BTG (BPAC11): sem VALE3 e PETR4, empresas da bolsa devem lucrar 14% a mais em 2021

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / Petrobras

Em recente relatório de análise, o BTG Pactual (BPAC11) projetou uma recuperação muito mais forte em 2021 sobre o lucro das empresas. O banco espera que o lucro consolidado de 2021, sem Petrobras (PETR3 PETR4) e Vale (VALE3), cresça 14% em comparação a 2019. Três meses atrás, a projeção era de crescimento de 4%.

A maior parte da recuperação nos ganhos de 2021 reflete perspectivas mais positivas para os exportadores de commodities.

Segundo o BTG, as perspectivas econômicas mais positivas levaram a um aumento de 2% nas projeções de lucros também para 2020, sem contar as duas gigantes Petrobras e Vale, em relação à última revisão, três meses atrás.

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“Para 2021, nossas estimativas de lucro melhoraram significativamente, principalmente devido às perspectivas muito melhores para os exportadores de commodities em uma combinação de preços mais altos e um real mais fraco”, diz o relatório.

“Por sua vez, as empresas que vendem principalmente no mercado interno viram suas estimativas de lucros inalteradas em 2020 e apenas ligeiramente mais altas em 2021 – mais 2% – em relação às nossas estimativas anteriores”, analisa.

BTG não altera PIB

Por outro lado, as expectativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2021 não mudaram.

O banco espera mesmo crescimento de 3% do PIB em 2021 que previa na análise de março.

Metais, mineração e alimentos

As estimativas de lucros das empresas de metais, mineração e alimentos aumentaram muito em comparação com a análise de três meses atrás.

Esses setores são agora os únicos que podem registrar um aumento de receita em 2020, em relação ao que o BTG estimava antes da pandemia.

Entretanto, para 2021, o BTG vai além.

Espera que metais, mineração, papel e celulose e serviços públicos relatem ganhos mais altos em relação às estimativas pré-pandêmicas.

Metais e mineração recebeu as maiores revisões de lucro, com um aumento de R$ 21 bilhões em 2020, em relação a três meses atrás (R 62 bilhões vs R$ 41 bilhões).

Os ganhos esperados para 2021 também foram bastante revisados, já que agora o BTG que a Vale registre ganhos de R$ 80 bilhões contra R$ 47 bilhões na última análise.

“A demanda de minério de ferro da China (~70% do mercado transoceânico) está mais forte do que nunca, enquanto interrupções agudas no fornecimento colocaram os mercados em um déficit até agora no ano”, diz o banco.

No setor de alimentos, as revisões refletiram principalmente o grande aumento das estimativas de faturamento da JBS (JBSS3) e Marfrig (MFRG3).

Ambas se beneficiaram do aumento dos preços da carne bovina causado pela menor capacidade de abate e pela demanda estável por carne bovina durante a pandemia.

No início da Covid-19, quando as pessoas estavam estocando alimentos, a demanda aumentou, lembra o BTG.

E como obtêm grande parte da receita em dólares, JBS e Marfrig também se beneficiaram com a desvalorização do real.

Papel e Celulose

Mesmo que os resultados da Vale devam melhorar substancialmente em 2020, os resultados consolidados dos exportadores de commodities devem ser ainda piores do que no ano passado.

Os resultados da Suzano (SUZB3) e da Petrobras em 2020 são os culpados, de acordo com o BTG.

A Suzano é uma das empresas mais afetadas pela forte desvalorização do real frente ao dólar.

Como a empresa está com todas as dívidas dolarizadas, o impacto do câmbio deve fazer com que ela registre um prejuízo de cerca de R$ 14 bilhões em 2020.

Em 2021, a situação volta ao normal e a Suzano deve registrar lucros de R$ 8 bilhões.

A Klabin (KLBN11) é outra empresa de papel e celulose com grande parte de sua dívida dolarizada e que apresentará grandes perdas em 2020.

O banco estima perdas de R$ 2 bilhões, contra um ganho de R$ 700 milhões em 2019.

Petrobras

No caso da Petrobras, o colapso dos preços do petróleo, que mesmo após a recuperação recente estão bem abaixo dos níveis pré-pandêmicos, e um enorme prejuízo de R$ 65 bilhões contabilizado no 1T20 (relacionado a estimativas revisadas para ganhos em projetos de E&P, agora que os preços do petróleo entraram em colapso) podem levar a perdas de R$ 37 bilhões em 2020.

Para 2021, O BTG que os lucros dos exportadores de commodities se recuperem significativamente.

Isso deve impulsionar as expectativas de ganhos recordes de R$ 73 bilhões e fazer Petrobras e Suzano voltam a território positivo.

Ou seja, faturamento de R$ 29 bilhões e R$ 8 bilhões, respectivamente, em 2021.

Setor financeiro

Segundo o BTG Pactual, o setor financeiro está impedindo um melhor desempenho das empresas nacionais em 2021.

Embora os lucros das empresas que vendem basicamente no mercado interno deva crescer apenas 2% em 2021, em comparação com 2019, conforme já dito, o banco espera “que a maioria dos setores registre crescimento dos lucros no período”.

“Então, por que os ganhos das empresas nacionais não estão crescendo na comparação de 2021 x 2019? A resposta é a nossa expectativa de um grande declínio nos ganhos das empresas do setor de serviços financeiros, principalmente bancos”, diz o relatório.

Por outro lado, alguns setores devem reportar uma grande melhora nos ganhos em 2021 em relação a 2019, especialmente varejo, seguido por infraestrutura e utilities.

“Embora esperemos que os ganhos dos bancos se recuperem em 2021 vs. 2020, na casa de mais R$ 18 bilhões, ainda prevemos que os ganhos de 2021 caiam R$ 7 bilhões abaixo dos níveis de 2019”, dizem os analistas do BTG.