BTG (BPAC11): setor de saúde pode trazer proteção em meio ao debate de reforma tributária

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Reprodução/BTG (BPAC11)

O impacto da proposta de reforma tributária nas empresas de saúde parece limitado e pode trazer proteção, diz o BTG Pactual (BPAC11) em relatório.

O potencial do novo regulamento tende a prejudicar players com altos Juros Sobre Capital Próprio, como bancos, seguradoras, ações semelhantes a títulos, o que geralmente não é o caso no setor de saúde, diz o BTG.

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No setor, as empresas com os maiores pagamentos de dividendos são Qualicorp (QUAL3), OdontoPrev (ODPV3), Fleury (FLRY3) e SulAmérica (SULA11).

Na maioria dos casos, a redução no imposto de renda federal (5p.p.) tende a superar o fim dos benefícios fiscais de Juros Sobre Capital Próprio, resultando, portanto, em resultados financeiros superiores.

No entanto, líquido de impostos, os dividendos tendem a ser 15-20% mais baixos (reduzindo o rendimento de dividendos em 50 bps, em média, nas ações cobertas pelo BTG).

E o mais importante: já que os rumores sobre o fim dos Juros Sobre Capital Próprio têm circulado há anos, o BTG já não estava assumindo esse benefício fiscal perpetuamente por todas as empresas, incluindo Hapvida e GNDI, que em teoria devem – assim que eles se fundirem – ter mais capacidade de pagar Juros Sobre Capital Próprio no longo prazo.

Educação: impacto quase neutro

À luz do programa ProUni, o impacto da segunda fase da Reforma Tributária tende ser praticamente neutro, uma vez que não houve alterações propostas ao programa.

O ProUni permite que os players de pós-graduação ofereçam parte de suas vagas de graduação como bolsas de estudo, e assim, gozam de isenção de imposto de renda praticamente total.

“Em outras palavras, não vemos rendimentos líquidos diferentes para as empresas de educação, uma vez que a taxa de imposto efetiva deve, em última análise, não aumentar. Do lado dos dividendos, eles obviamente poderiam ser afetados por tributação mais elevada, mas os nomes da educação têm funcionado com baixos fluxos de dividendos no passado recente (a única exceção é YDUQS”, diz o BTG.

Esta é apenas a segunda etapa da reforma

Em resumo, à luz da reforma proposta, o BTG destaca que a saúde é um setor em crescimento.

No entanto, existem várias advertências: (i) mudanças na análise do Congresso são muito prováveis; (ii) outras fases da Reforma Tributária podem amenizar os impactos negativos das fases 1 e 2; (iii) as empresas devem priorizar recompra de ações em vez de distribuição de proventos, o que produziria praticamente o mesmo efeito que os dividendos; e (iv) um imposto sobre dividendos também pode levar as empresas a reinvestirem uma maior parte de seus ganhos ou talvez aumentar seu apetite por transações de fusões e aquisições (algo usual nos setores de saúde e educação).

Assim, o BTG continua destacando no setor de saúde HAPV, GNDI, RDOR, DASA, BLAU, MATD e SULA.

Em educação, os nomes preferidos são Cruzeiro do Sul (CSED3) e Anima (ANIM3).

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