BTG (BPAC11): Minerva (BEEF3) tem “trimestre impressionante”

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

O balanço do primeiro trimestre de 2021 de Minerva (BEEF3) foi “impressionante”, disse o BTG (BPAC11) em relatório divulgado nesta quarta-feira (05).

Segundo os analistas, “contra todas as probabilidades”, a empresa ficou 18% acima da projeção de EBITDA, que já era acima do consenso. “Liderada pelo forte desempenho de receita, a Minerva entregou um trimestre impressionante”, diz o BTG.

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O volume consolidado cresceu 14% a/a impulsionado exclusivamente pela Athena, que combinado com um câmbio favorável e preços mais altos levaram as vendas a expandir 39% a/a para R$ 5,8 bilhões (14% acima da projeção, explicado pelos volumes).

Os custos de gado no Brasil e na Argentina causaram uma erosão da margem bruta de 170bps a/a para 16,3% (30bps abaixo de nossa expectativa), mas a alavancagem operacional ainda permitiu que a margem EBITDA recorrente ficasse 30 bps acima da estimativa em 8,4% (-80bps a/a).

O EBITDA de R$ 485 milhões da Minerva foi 27% maior a/a e 18% acima do esperado.

Os ganhos financeiros com hedges de câmbio e uma menor taxa efetiva de imposto de renda permitiram que o lucro líquido atingisse bons R$ 259 milhões, enquanto o FCFE foi novamente positivo em R$ 80 milhões (ou R$ 309 milhões incluindo hedges), apesar de um maior capital de giro para financiar o crescimento.

O índice de alavancagem líquida ficou estável em 2,4x com aumento de 4% t/t na dívida líquida.

Receita foi o principal destaque da Minerva

Os volumes em Athena expandiram 38% a/a (+12% t/t) e explicam quase totalmente a surpresa positiva da receita. As vendas no Paraguai e no Uruguai, respectivamente, cresceram surpreendentes 35% e 62% a/a em dólares, superando a indústria por uma ampla margem.

“Mas o que é curioso é que a utilização da capacidade, de acordo com o relatório de resultados da Minerva, ainda caiu 0,6 p.p. a/a e 4,7p.p. t/t na divisão para 72,5%”, diz o BTG.

Este foi o primeiro trimestre em que a planta da Vijagual na Colômbia foi totalmente consolidada, mas supostamente agregou uma capacidade de abate de no máximo 700 cabeças/dia à Athena, ou um aumento de 5%, implicando que essa expansão de capacidade (incluindo a reabertura da planta na Argentina), na verdade, deve ter sido bem maior.

“Compreender a natureza e, mais importante, a recorrência desses resultados será a chave para impulsionar as estimativas, principalmente em um momento em que as margens devem permanecer sob pressão em algumas das principais geografias da Minerva”, afirmam os analistas.

Rating de compra, com estimativas sob revisão

O desempenho inferior da Minerva nos últimos 12 meses manteve os valuations em níveis pouco exigentes, apoiando, portanto, a recomendação de compra do BTG.

“Precisamos de maior convicção de que o desempenho da receita do 1T permanecerá para mitigar os riscos de resultados relacionados à difícil perspectiva de margem de curto prazo do setor”, afirmam os analistas.

A alocação de capital no futuro, com a Minerva buscando retomar o crescimento por meio de uma nova Joint Venture na China e uma possível nova incursão na Austrália, também é fundamental para definir como a alavancagem (e os dividendos) será no futuro.

A recomendação é de compra para o ativo até R$ 17.

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