BTG (BPAC11): melhores perspectivas à frente para Natura (NTCO3)

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Reprodução Natura

A equipe do BTG Pactual (BPAC11) realizou uma videoconferência com o CEO da Natura & Co da América Latina (NTCO3), João Paulo Ferreira, quando foram discutidas as estratégias da empresa para os próximos anos, o progresso na recuperação da Avon, os resultados das iniciativas já implementadas na Avon Brasil e as expectativas de sua implantação em outros países hispânicos.

Também foram discutidos desenvolvimentos recentes em relação à digitalização dos representantes de vendas e o impacto das perspectivas macroeconômicas (especialmente a inflação) sobre os resultados da empresa.

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Segmentação e digitalização para Avon, com resultados positivos até agora

Por causa da pandemia do ano passado, a Natura acelerou a digitalização de vendas de seus representantes – terminou 2020 com 11% das vendas provenientes de vendas sociais + canais de comércio eletrônico, com ambição de chegar a 20-25% até 2023.

No Brasil, o recrutamento digital atingiu 80% dos novos representantes da Natura, que são em média 10 anos mais jovens que a média atual da empresa, trazendo mais alcance aos consumidores, bem como uma base de representantes de vendas mais experientes em mídias sociais – nos últimos anos, o comércio eletrônico global evoluiu para a venda social, com streaming ao vivo, formato curto de vídeos e redes sociais.

Para a Avon Brasil, à medida que as iniciativas digitais da Natura se estendem à marca, ela já alcançou 40% do recrutamento por meio de canais digitais, proporcionando uma dose necessária de rejuvenescimento na base de representantes de vendas da marca.

A empresa também mencionou que o data lake, com informações sobre os consumidores, já estão unificadas (tanto para Avon quanto para Natura).

Durante 2012-16, tanto a Natura quanto a Avon perderam participação de mercado no segmento de CF&T em Brasil, mas nos últimos quatro anos a Natura conseguiu reconquistar sua participação de mercado gradativamente, com base em uma estratégia de sucesso para segmentar seus representantes de vendas, melhorando a produtividade e retenção.

Desafios da cadeia de suprimentos compensados ​​pelas sinergias da Avon

Outro ponto abordado na videoconferência foi como a empresa estava sendo impactada pelos recentes gargalos na logística e aumento dos custos das matérias-primas.

Como esperado, a empresa tem visto mais restrições no fornecimento de produtos específicos. Mas após a fusão com a Avon, com uma rede de compras maior, a Natura tem ainda mais flexibilidade em seu sourcing e tem sido capaz de manter suas linhas de produção com impactos limitados, diz o BTG.

Em outras áreas, a Natura ​​foi capaz de compensar as pressões inflacionárias de custos com as sinergias capturadas com o negócio da Avon (~ 50% das sinergias de custo de logística e

plantas de produção já foram capturadas na América Latina, de acordo com estimativas do BTG).

A Natura planeja capturar gradativamente as sinergias da Avon, com sinergias operacionais de US$ 350-450 milhões em uma base anual recorrente em 2020-24, com 120 projetos em andamento e 200 mapeados: (i) cadeia de fornecedores de US$ 85-115 milhões, (ii) US$ 100-125 milhões de fabricação e distribuição, (iii) US$ 75-90 milhões de despesas gerais e administrativas e (iv) US$ 90-120 milhões de receita.

Olhando para a história do crescimento global da Natura

Conforme o BTG mencionou no recente relatório de atualização sobre a Natura, o BTG mantém sua visão conservadora de longo prazo devido aos desafios que rejuvenescem o The Body Shop e recuperação da Avon (como visto no segundo trimestre), mas nota-se progresso recente em ambas as frentes.

Com melhor estrutura de capital após dois aumentos de capital no ano passado, a contínua digitalização de representantes de vendas, oportunidades de vendas cruzadas com a Avon e captura rápida de sinergias, o BTG está mais positivo no caso de investimento da Natura (justificando o rating de compra), com a negociação de ações em 13x EV / EBITDA 2022 (21% de desconto para o global pares internacionais) e 16% EBITDA CAGR nos próximos quatro anos.

Por fim, a recomendação é de compra até R$ 70.

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