BTG (BPAC11): melhora marginal na China impulsiona Vale (VALE3)

Ana Silveira
Colaborador do Torcedores
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Relatório do banco BTG Pactual (BPAC11) aponta que o ambiente de curto prazo para o minério de ferro permanece arriscado. No entanto, o banco de investimentos vê que o posicionamento do mercado em Vale (VALE3) pode ser considerado “leve”. Diante desse cenário, o banco avalia que qualquer melhora marginal no sentimento em torno da China pode impulsionar a ação.

“Entendemos que o ambiente de curto prazo para o minério de ferro permanece arriscado, mas mantemos nossa recomendação de compra com base no valuation das ações a 3,5x EBITDA22 (esperando um dividend yield 2022 acima de 10%)”, informa trecho do relatório.

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No caso da conjuntura chinesa, o banco vê um cenário de “tempestade perfeita” com relação ao preço do minério de ferro. Com isso, vê um quadro atual ainda preocupante no país asiático. Isto porque a produção chinesa de aço bruto está caindo em níveis sem precedentes. Com isso, o banco avalia que embora a ação pareça vulnerável à fraqueza de curto prazo do minério de ferro, argumentar que já está precificando um ebitda abaixo do potencial de condições de “meio de ciclo”.

BTG (BPAC11): venda a descoberto com minério abaixo de US$ 70/t

De acordo com a avaliação do banco, para a Vale (VALE3) ser uma oportunidade de venda a descoberto em relação aos níveis atuais, os preços do minério de ferro precisariam ficar abaixo de US$ 70 por tonelada. O que significaria que a economia da China entraria em sérios problemas em 2022. A China é um dos principais mercados consumidores da Vale.

Além disso, os estoques de minério de ferro nos portos chineses estão se expandindo rapidamente. Pelos cálculos do banco estão caminhando para atingir 150 milhões de toneladas, um acréscimo de 17 milhões de toneladas nas últimas semanas. Outro potencial problema é o futuro do mercado imobiliário da China. Há uma série de incorporadores que não devem honrar o pagamento de títulos, de acordo com o BTG.

Redução de riscos sistêmicos

Porém, apesar dos riscos, a equipe de macro e estratégia do banco de investimentos aponta que a China mais uma vez conseguirá reduzir os riscos sistêmicos da economia. Com isso, poderá ter uma redução nas taxas de crescimento de seu Produto Interno Bruto (PIB), podendo chegar a 5% em 2022.

Sobre o preço do minério de ferro, atualmente está sendo precificado um preço de US$ 68-70/t. Porém, isto deve depender da normalização de custos à frente. As taxas de frete marítimo (Tubarão-Beilun) já estão em US$ 24,5/t (caindo perto de 50% das altas recentes em questão de dias).

Levando em conta a curva de minério de ferro, descontada em um modelo DCF, a análise sugere que o mercado está precificando o minério de ferro em US$ 63-65/t. O que implicaria em uma reversão dos preços abaixo dos custos marginais de produção permanentemente – considerados muito baixos, na avaliação do banco.

“Como afirmamos há algumas semanas, o mercado tem atribuído pouco valor aos modelos de fluxo de caixa (DCF) recentemente, dada a volatilidade sem precedentes, no entanto, ainda vemos mérito em usar esta ferramenta como mais uma verificação de cenário”, informa outro trecho do documento.