BTG (BPAC11): Minerva (BEEF3) reporta 3TRI21 sólido, com destaque para receita

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Instalações da Minerva em Barretos, SP. Fotos Ricardo Benichio

A Minerva (BEEF3) registrou um 3TRI21 sólido, com destaque para receita, afirmou o BTG Pactual (BPAC11) em relatório.

O desempenho da receita foi novamente o principal destaque, principalmente com os impressionantes preços realizados na Athena Foods (+ 19% t/t, com receitas crescendo 85% a/a em dólar), permitindo que as vendas atingissem R$ 7,4 bilhões, 13% acima das expectativas do BTG, e 43% mais alta a/a.

O ciclo desfavorável do gado e o aumento dos custos do gado em toda a região se traduziram em uma margem bruta inferior de 17% (-260 bps a/a e a menor para o terceiro trimestre desde 2011), mas os altos preços da carne bovina compensaram parcialmente isso, permitindo uma diluição da despesa de vendas, gerais e administrativa de 90 bps a/a.

Segundo o banco, a margem EBITDA ainda decente de 8,8% e um EBITDA de R$ 648 milhões (+ 17% a/a e 7,5% acima da projeção do BTG).

O lucro de R$ 72 milhões também foi mais forte devido ao impacto menor do que o esperado das oscilações cambiais.

Alavancagem sob controle permite novo pagamento de dividendos

A geração de FCF foi mais amena desta vez, pois a Minerva acumulou R$ 467 milhões em estoques (o volume de vendas ficou abaixo do volume de processamento de gado).

Ainda assim, o aumento do EBITDA nos últimos 12 meses e a conversão dos bônus de subscrição detidos pela VDQ conseguiram manter o índice de alavancagem líquida em 2,4x.

E apesar das menores exportações do Brasil para a China no quarto trimestre, a Minerva está confiante de que será capaz de manter a taxa de alavancagem abaixo do limite de 2,5x até o final do ano.

Como resultado, dividendos intermediários adicionais de R$ 200 milhões serão pagos em novembro, resultando em um yield de 3,5%.

Execução de Minerva no seu melhor

Os resultados atestam a assertividade da mentalidade orientada para vendas e distribuição de produção diversificada da Minerva.

A alavancagem permanece em níveis confortáveis, os dividendos estão aparecendo e a pressão nas margens causada pela oferta limitada de gado no Brasil está sendo compensada pelas exportações em expansão para a Ásia (principalmente China) e para as Américas.

O valuation parece pouco exigente com um potencial positivo para as estimativas de curto prazo e deve continuar a ser um piso para o preço das ações.

Dito isso, alguns dos ventos favoráveis do crescimento da receita dos 9M21 parecem menos óbvios no quarto trimestre, já que a expectativa é que a base de produção geograficamente diversificada da Minerva compensará apenas parcialmente a proibição persistente da China sobre as importações de carne bovina do Brasil, e o momentum das vendas eventualmente diminuirá.

A alocação de capital à medida que o crescimento for retomado também será fundamental para definir os dividendos no futuro.

Assim, o BTG permanece neutro para Minerva, com preço-teto de R$ 12.