BTG (BPAC11) vê Cosan (CSAN3) prestes a reacender um novo ciclo de crescimento

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

Quase cinco anos depois da venda, a Cosan (CSAN3) anunciou que adquiriu de volta da TIAA, por R$ 1,479 bilhão, uma participação de 47% na Radar.

A Cosan criou a Radar em 2008 com o objetivo de explorar oportunidades de investimento no setor imobiliário brasileiro. Posteriormente, em outubro de 2016, a Cosan anunciou a venda da quase totalidade da sua participação acionária de 38% na empresa para a TIAA por R$ 1,04 bilhão, mantendo uma pequena parcela de 3%.

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Este novo anúncio carece de detalhes adequados sobre a avaliação do banco de terrenos ou expectativas de receitas de leasing, embora tenha sido anunciado que a Radar possui e administra cerca de 390 propriedades rurais em um total de 96k hectadores colhendo cana-de-açúcar, soja, algodão e milho nos estados de São Paulo, Maranhão e Mato Grosso.

O que se sabe sobre Radar

A Cosan criou a Radar em 2008, com o objetivo de alugar a área para produtores terceiros após contribuir com parte de suas próprias áreas de cana-de-açúcar.

A Cosan eventualmente atraiu e assinou um acordo de acionistas com a TIAA. No momento da venda, em 2016, a Radar possuía 105 mil ha de terras, em um portfólio que o BTG acredita ser muito semelhante ao que ainda é hoje, e que foi avaliado em cerca de R$ 2,7 bilhões.

Na época, o BTG estimou que a Radar estava gerando mais de R$ 100 milhões em EBITDA por ano (excluindo vendas de terras), que o BTG acredita ter pelo menos dobrado até esta data.

“Se nossas estimativas preliminares estão corretas, o índice de alavancagem pró-forma da Cosan aumentaria apenas 0,1x”, diz o BTG.

Mercado de terras agrícolas do Brasil está pegando fogo

A consultoria IHS Markit/FNP divulgou seu valor bimestral de terras agrícolas no Brasil, e mais uma vez destacou o ambiente favorável para terras agrícolas no país. Em julho/agosto de 2021, os preços médios das terras agrícolas registraram uma valorização de 32% a/a, o maior ganho na série histórica, e avançou 7% em relação ao relatório de maio/junho.

A consultoria também mencionou que a liquidez está efetivamente sendo dificultada pela forte valorização dos preços em algumas regiões, mas que a demanda por propriedades agrícolas continua forte e os fundamentos são de suporte.

A Cosan está recuperando a exposição, após um vazio de 5 anos, exatamente quando o mercado de terras agrícolas esfriou consideravelmente, e logo antes do mercado estar à beira de um novo ciclo de valorização de preços parece um momento perfeito.

Melhor alocação de capital

O EBITDA da Cosan sob controle cresceu em média a um CAGR de 12% desde 2011. A base de capital expandida aumentou em 90% com ROIC consistentemente acima do custo de capital nos últimos dez anos.

O anúncio sobre a Radar é outra prova de que a Cosan está prestes a reacender um novo ciclo de crescimento, que também será alocado dentro do recém-criado Fundo de Investimento, assim como a JV de Mineração recentemente anunciada.

“Vemos a Cosan negociando em um 10x P / 2021E, 6,3x EV / 2021EBITDA e um rendimento de 10% 2021E FCF, o que o coloca de volta para baixos históricos e torna uma história de transição convincente”, diz o BTG.

Por fim, os analistas recomendam a compra do ativo até R$ 39.

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