BTG (BPAC11): primeira posição do Cade sobre fusão da Localiza (RENT3) e Unidas (LCAM3) é positiva

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
1

Crédito: Divulgaçâo/Localiza

A primeira posição divulgada pelo Cade sobre a fusão da Localiza (RENT3) com a Unidas (LCAM3) é positivo, avalia o BTG Pactual (BPAC11) em relatório.

A Autoridade de Defesa da Concorrência (Cade) divulgou nesta semana sua primeira avaliação sobre a fusão Localiza-Unidas. A análise do negócio foi baseada em uma infinidade de informações do setor, reunidas por extensos dados de muitos participantes do setor (fornecedores, clientes e, o mais importante, concorrentes).

Na leitura do BTG, a recomendação do CADE foi um evento positivo para a Localiza e Unidas, já que o relatório recomenda a aprovação da combinação de negócios entre as empresas, dependendo de certos “remédios” que ainda será divulgado (o texto nos dá algumas referências sobre como a autoridade deve abordar este tema).

Esta recomendação é um sinal positivo, destaca o BTG, pois muitos investidores esperavam a reprovação do negócio nesta primeira revisão do processo, devido ao recente fluxo de notícias desfavoráveis (o mercado migrou para nosso pior cenário recentemente).

Embora o processo ainda precise passar pelo tribunal do CADE e uma revisão final seja esperada para ser emitida até 6 de outubro (prorrogável por até 90 dias), a aprovação é uma das condições precedentes para o negócio e fornece um importante primeiro passo, contribuindo para uma redução gradual do risco de ambos as teses de investimento da Localiza e Unidas.

Provavelmente negócio envolverá uma combinação de ativos

Com relação aos prováveis remédios, Localiza e Unidas apresentaram ao CADE um plano de remédios (denominado Acordo de Controle de Concentração de Mercado), caracterizando: (i) um ‘estrutural remédio ‘, envolvendo a venda de parte da operação do aluguel de veículo da Unidas, e (ii) dois remédio comportamentais, envolvendo o contrato de parceria da Localiza e da Vanguard (a Vanguard possui as marcas National, Alamo e Enterprise).

O documento do CADE não divulgou totalmente tais remédios (esta informação é confidencial e destinada exclusivamente às partes envolvidas, e portanto, ainda não foi tornado público).

No entanto, o documento aponta que os remédios estruturais devem envolver 136 cidades (de 156 cidades com alguma sobreposição) e 38 aeroportos. Também explica que os ‘remédios’ devem envolver uma combinação de ativos (veículos + lojas locais) totalmente focados em aluguel de veículos (em linha com nossas reflexões iniciais, como o CADE não enxerga os segmentos de gestão ou terceirização de frotas ou seminovos como um problema devido à sua menor sobreposição).

Curiosamente, o CADE afirma que o ‘pacote de desinvestimento’ negociado pelas duas empresas viabilizam a entrada de uma terceira companhia na indústria (ou seja, além de RENT-LCAM e Movida, agora a segunda maior empresa do setor).

Este continua sendo o principal ponto de interrogação do negócio, visto que o perfil desta terceira empresa ainda não está claro, diz o BTG.

“Não descartamos a entrada de uma empresa de fora do segmento de aluguel de veículos, como um uma companhia financeira ou mesmo uma operação administrada por uma montadora. Uma análise mais profunda do relatório de avaliação do CADE revela que qualquer nova empresa deve adquirir pelo menos 20.000 veículos, com participação de mercado na indústria de pelo menos 10% (tornando-se assim uma novo, terceira força no segmento, atrás da Movida – que não vemos comprando esses ativos devido ao maior grau de sobreposição)”, afirma o BTG no relatório.

Portanto, a companhia combinada LCAM + RENT é esperada ter uma participação de mercado no aluguel de veículos pós-negociação (com ‘remédios’) de 40 a 50%.

Assim, o BTG continua esperando um ‘remédio’ variando de 25 a 46 mil veículos.

Revisão favorável; melhor do que o antecipado pelo mercado

O laudo de avaliação significa um primeiro passo positivo em direção à conclusão do negócio.

O relatório de avaliação do CADE explica que o principal ponto é a concentração de mercado e os riscos estão no segmento de aluguel de carros, enquanto no segmento de gestão de frotas e carros usados representam riscos menores.

Em relação aos próximos passos, a fusão ainda tem que passar pelo Tribunal do CADE, que deverá emitir uma segunda (e última revisão) até 6 de outubro (prorrogável por 90 dias, se necessário).

Com tudo incluído, o BTG acredita que tanto as ações da Localiza quanto as ações da Unidas devem reagir positivamente, já que o primeiro relatório de avaliação apresentou uma recomendação melhor do que esperado, revertendo o recente fluxo de notícias negativo em torno do acordo.

Assim, o BTG mantém as classificações de compra em RENT3 e LCAM3.