BTG (BPAC11): Suzano (SUZB3) tem 1TRI21 abaixo das expectativas

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação/Suzano

A Suzano (SUZB3) reportou um resultado abaixo das expectativas no primeiro trimestre de 2021.

A avaliação é do BTG Pactual (BPAC11), que diz que a Suzano reportou um conjunto melhor de resultados do 1TRI21, mas bem abaixo das projeções.

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O EBITDA ficou em R$ 4,9 bilhões, + 23% t/t e + 61% a/a, mas -13% abaixo das expectativas reconhecidamente altas.

“A diferença pode ser explicada, principalmente, pelos preços realizados de celulose mais baixos (-6% abaixo de nossa estimativa), que esperamos reverter materialmente à frente, devido à recente força sem precedentes de preços”, diz o BTG.

Portanto, o BTG considera o resultado do 1T21 voltado para o passado.

No entanto, o destaque foi a aprovação do projeto Cerrado: 2,3Mtpa de capacidade adicional de celulose de fibra curta (+ 20% de aumento vs. base atual), capex de R$ 14,7 bilhões (US$ 2,77 bilhões), comissionamento para o 1T24.

Embora a aprovação do projeto venha antes do que o BTG esperava, os analistas ainda veem a desalavancagem da Suzano no final do ano para menos de 2x e enfatizam que há apenas cerca de ~R$ 1 bilhão em capex orçado para este projeto em 2021.

“Isso parece mais um posicionamento estratégico e captura de uma janela de oportunidade em 2024 do que qualquer outra coisa para nós. Portanto, embora os investidores possam ver esse anúncio antecipado com cautela, acreditamos que o caso de investimento permanece intacto e consideramos o projeto assertivo no longo prazo (calculamos que poderia adicionar cerca de R$ 12/ação no VPL)”, diz o BTG.

Suzano tem fortes volumes e implementação lenta de preços

A Suzano registrou fortes vendas de celulose em 2,65Mt (em linha com a projeção), que é estável t/t, e -7% menor a/a.

A empresa não fez paradas para manutenção neste trimestre e conseguiu produzir em velocidade máxima e manter as vendas elevadas.

Os preços realizados de exportação começaram a subir no 1T (+ 16% t/t), ficando em US$ 533/t (-4% vs. estimativa do BTG), após vários anúncios de aumento de preços nos últimos meses.

Os preços da celulose continuaram subindo no 2T21, o que deve levar os preços realizados para perto de US$ 700/t – o 1T já parece passado.

O custo caixa da celulose ficou em linha com as estimativas de R$ 623/t (sem paradas no trimestre), estável t/t, mas 4% maior a/a (custos mais altos atrelados ao dólar).

Na divisão de papel, o EBITDA ficou em R$ 399 milhões (-10% vs. expectativa do BTG), que é -8% menor t/t, explicado por menores exportações e custos operacionais maiores do que estávamos projetando.

Alavancagem deve continuar caindo

A dívida líquida no trimestre aumentou para R$ 66 bilhões (em linha com a projeção; + R$ 2,8 bilhões t/t), sendo negativamente impactada pela desvalorização do Real sobre a dívida denominada em dólares americanos.

A dívida líquida/EBITDA diminuiu modestamente para 3,9x (de 4,3x anteriormente), e deve cair para abaixo de 2x no final de 2021 nas estimativas do BTG.

“Calculamos que, mesmo assumindo uma carga de capex pesada em 2022-23 para o projeto Cerrado, projetamos que o balanço patrimonial da Suzano permanecerá saudável ao longo do ciclo de investimento em menos de 2x”, afirmam os analistas.

Em outras palavras, o BTG espera que o FCFE permaneça positivo mesmo durante o pico dos investimentos no projeto Cerrado, o que os leva a acreditar que o projeto é altamente “digerível” no cenário atual (mesmo assumindo preços de celulose na faixa de US$ 550-600/t).

No FCFE, o BTG calcula que a empresa gerou cerca de R$ 1,5 bilhão no trimestre, o que consideramos abaixo do potencial.

Assim, o banco reitera a compra para Suzano, ao preço de R$ 101.

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