BTG (BPAC11): aquisição da Map pela Gol (GOLL4) mostra otimismo pós-pandemia

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Wikimedia

O anúncio de que a Gol (GOLL4) adquiriu a MAP Transportes Aéreos por R$ 28 milhões em dinheiro e ações aponta para o otimismo do na retomada pós-pandemia, segundo o BTG Pactual (BPAC11).

A MAP é uma companhia aérea brasileira com uma rede focada em destinos regionais e o Aeroporto de Congonhas de São Paulo.

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O pagamento ocorrerá em fechamento do negócio e compreenderá 100 mil ações da GOLL4 a R$ 28/sh (3% de ágio) e R$ 25 milhões em dinheiro a serem pagos em 24 parcelas mensais.

A Gol também assumirá até R$ 100 milhões em dívidas do MAP. O fechamento do negócio ainda está sujeito a certas condições precedentes, incluindo a aprovação pelo Cade e Anac.

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Apesar de ser uma pequena aquisição (o valor patrimonial de R$ 28 milhões do MAP é 0,3% do valor de mercado da Gol, enquanto o valor da dívida assumida de R$ 100 milhões é 0,7% do valor da dívida líquida da Gol no primeiro trimestre de R $ 14,8 bilhões), a compra não era totalmente esperada pelos investidores.

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“Isso é também alinhado com a tendência de consolidação esperada para a indústria aérea conforme as companhias aéreas começam a vislumbrar o fim da pandemia agora que a vacinação está funcionando perfeitamente”, diz o BTG em relatório.

A Gol já se expandiu de forma inorgânica no passado ao adquirir a Varig em 2007 e a Webjet em 2011.

Para os analistas, o negócio amplia a rede da Gol e aumenta sua exposição ao mercado regional de aviação, que deve superar os mercados maduros, ao mesmo tempo que mostra sua confiança na recuperação do tráfego e sua disposição para capturar o crescimento do mercado no contexto pós-pandêmico.

A oferta melhora o posicionamento da Gol no hub principal (CGH)

O principal benefício da Gol com o negócio é o aumento de 10% nos slots no CGH, adicionando 26 por dia voos para sua operação no hub de companhias aéreas mais movimentadas e lucrativas do Brasil (ferozmente disputado em ambiente pré-crise).

A empresa disse que manterá sua frota única estratégia (chave para a proposta de valor de baixo custo da Gol), e poderia ganhar flexibilidade adicional adicionando novos tipos de aeronaves para atender aos mercados regionais do MAP, como o Sul, Sudeste e Amazônia (a Gol não tem obrigações futuras em relação à frota da MAP, então devemos ver uma transição para os modelos Boeing).

Além de novos slots e aeronaves, a aquisição da MAP traz, segundo o BTG:

Expansão da rota, adicionando novos destinos à sua rede, especialmente do Aeroporto CGH, o principal centro operacional da Gol;

Maior densidade de assentos em mercados mal atendidos, substituindo a frota do MAP por aeronaves regionais da Gol (Boeing 737-700s);

Mais eficiência, principalmente por meio de alocação disciplinada de capacidade no CGH e por meio de uma rede expandida atendida com uma frota de aeronaves padronizada.

Assim, o BTG mantém a recomendação de compra da Gol, no preço-teto de R$ 31.

Eleven mantém neutralidade

Já a Eleven viu a compra como “uma sinalização sobre seu posicionamento como consolidadora do setor, diminuindo as possibilidades de uma fusão com a Azul.

“Considerando que os papéis da companhia negociam a um múltiplo EV/EBITDA 2022E de 5,7x com reduzido desconto frente ao histórico de 6,5x (valor que consideramos insuficiente diante dos riscos do setor) e sua elevada alavancagem financeira com comprometimento relevante do EBITDA nos próximos anos para o pagamento de aeronaves, optamos por manter nossa recomendação neutra para GOLL4”, dizem os analistas da Eleven.

Sobre a MAP

A MAP foi fundada em 2011 e é a 5ª companhia aérea do Brasil. Opera rotas na região amazônica do Aeroporto de Manaus, que é o seu principal foco, e no Sul do Brasil e Sudeste via Congonhas (CGH), maior aeroporto do país.

Em 2019 foi adquirida pela Passaredo, que tinha como foco explorar o mercado regional no Sul e Sudeste via Congonhas.

Após a distribuição dos slots da Avianca em 2019, as duas empresas começaram a operar 26 voos diários de CGH.

Após a aquisição, Passaredo passou por um processo de rebranding e mudou seu nome para Voepass, enquanto a MAP manteve sua marca.

Voepass tem acordos operacionais com a Gol, onde as empresas compartilham parte de sua rede e com a Latam.

A MAP compreende o grupo de pequenas companhias aéreas regionais do país, formado por players como Passaredo, Sideral, TwoFlex e Asta, representando participação de mercado de 0,2% da companhia aérea brasileira indústria em abril, segundo a ANAC.

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