BTG (BPAC11): Marfrig (MRFG3) confirma estimativas otimistas no 2TRI21

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Marfrig (MRFG3): resultado operacional forte e manutenção de recomendação e compra

A Marfrig (MRFG3) confirmou as estimativas otimistas dos analistas no balanço do 2TRI21 com “resultados estelares” da carne bovina dos EUA.

A companhia reportou um 2T21 excelente, diz o BTG, com um EBITDA de R$ 3,8 bilhões em linha com as estimativas, uma ligeira queda de 3% a/a devido à base comparativa mais difícil e uma margem consolidada de 18,6% (+ 220bps a/a).

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O segundo trimestre sazonalmente mais forte para a divisão de carne bovina dos Estados Unidos foi ainda mais forte com um EBIT de US$ 683 milhões, uma margem de EBIT recorde de 23,2% devido aos fortes volumes de produção (+ 12% a/a, na posterior liquidação do rebanho pelos fazendeiros) e demanda de carne bovina sem precedentes.

Na América do Sul, os resultados da Marfrig foram fracos, conforme esperado, com um EBIT negativo de R$ 11 milhões, impulsionado por spreads apertados no Brasil, que foram apenas parcialmente compensados pelo sólido desempenho do Uruguai.

O lucro de R$ 1,7 bilhão ficou abaixo das estimativas devido ao maior reconhecimento de imposto de renda.

A geração de FCF totalizou R$ 1,8 bilhão (rendimento de 13% em um único trimestre, apesar do consumo de capital de giro), ajudada pelo fato de que os bônus acumulados (estimados em R$ 527 milhões) não serão pagos até o início de 2022.

O índice de alavancagem atingiu um recorde histórico baixo de 1,6x.

Colocando o fluxo de caixa para funcionar

Este é o primeiro trimestre reportado desde que a Marfrig adquiriu uma participação relevante na BRF como parte do uso de sua forte geração de fluxo de caixa.

A participação foi registrada como um título negociável e não afeta a alavancagem, embora a marcação a mercado desta participação adicionará alguma volatilidade aos resultados financeiros (+ R$ 228 milhões no 2TRI).

Ainda, a Marfrig também anunciou um dividendo intermediário de R$ 958 milhões (índice de payout de ~50% sobre o lucro do 1S21), representando um rendimento de 7%.

“Gostaríamos muito de saber se a Marfrig conseguiu evoluir sua política de dividendos para algo mais recorrente que permitisse aos investidores persegui-la ao longo do tempo. Além disso, foi anunciado um programa de recompra de ações de até 26 milhões de ações (3,8% das ações em circulação), somando o que pelo menos parece ser um ciclo mais disciplinado de alocação de capital em comparação com os ciclos anteriores”, dizem os analistas.

O momento não poderia ficar melhor para a Marfrig

Na recente revisão do setor, o BTG destacou como a Marfrig parecia preparada para desfrutar de um forte momentum de curto prazo com base nas fortes margens da carne bovina dos Estados Unidos, o que poderia sustentar o preço mais alto das ações por um pouco mais de tempo.

“Agora vemos algum potencial risco de alta para os lucros de curto prazo, mas ainda temos dificuldade para mais potencial de valorização do que o nosso preço-alvo de R$ 21/ação implica, com base em fluxos de caixa normalizados de médio prazo. Permanecemos Neutros, pois os múltiplos parecem menos atraentes com base em spreads normalizados”, diz o BTG.

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