BTG (BPAC11) vê com cautela futuro trade-off para Petrobras (PETR3; PETR4)

Matheus Gagliano
Jornalista formado em 2007. Possui mais de 15 anos de experiência em jornalismo econômico e corporativo. Passou por veículos especializados como Brasil Energia e Canal Energia e pelo Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro. Além de passagens por veículos como Record TV do Rio, jornal O Dia e Diário Lance.
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Crédito: Agência Brasil

Relatório do banco BTG Pactual (BPAC11) avalia as mudanças que podem ocorrer na administração da Petrobras (PETR3; PETR4) para o próximo ano, principalmente após as eleições. Há um questionamento do que pode ocorrer, caso entre uma nova gestão menor alinhada com a trajetória atual.

Com isso, o banco teme que o atual trade-off entre dividendos e capex possa mudar. Particularmente agora que o forte balanço patrimonial da Petrobras oferece espaço para uma posição de maior risco.

Essa posição pode mudar por conta do Plano Estratégico anunciado pela empresa na semana passada. De acordo com o relatório, o novo plano também indica que a empresa se vê pronta para embarcar em uma nova onda de investimentos crescentes. Algo que os investidores frequentemente recebem com uma forte dose de ceticismo.

BTG (BPAC11): dividendos recorrentes

O banco avalia ainda que o novo plano sustenta os mesmos diferenciais econômicos que ajudaram a Petrobras a se tornar uma empresa mais ágil. Por isso, aponta para uma combinação de pagamentos de dividendos mais recorrentes. Além disso, uma menor pressão sobre sua política de preços de combustível definitivamente contribui para inclinar a tese de investimento para o lado positivo no curto prazo.

Na semana passada, os eventos que impactaram a Petrobras nas últimas semanas, seja relacionado ao seu novo Plano de Negócios ou a queda acentuada do petróleo, na sexta-feira, o banco ainda reconhece o sentimento de melhoria em relação à Petrobras.

“Pensamos que ainda há razões para acreditar que o potencial de sua história não será totalmente capturado até que o mercado esteja totalmente confiante sobre o que esperar da alocação de capital da empresa dado o avanço rápido das eleições”, informa trecho do relatório.

Preço-alvo ajustado para R$ 41 por ação

Por conta da divulgação do novo plano, o banco de investimentos está atualizando suas estimativas para refletir os ajustes. Com isso, o preço-alvo foi ajustado para R$ 41/ação apesar do aumento em nosso custo de capital (WACC em USD nominal de 10,2%) devido ao aumento das taxas de juros e uma maior percepção de risco para o Brasil. Estes são compensados por uma curva de preço Brent ligeiramente mais alta, com uma premissa de longo prazo de US$ 62 por barril.

O banco reconhece o impacto da queda do preço do petróleo em meio a temores de uma nova variante da Covid-19. O que pode levar a uma diminuição da demanda. Porém, aponta que ainda não será necessário incorporá-la nas projeções, dado o alto grau de incerteza.

“Por enquanto, as premissas do preço do petróleo não estão muito longe da curva de futuros implícita do mercado”, aponta o relatório do BTG.

O banco reforça ainda que a capacidade de perpetuar a distribuição de dividendos poderia adicionar uma visão positiva. Sustentado não apenas pelos fundamentos do petróleo e um baixo equilíbrio de custo de caixa. Mas também poderia ocorrer por fluxo de caixa e dividends yields de 26% e 20% em 2022, respectivamente.

No entanto, o banco acredita que os investidores não estarão dispostos a pagar adiantado por isso. Pelo menos até que a visibilidade sobre qual será a alocação de capital da empresa no longo prazo aumente.

A alienação das principais refinarias do seu plano de desinvestimento também poderá contribuir largamente para tal. Visto que poderá reduzir estruturalmente o seu custo de capital ao minimizar a eficácia de um dos mais comuns instrumentos de ingerência política na empresa.