata redução de preços dos reboques, embora isso possa ocorrer no longo prazo, à medida que a demanda retorna para mais níveis normalizados.

Um cenário com preços mais baixos de reboques é favorável para a demanda, principalmente das pequenas empresas que têm menor poder de desconto com as montadoras. Por outro lado, o aumento das taxas de juros pode levar a custos de financiamento mais elevados em uma indústria aonde as vendas financiadas têm participação representativa do mercado, afetando a demanda.

Além disso, os preços no mercado de reboques usados têm mostrado sinais de desaceleração, que também pode impactar a demanda por novos reboques.

América do Sul é o principal mercado de exportação

Nas exportações, os principais países atendidos pela produção brasileira são Paraguai, Uruguai e Chile. De acordo com a ANFIR, a Argentina é um mercado interessante na América do Sul, mas tem forte produção interna, além de sofrer restrições às importações.

Na América Central, Peru e México também são mercados interessantes atendidos pela produção nacional.

Na África, a demanda está voltando lentamente, mas este mercado tem forte presença chinesa, que torna a competição mais acirrada, especialmente na África do Sul.

Portanto, a ANFIR vê a América do Sul como a região com maior potencial de exportação no longo prazo.

Comentando sobre exposição a diversos setores da economia, entidade espera que o agronegócio continue desempenhando um papel importante, apesar do crescimento esperado da demanda da infraestrutura, construção civil e comércio eletrônico.

Ambiente construtivo de preços; automação crescente

Empresas tradicionais que deixaram o mercado ou reduziram drasticamente a produção nos últimos anos retomaram as suas operações (Noma, Guerra e Rodofort), beneficiando de momento positivo da indústria.

Embora isso possa levantar preocupações sobre o excesso capacidade, a ANFIR vê um ambiente de preços construtivo, enfatizando a importância de ter um posicionamento comercial baseado nos atributos do produto e não depender exclusivamente dos preços altamente competitivos (o que prejudicou a indústria no passado).

A entidade também compartilhou as principais tendências de tecnologia vistas recentemente no setor: (1) o aumento da terceirização de veículos pesados. A ANFIR vê este movimento como positivo, pois acelera renovação da frota; (2) oferta crescente de tecnologia e conectividade em reboques, com foco na melhoria da utilização da capacidade de carga; (3) investimentos crescentes da indústria em automação, visto que o setor continua a ser um segmento de mão-de-obra intensiva.

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