BTG (BPAC11): M Dias Branco (MDIA3) tem resultados fracos no 2TRI21

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
1

Crédito: Divulgação/ Fábrica de Fortaleza da M. Dias Branco

A M Dias Branco (MDIA3) apresentou resultados fracos no segundo trimestre de 2021 (2TRI21) segundo análise do BTG Pactual (BPAC11).

Os resultados de M Dias Branco costumavam ser estáveis ​​e previsíveis. Mas, por alguns anos, em um processo que foi intensificado pela pandemia, bem como uma nova estratégia comercial, eles se tornaram mais complicados do que nunca.

Desta vez, a M Dias Branco conseguiu vencer as estimativas do BTG de um EBITDA ajustado de R$ 154 milhões, 10% acima da nossa expectativa, mas ainda 29% mais baixo a/a, em uma margem de 7,8% que estava 40bps acima da projeção, 380bps menor a/a, e menos da metade da média histórica.

“Mas a volatilidade trimestral permanece tão alta que não ficamos surpresos que nossas estimativas não pudessem se aproximar dos números reais”, diz o BTG.

Em outros números, os ganhos foram muito mais fortes em R$ 142 milhões em ganhos pontuais e uma reversão significativa do imposto de renda.

A alavancagem líquida ficou em 1,1x LTM EBITDA com a geração de caixa permanecendo sólida, o que também suporta o programa de recompra recém-anunciado.

Participação de mercado despencou

Um melhor mix de produtos se traduziu em preços 5% t/t mais altos, mas o desempenho de preços ficou um pouco fraco dessa vez para biscoitos e massas, que avançaram 0,1% e 0,7% t/t, enquanto a farinha e o farelo diminuíram 3% t/t apesar dos custos mais altos.

No balanço, a M Dias Branco mostra preços crescendo ~ 7% m/m em junho, seja refletindo um mix melhor ou outro aumento de preços, então a precificação tardia pode explicar a margem bruta pior do que o esperado.

O principal responsável pela queda do EBITDA foi a queda nas vendas de R$ 17 milhões a/a, com despesas relacionadas a salários e benefícios (-110bps a/a como % das vendas) que ainda não são vistos como sustentáveis.

Os volumes caíram 16% a/a em composições difíceis, mas ainda estavam 3% abaixo do 2T18, apesar da Piraquê não estar totalmente consolidada até então, o que combinado com o fraco desempenho do primeiro trimestre reduziu a participação de mercado de biscoitos e massas em 2.6p.p. e 3,6p.p. a/a.

O progresso mensal sugere que as margens vão melhorar

A margem bruta atingiu o mínimo em abril em 25,3% e melhorou sequencialmente até atingir 29,7% em junho, sugerindo que as margens podem finalmente melhorar à frente. Mas isso não é exatamente inesperado ou bom demais, diz o BTG.

A margem bruta de 27,8% do segundo trimestre não só permanece fraca, como continua a implicar que os preços teriam que acelerar ainda mais para que as margens voltassem a níveis mais próximos dos históricos, especialmente à medida que as pressões de custo perduram.

A questão é quanto mais os preços podem absorver a demanda, e quanto mais escala a M Dias Branco acabaria perdendo agora que a elasticidade-preço da demanda parece maior do que nunca.

Várias das iniciativas comerciais permanecem controversas para o BTG, o que torna difícil apostar em um preço mais equilibrado x trade-off de participação de mercado.

Distribuidores continuaram a superar outros canais, mas não só os volumes consolidados continuam fracos como a região Sudeste (reduto do Piraquê) teve desempenho inferior às demais áreas.

Estimativas ajustadas para M Dias Branco

O BTG está incorporando os resultados do segundo trimestre nos números analisados e aumentando a estimativa do EBITDA de 2021 em 4% para R$ 715 milhões, refletindo basicamente o 2T mais forte e a espera de que os SG&A mais baixos permanecerão no lugar.

Os números de 2022 caíram impulsionados por valores brutos persistentes e a pressão de margem, enquanto o novo preço teto de R$ 30 por ação não oferece nenhum valor real dos atuais níveis.

“Vemos a negociação de ações com um prêmio de 12% em relação ao histórico com base no P/E 22, que combinou com resultados mistos de sua nova estratégia comercial e menor visibilidade nas margens de longo prazo, o que nos deixa mais cautelosos do que nunca com relação às ações”, diz o BTG. A recomendação é de neutralidade.