BTG (BPAC11) tem visão construtiva para a Embraer (EMBR3)

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Embraer embr3

A equipe do BTG Pactual (BPAC11) realizou uma sessão na web com a equipe de RI da Embraer (EMBR3) para discutir as principais atualizações desde os resultados do 2º trimestre. Os insights foram construtivos, já que a perspectiva da demanda é significativamente melhor, após o forte impacto no ano passado.

Os principais destaques são:

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  • A aviação comercial está se recuperando constantemente após o pior ano passado (causado pelo Covid e o término da parceria com a Boeing), impulsionado pela vacinação em regiões como a Europa e os EUA, bem como tráfego resiliente nas rotas da aviação regional;
  • A aviação executiva manteve sua resiliência, explicado por uma mudança de hábitos por parte dos clientes mais sofisticados que desejam evitar aviação comercial durante a pandemia (muito provavelmente continuará sendo cliente após a Covid);
  • Perspectivas positivas no mercado externo para os produtos de defesa, compensando os desafios orçamentárias sobre os gastos militares no Brasil;
  • A Embraer tem alta capacidade de desenvolver e fabricar novos produtos e possui avenidas de crescimento, como o mercado crescente de e VTOL, o mercado de turboélice, e possibilidades de expandir a sua presença no segmento de segurança cibernética.

Em suma, o evento reforçou a visão construtiva do BTG para a Embraer, uma tese que combina um interessante investimento de reabertura econômica com uma plataforma de negócios de alta tecnologia (em expansão).

Vacinação e aviação regional impulsionando os volumes da aviação comercial

A divisão comercial da Embraer (EMBR3) está se recuperando bem este ano, após o forte impacto em 2020, causado pelo Covid-19 e a rescisão do negócio da Boeing.

Em termos de receita, a divisão está se beneficiando da vacinação em regiões onde a Embraer tem grande exposição (especialmente os EUA e a Europa), bem como a crescente demanda por rotas aéreas regionais.

Como as companhias aéreas estão cada vez mais se concentrando em veículos menores para retomar o serviço aéreo (também relacionados a restrições sanitárias). A administração está confiante de que alcançará a orientação de entregas, estimada em 45 a 50 unidades este ano, e em constante aceleração daí em diante, refletindo o melhor momento da indústria e a recuperação do mercado mundial de companhias aéreas.

Por fim, nos custos, a Embraer (EMBR3) reduziu significativamente suas operações em 2020, adaptando-se à nova perspectiva de demanda por implementação de diversas iniciativas para melhorar as necessidades de capital de giro e a gestão de estoques.

Como consequência, a margem de EBIT deve se recuperar gradualmente (meta consolidada de 3 a 4% este ano), por conta de maiores entregas e diluição de custos fixos (possibilitando a rentabilidade se recuperar mais rápido do que os volumes).

Desempenho surpreendentemente resistente na aviação executiva

A aviação executiva está apresentando um desempenho surpreendentemente resistente durante a pandemia, diz o BTG.

Depois de ficar estável desde a crise de 2008, o mercado de jatos executivos começou a crescer durante a Covid, impulsionado pelo desejo dos clientes mais ricos de evitar a aviação comercial durante a pandemia, desencadeando um comportamento do consumidor muito aguardado neste setor (os hábitos do consumidor na era pré-Covid estavam atrapalhando os investimentos em alta tecnologia direcionado para os clientes aumentarem os gastos neste segmento).

Como a aviação executiva historicamente mostrou altas taxas de retenção (uma vez que um cliente realiza viagens de negócios, ele está disposto a diminuir a frequência os voos das operadoras comerciais), o BTG espera que uma grande parte dessa base de clientes recém-chegados permaneça no pós-Covid.

As atualizações de produtos também podem ajudar aqui, com o surgimento da aviação fracionada (compra de uma parte de uma aeronave – um conceito de economia compartilhada aplicado à aviação executiva) ajudando a aumentar a consciência do consumidor do segmento.

Quanto ao portfólio, a Embraer redirecionou seu foco para linhas mais competitivas, como a Praetor de tamanho médio e linhas Phenom de tamanho pequeno.

Olhando para o futuro, a reformulação do portfólio de produtos e uma perspectiva de demanda resiliente deve sustentar altas margens de um dígito alto para a aviação executiva.

Novas avenidas de crescimento para Embraer (EMBR3)

No setor de defesa, as maiores vantagens de curto prazo estão na campanha comercial em andamento nos mercados externos.

A aeronave C-390 Millenium está se provando bem-sucedida, aumentando o apetite dos compradores estrangeiros (até agora, Portugal adquiriu 5 unidades, Áustria 2 e Hungria 2).

No mercado doméstico, a discussão do orçamento sobre gastos militares dificultou um pouco as perspectivas de demanda de curto prazo.

A Embraer (EMBR3) também compartilhou sua visão sobre importantes projetos definidos para se tornarem novas avenidas de crescimento: (i) desenvolvimento da plataforma eVTOL (eles esperem que os primeiros testes comecem em 2025 a 2026), sinalizando uma grande oportunidade de mercado endereçável (até milhares de unidades por ano). No eVTOL, a Embraer tem um posicionamento mais forte do que empresas iniciantes, dado seu histórico de sucesso no desenvolvimento e certificação de novos produtos; (ii) no segmento de turboélice, continuam estudando novas parcerias, e enxergam grandes sinergias com seu portfólio atual da família de jatos.

A indústria de turboélice tem uma vantagem na transição contínua da indústria de aviação para o combustível de aviação sustentável aumentando seu apelo estratégico para a Embraer; e (iii) na cibersegurança, a recente aquisição da Tempest indica a confiança da Embraer em uma indústria em crescimento em todo o mundo. Como uma empresa local, a Embraer está posicionada para se expandir conforme esta indústria amadurece no Brasil.

Assim, a recomendação do BTG é de compra até R$ 26.

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