BTG (BPAC11): Klabin (KLBN11) tem 1TRI21 dentro da expectativa, mas abaixo do potencial

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Foto: Royalty da klabin desafia BNDESPar

Os resultados do balanço do primeiro trimestre de 2021 da Klabin (KLBN11) foram dentro da expectativa, mas abaixo do potencial para o ano, diz o BTG Pactual (BPAC11) em relatório nesta terça-feira (11).

“A Klabin apresentou um conjunto decente de resultados, atendendo às expectativas de consenso”, afirmam os analistas.

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O EBITDA foi de R$ 1,25 bilhão, 13% t/t e + 22% a/a, ficando 4% abaixo do projetado.

O principal fator para a variação veio de preços realizados de celulose mais baixos (5% abaixo da estimativa), que deverão melhorar significativamente no futuro.

“Assim, o trimestre claramente não está refletindo todo o potencial operacional da empresa, que deve melhorar em todas as linhas de produtos nos próximos meses”, pontuam os analistas.

O FCF foi afetado por uma saída de capital de giro considerável no trimestre (negativo, incluindo capex de crescimento), e o BTG espera que a alavancagem acelere a tendência de queda à frente (atualmente acima de 4x).

Os resultados não devem ser os catalisadores que os investidores esperavam, mas o BTG mantém o viés positivo sobre o nome.

Números impactados pelo tempo de inatividade de Monte Alegre

As vendas de papel (cartão revestido + kraftliner) saíram em 256 mil toneladas (+ 4% vs. projeção do BTG), -7% menor a/a, explicado pela parada para manutenção em Monte Alegre.

As vendas de kraftliner ficaram amplamente estáveis (-2% a/a), enquanto os cartões revestidos retraíram -10% a/a (exportações caíram -42% a/a).

A receita líquida da unidade de papel por tonelada aumentou 3% t/t, e foi 13% maior a/a (preços de commodities mais altos + real desvalorizado).

Na unidade de embalagens, os volumes chegaram a 280 mil toneladas (em linha com as estimativas), + 12% maior a/a (vs. ABPO em + 9% a/a) excluindo as vendas da unidade IP recentemente adquirida (~ 64 mil toneladas).

“A receita líquida/tonelada nos surpreendeu positivamente, aumentando 8% t/t (+ 9% vs. de expectativa do BTG), e agora está + 11% maior a/a (incluindo efeito de mix inferior da aquisição IP)”, afirmam os analistas.

Números operacionais de celulose: expectativa melhor à frente

As vendas de celulose (fibra curta + fibra longa + Fluff) chegaram a 373 mil toneladas (em linha com o esperado), -3% a/a, mas 1% maior t/t.

Os preços realizados da celulose subiram ~ 20% t/t, mas ficaram abaixo do esperado (-5% vs. projeção do BTG), com média de US$ 585/t (fibra curta + fibra longa) – olhando para o passado, já que os preços já atingiram US$ 780/t.

O custo caixa da celulose ficou em R$ 776/t (-2% vs. expectativa do BTG), que é 3% maior t/t (excluindo os efeitos de parada), 12% maior a/a, explicado pelos maiores custos de produtos químicos e combustíveis, juntamente com a depreciação do real.

FCF de Klabin ainda abaixo do potencial

A Klabin registrou geração negativa de R$ 280 milhões de FCF no trimestre, marcada por elevados números de capex (Puma II) e alto consumo de capital de giro.

Excluindo o capex de expansão, a empresa teria gerado cerca de R$ 300 milhões de FCF no trimestre, com yield de ~4% anualizado, que ainda consideramos abaixo do potencial.

A dívida líquida subiu para R$ 21,7 bilhões, aumentando ~R$ 2 bilhões t/t, explicada pela geração negativa de FCF e variação cambial sobre a dívida em dólar.

A alavancagem foi maior em 4,4x dívida líquida/EBITDA (de 4,2x anteriormente).

“Esperamos que este seja o último trimestre de crescentes números de alavancagem da empresa (apesar dos contínuos investimentos no Puma II), e esperamos que a Klabin atinja cerca de 2,5x no final do ano.

Rating de compra para Klabin

“Continuamos vendo a Klabin como uma soma das partes. Nos últimos anos, a empresa foi prejudicada por seu investimento no Puma II, com alto capex de crescimento e investidores atribuindo pouco (ou negativo) valor ao projeto”, diz o BTG.

Os analistas ressaltam que a recente alta fez com que as ações começassem a precificar um crescimento, mas ainda vemos valor oculto no Puma I e II.

“Continuamos gostando do modelo de negócios (principalmente a flexibilidade, exposição ao dólar e defensividade), pois vemos sinergias relevantes entre as operações e acreditamos que a empresa deve continuar a entregar sua história de crescimento pela frente”.

Assim, o BTG reitera a compra para Klabin, pois ainda vê potencial de valorização baseado em DCF, apesar de múltiplos relativamente justos (negociando a 7,2x EV/EBITDA de 2021).

Recomendação de compra até R$ 38.

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