BTG (BPAC11): mercado de aviação deve crescer nas próximas duas décadas

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
1

Crédito: Pixabay

A Embraer (EMBR3) revelou suas perspectivas de mercado para os próximos 20 anos para o segmento de aviação comercial durante o Dubai Air Show. O BTG Pactual (BPAC11) analisou os principais dados do setor.

O estudo identifica tendências que influenciam a demanda por viagens aéreas e a entregas de novos jatos e aeronaves turboélices (até 150 assentos) durante as próximas duas décadas.

Praticidade e precisão, saiba quais melhores investimentos e como melhorar rentabilidade de suas ações

A Embraer revisou suas perspectivas de mercado de longo prazo, projetando que o crescimento global (RPK – demanda) crescerá 3,3% anualmente até 2040, com o volume de RPK esperado para retornar aos níveis de 2019 apenas em 2024.

Novas tendências moldam a demanda futura

A Embraer menciona três tendências principais que moldam a demanda futura por viagens aéreas e aeronaves:

  • Meio ambiente, o que significa que as companhias aéreas irão consistentemente adquirir frotas com maior eficiência de combustível;
  • Digitalização, representada pelos avanços da tecnologia, incluindo trabalho em casa e videoconferência;
  • Regionalização, traduzindo-se em mudanças geográficas nos parques fabris para reduzir as interrupções na cadeia de abastecimento.

A Embraer acredita que de 15 a 20% das viagens de negócios serão substituídas por interações virtuais por meio de videoconferência.

Além disso, as companhias aéreas devem mudar suas estratégias de negócios, buscando passageiros mais lucrativos, o que cria pressões para redimensionamento da frota (e maior risco de alavancagem do balanço).

Crescimento mais forte na Ásia e América Latina

A perspectiva de mercado de 20 anos da Embraer prevê que a demanda global por novas aeronaves de até 150 assentos será de um total de 10.900 unidades (8.640 jatos e 2.260 turboélices), para um mercado endereçável estimado em US$ 650 bilhões.

Na demanda total de jatos, 42% apoiarão o crescimento do mercado e 58% substituirão as aeronaves antigas. Em termos de crescimento regional, a Ásia-Pacífico (incluindo a China) lidera com uma taxa de crescimento anual estimada de 4,2%, seguida pela América Latina América (4,2%), África (3,8%) e Oriente Médio (3,6%).

Espera-se que a América do Norte tenha o menor crescimento (2,0%), mas deve continuar a representar o maior mercado de todos, com um total de 2.710 jatos (31% de participação).

Negócio principal em recuperação

O panorama de mercado da Embraer aumenta visibilidade sobre a recuperação do mercado de aviação comercial durante o Covid-19.

A recuperação na demanda de jatos e um ambiente de preços mais benigno (competição mais amena com a Airbus) deve apoiar uma melhor performance do negócio principal da Embraer.

“Também estamos otimistas com a aviação executiva, cujas margens alcançaram novos patamares recentemente, favorecidas pela demanda resiliente. Por outro lado, vemos os investidores atualmente pagando quase zero pelo negócio de defesa da companhia”, diz o BTG.

No geral, o BTG continua a ser comprador da Embraer, pois a ação apresenta outras opções de valor interessantes como eVTOL, segurança cibernética e aeronaves turboélices. O preço-alvo é de R$ 26.