BTG (BPAC11): margens surpreendem em Hidrovias do Brasil (HBSA3)

Matheus Gagliano
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Hidrovias do Brasil

O relatório do banco BTG Pactual (BPAC11) mostra que o terceiro trimestre (3TRI21) da Hidrovias do Brasil (HBSA3) não tiveram surpresas quanto à receita líquida. Apesar do resultado adverso do balanço, as margens foram o destaque positivo do período.

De acordo com o documento, a receita operacional líquida consolidada caiu 7%, chegando a R$ 339 milhões. Este ficou em linha com o projetado pelo banco. O ebitda foi de R$ 102 milhões, tendo uma queda de 24% com relação ao ano anterior.

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Incluindo a contabilidade de hedge (R$ 73 milhões) e equivalência patrimonial (R$ 200 mil) mas excluindo impactos não recorrentes (R$ 1 milhão), o ebitda ajustado foi de R$ 180 milhões. Este resultado ficou 11% abaixo do registrado no 3TRI20. Porém, ficou 12% acima da projeção do banco. Isto resultou em uma margem de 53%, sendo maior do que projeção de 48%.

BTG (BPAC11): variação cambial negativa

O documento do banco informou ainda que a variação cambial negativa de R$ 39 milhões impactou o resultado financeiro da companhia. Com isso, a empresa registrou uma perda líquida de R$ 66 milhões, ante um prejuízo de R$ 9 milhões no ano passado. Ainda assim, ficou abaixo da estimativa do banco, que era de R$ 39 milhões em perdas.

Enquanto isso, os volumes transportados consolidados caíram 24%, sendo 7% acima da projeção do banco. Isto ocorreu devido ao menor volume no corredor Norte, que caiu 40%, em linha com a projeção. A navegação costeira também caiu: 21%, ainda em linha com o banco.

Pelo lado positivo, o corredor Sul foi impactado positivamente pela solicitação de volumes máximos pela Vale (VALE3). Isto porque o minério de ferro subiu 158% de um ano para o outro. O que compensou os volumes menores de grãos e fertilizantes, impactado pela seca.

Vendas operacionais líquidas

Em termos financeiros, as vendas operacionais líquidas do Corredor Norte foram de R$ 162 milhões. Este item foi ajudado por um reajuste tarifário real, enquanto o ebitda ajustado foi de R$ 104 milhões, sendo 12% acima das estimativas.

As vendas operacionais líquidas do corredor sul foram de R$ 118 milhões e o ebitda ajustado foi de R$ 65 milhões.

O BTG lembra que, como já era esperado, as operações de sal no Porto de Santos não aconteceram neste trimestre.

Por fim, as vendas operacionais da navegação de cabotagem foram de R$ 58 milhões e o ebitda ajustado foi de R$ 33 milhões. Para o próximo ano, a empresa está trabalhando em várias frentes caso as condições climáticas continuem adversas, como a utilização de boias no píer de carregamento de minério de ferro; e operação de transbordo na região de Assunção.

Alavancagem permanece sólida no longo prazo

O relatório avaliou ainda que a alavancagem atingiu 5,6x no trimestre. É considerado fraco para o período de curto prazo, mas longo prazo permanece sólido. Essa alavancagem, que antes era de 4,8x, aumento por causa do ebitda menor.

A posição de caixa da Hidrovias caiu para R$ 398 milhões (contra R$ 547 milhões no último trimestre). Essa queda foi explicada principalmente pela recompra de US$ 425 milhões em títulos com vencimento em 2025, que estendeu o vencimento da dívida de quatro para dez anos.

“Apesar do fraco momento de curto prazo, reconhecemos que o valuation atual da Hidrovias do Brasil já precifica esse cenário desafiador à frente, enquanto os fundamentos de longo prazo permanecem intactos (para os volumes e EBITDA). No entanto, esperamos que a ação permaneça pressionado até que haja melhor visibilidade de crescimento no curto prazo. Conforme a empresa apresente o crescimento esperado, as ações devem ser reavaliadas pelo mercado”, informa trecho do relatório do BTG.

O investimento do terceiro trimestre foi de R$ 123 milhões (abaixo dos R$ 610 milhões do último trimestre), dos quais R$ 99 milhões feitos para expansão e R$ 24 milhões para manutenção.