BTG (BPAC11): Light (LIGT3) tem “resultados terríveis” no 1TRI21

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
1

Crédito: Divulgação

O BTG (BPAC11) considerou que os resultados do balanço do primeiro trimestre de 2021 da Light (LIGT3) foram “terríveis”.

Segundo os analistas, a Light relatou resultados no trimestre muito ruins. O EBITDA ajustado (ex-VNR) foi de R$ 319 milhões, 15% abaixo da previsão e com diminuição de 23% a/a.

Simule seus investimentos com um especialista e confira as melhores opções de acordo com seu perfil

Os resultados foram impactados pelos resultados muito negativos em seu braço de distribuição, ligeiramente compensado por resultados mais fortes na geração devido à alocação de energia acima do esperado no primeiro trimestre.

Além disso, despesas financeiras vieram acima do esperado devido ao MtM da dívida em dólares da Light e ao impacto da inflação do IGP-M no passivo do GSF.

Como resultado, a Light apresentou um prejuízo líquido de R$ 42 milhões (vs a estimativa do BTG de lucro líquido de R$ 112 milhões).

Perdas de energia em níveis preocupantes

Os resultados na distribuição foram terríveis, diz o BTG, começando com os volumes faturados que caíram 1,7% a/a (vs. BTG -1,0%), com um aumento de 6,3% a/a no segmento residencial, mas com consumo comercial caindo 5,7% a/a.

O destaque negativo veio das perdas de energia. As perdas totais (ex-REN) atingiram 28,2%, 138bps acima do 4º trimestre e do nível mais alto dos últimos quatro anos.

A empresa atribui o aumento nas perdas de energia a temperaturas mais altas, receitas não faturadas e avaliação de clientes que foram desconectados.

A Light mencionou um caso isolado devido a um cliente mover seu conexão à rede básica, que teve impacto de 62 bps nas perdas. Quando ajustando esse impacto, as perdas de energia (ex-REN) seriam de 27,6%.

A Light também incorporou parte das chamadas áreas de maior risco ao conjunto de áreas “boas”, como estas regiões vêm melhorando e a Light agora acredita que pode começar a agir mais assertivamente.

Em uma nota positiva, as despesas com PMSO mal mudaram em relação ao comparativo a/a.

Geração tem números maiores

O segmento de geração entregou EBITDA de R$ 190 milhões, um avanço de 21% em relação à estimativa do BTG (R$ 157 milhões) e um aumento de 37% a/a devido à alocação da estratégia de energia da Light, com maiores volumes alocados no primeiro trimestre que resultaram em menores compras de energia (-83% a/a).

Pelo menos uma mensagem positiva do regulador

O BTG continua cauteloso no caso de investimento da Light.

“Ontem, porém, a Aneel sediou um encontro com investidores onde sentimos que houve uma leitura positiva da Light”, diz o BTG.

Os diretores da Aneel elogiaram a qualidade da gestão da Light e, apesar de reforçarem sua visão de que “as perdas de energia devem ser combatidas no campo e não nos corredores da agência reguladora ”, reconhecendo que o regulador também precisa ser razoável, uma vez que algumas concessões são de fato mais complexas e às vezes requerem uma abordagem diferente.

Por fim, a recomendação é de compra até R$ 22.

Cases da Bolsa

Aprenda análise fundamentalista de ações na prática, com maiores cases já criados na B3