BTG (BPAC11): Randon (RAPT4) tem ciclo positivo no curto e no longo prazo

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Randon (RAPT4): receita líquida cai 3% em julho; Fras-le tem queda de 1,6%

A equipe do BTG Pactual (BPAC11) realizou uma sessão na web com a equipe de RI da Randon (RAPT4) para discutir as atualizações desde os números do segundo trimestre. Segundo o BTG, a empresa tem ciclo positivo no curto e no longo prazo.

Os principais destaques do encontro são:

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  • Perspectivas de demanda por caminhões e reboques são sólidas, impulsionadas pelo agronegócio (mais relevante), comércio eletrônico (ganhando relevância) e infraestrutura (volumes mostrando recuperação);
  • Desaceleração da margem (após fortes números nos últimos trimestres), impulsionada por preços mais altos de insumos. A companhia argumentou que as margens podem não ser tão ruins quanto o esperado, já que o rendimento da indústria de caminhões é mais resiliente do que o mercado de automóveis de passageiros;
  • A prioridade na divisão de autopeças é a integração recente da Nakata. Após a integração, as fusões e aquisições são uma oportunidade para expandir o portfólio e exposição geográfica no segmento;
  • A inovação dos produtos é um pilar de crescimento chave para preparar a Randon para temas automotivos globais, como mobilidade compartilhada, eletrificação e materiais inteligentes.

A reunião reforçou a mensagem de volumes sólidos de reboques e caminhões, mesmo depois de fortes resultados nos últimos trimestres (refletidos no guidance maior de 2021, publicado em meados do ano).

Assim, o BTG reitera a opinião otimista sobre a companhia, devido aos catalisadores de curto prazo sólidos (volumes e margens resilientes) e uma perspectiva de longo prazo promissora, impulsionada por mais automação, maior relevância da divisão de autopeças, inovação contínua e melhor alocação de capital.

“Nós permanecemos compradores da Randon, nossa escolha principal no setor de bens de capital que negocia de forma indevida, a 8,5x Preço / Lucro em 2022, 27% abaixo do pico do preço das ações neste ano”, diz o BTG.

Momento favorável para o setor de veículos pesados em 2021-22

A indústria de reboques do Brasil está indo bem, impulsionada por um agronegócio resiliente, crescimento do comércio eletrônico e recuperação da demanda por infraestrutura.

Para 2021, o setor espera demanda de 85 a 90 a mil reboques e 125 a130 mil caminhões no mercado local (com produção nacional de 140 a150 mil), elevando a frota de reboques local para 850 a 900 mil unidades.

A indústria de caminhões segue com um momento positivo para o próximo ano, com tendências seculares da indústria, como digitalização, profissionalização dos caminhoneiros, crescente terceirização e transição de veículos para a tecnologia Euro-VI, acelerando a renovação da frota.

O segmento de veículos comerciais está sofrendo menos com a escassez mundial de semicondutores do que veículos leves, como (i) eles exigem chips semicondutores diferentes (ou seja, eles não competem pelos mesmo fornecedores) e (ii) as margens das montadoras para veículos pesados são historicamente mais altas, o que significa mais volumes alocados para caminhões do que para veículos leves.

A Randon produz 130 unidades/dia e pode aumentar para 150 por meio da expansão gradual da capacidade, se necessário. Essa expansão da capacidade já foi observada em sua recente expansão da planta de Araraquara, onde a empresa irá operar sua própria rede ferroviária (1.500km), produzindo até 1 mil vagões / ano em uma nova linha de produção.

Remodelando a dinâmica da indústria de reboques

O momento sólido do setor está remodelando o cenário competitivo, criando espaço para empresas tradicionais como Noma e Rodofort (cuja empresa controladora recentemente adquiriu a Guerra que está em recuperação judicial) para reconquistar sua presença no mercado local, beneficiando-se da longa carteira de líderes de mercado como a Randon e a Facchini.

A demanda forte e o crescimento racional do lado da oferta (produtores mais profissionais) estão melhorando a dinâmica de preços, permitindo o crescimento dos volumes para todos os participantes, diz o BTG.

A terceirização de veículos é outra tendência que está ganhando força na indústria de caminhões do Brasil, acelerando o ritmo de renovação da frota e reduzindo a idade média da frota, aumentando o volume de produção.

Os preços dos insumos maiores continuam prejudicando as margens operacionais, o que pode desacelerar t/t (embora em um ritmo mais suave do que o inicialmente esperado) após um forte resultado nos últimos trimestres.

Randon está integrando recentes aquisições

A meta de curto prazo da Randon na divisão de autopeças é integrar as recentes fusões e aquisições. Depois que este processo for concluído, novas fusões e aquisições podem ser exploradas como estratégia para defender sua liderança das subsidiárias em mercados locais e buscar novos produtos e diversificação geográfica.

A Randon quer aumentar as receitas de exportação de ~ 20% para +30% do faturamento total, por meio do aumento das exportações ou via novas unidades localizadas no exterior.

A meta também é entrar em novos segmentos, como máquinas agrícolas e equipamentos pesados. A inovação também é um pilar fundamental da tese crescimento, preparando a empresa para o os novos temas do setor automotivo global como mobilidade compartilhada, eletrificação e materiais inteligentes.

A Frasle (subsidiária de material de fricção) anunciou recentemente a abertura de uma linha de Smart Composites para produzir componentes de materiais mais leves, aumentando a carga dos veículos e melhorando a eficiência do uso do combustível.

A Randon também anunciou recentemente um projeto para a produção em larga escala de nanopartículas de nióbio, usando tecnologia proprietária e aprimorando seu portfólio de serviços, novamente com foco em materiais mais eficientes para os seus clientes.

Por fim, a recomendação é de compra até R$ 20.

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