BTG (BPAC11): JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3) devem se destacar novamente no 2TRI21

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Site Brasil Agro

Em análise sobre as projeções de resultados para o setor alimentício, o BTG Pactual (BPAC11) prevê que JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3) devem se destacar novamente no segundo trimestre de 2021.

A exposição no exterior deve continuar a ser favorecida na temporada de resultados do segundo trimestre do setor de alimentos, dizem os analistas.  As operações nos Estados Unidos devem continuar a impulsionar JBS e a Marfrig, onde uma demanda crescente deve levar a resultados recordes (ou próximos a isso).

“O momento positivo também pode impactar no próximo trimestre, mesmo que mais margens normalizadas ainda sejam esperadas para o final do ano em diante. A JBS continua sendo nossa Top Pick e o único nome com rating de compra”, diz o BTG.

Já a Minerva (BEEF3) deve registrar um trimestre bem parecido com o anterior, com Brasil e Argentina dificultando uma apresentação mais forte.

Para a BRF (BRFS3), os custos mais altos de ração e matéria-prima devem continuar a reduzir as margens consolidadas, mas uma recuperação mais acentuada em Halal e um desempenho ainda forte da receita devem compensar parcialmente isso.

Os resultados da MDias (MDIA3) devem melhorar sequencialmente, mas o BTG continua esperando que sejam os mais fracos no setor.

Veja abaixo um resumo das expectativas do BTG para cada ação.

M Dias Branco (MDIA3): melhor sequencialmente, mas ainda fraco no geral

A M Dias Branco divulgará seus resultados em 6 de agosto.

Os dados devem ser sequencialmente melhores após dois trimestres de margens historicamente baixas, mas ainda esperamos um desempenho geral fraco.

Os volumes devem seguir tendências semelhantes a partir de março, levando a um declínio consolidado de 20% a/a (-15% a/a para biscoitos e -27% a/a para massas) sustentado por menor transferência de participação de mercado, demanda doméstica mais fraca e mais comps da pandemia.

A receita líquida deve ficar estável a/a em R$ 1,9 bilhão.

“Esperamos que o preço médio melhore 5% t/t principalmente impulsionado por um melhor mix de produtos, que combinado com algum grau de alavancagem operacional e preços de commodities mais estáveis (embora ainda altos) devem permitir uma expansão da margem bruta de 280bps t/t para 29,7%, embora ainda 320bps menor a/a”.

O BTG modela um EBITDA recorrente de R$ 140 milhões (-36% a/a) com margem de 7,4% (-420 bps a/a) e lucro de R$ 77 milhões (-46% a/a).

As pressões sobre os custos das commodities permanecem altas, mas agora parecem mais acomodadas, o que pode dar espaço para que as margens continuem se recuperando no futuro.

“Ainda assim, acreditamos que a proposta de valor só começa a fazer sentido se reconquistarmos a confiança de que as margens próximas a 10%-13%, conforme embutidas em nossas projeções de longo prazo, se provem mais uma vez viáveis, o que provavelmente dependeria de apresentações de receita mais fortes e consistentes. Continuamos cautelosos”, diz o BTG.

Minerva (BEEF3): pressão da margem permanece

A Minerva divulgará seu resultado em 9 de agosto, e o BTG espera que o trimestre siga tendências muito semelhantes ao anterior.

No Brasil, o ciclo negativo da pecuária e a demanda doméstica mais fraca devem continuar se traduzindo em volumes e margens menores, mesmo que a demanda externa por carne bovina permaneça sólida.

Na Athena, o Paraguai deve mais uma vez ser o principal destaque e ajudar a compensar números mais difíceis na Argentina, impactada por restrições às exportações impostas pelo governo e uma virada de ciclo, enquanto o Uruguai deve continuar com um bom momentum.

Tudo considerado, o BTG modela receitas de R$5,9 bilhões (+ 34% a/a, impulsionado por melhores preços e uma base comparativa mais fácil de volume) e EBITDA de R$ 502 milhões (-15% a/a) na margem de 8,5% (-490 bps a/a; + 20 bps t/t).

“O múltiplo continua a parecer pouco exigente, mas os gatilhos para uma reclassificação ainda parecem limitados com base em uma dinâmica de ganhos mais fraca em um setor historicamente pró-cíclico”, dizem os analistas.

Marfrig (MRFG3): expectativa de mais um trimestre estelar

A Marfrig divulgará seu resultado em 10 de agosto.

O BTG espera que a empresa entregue mais um trimestre notável, mais uma vez impulsionado pelo forte momento da carne bovina nos Estados Unidos.

Os spreads médios no país ficaram 46% acima do histórico durante o trimestre e o segundo maior já registrado, não só por causa de um pico de ciclo, mas, principalmente, por causa de uma demanda forte com a reabertura rápida, subsídios governamentais e sazonalidade favorável.

Com a indústria de carne bovina operando perto de sua capacidade total, o BTG também espera que a National Beef entregue uma expansão de receita sólida de 17% a/a.

Isso deve ajudar a impulsionar um EBIT recorde na divisão de R$ 3,4 bilhões (+ 5% a/a) com margem de 20,5% (-230 bps a/a).

Na América do Sul, as margens devem permanecer pressionadas devido ao Brasil e a Argentina – espera-se um EBIT de -R$ 25 milhões, com margem de -0,5% (-70 bps t/t) – mas não o suficiente para compensar um trimestre geral muito forte.

Em resumo, o BTG modela receitas consolidadas de R$ 21,9 bilhões (+ 16% a/a) e EBITDA de R$ 3,7 bilhões (-6% a/a, devido a uma base comparativa mais difícil) com margem de 16,9% (-390 bps a/a).

“Os spreads nos EUA permanecem sólidos, o que significa que o momentum dos lucros de curto prazo deve perdurar, mas nossa crença de que as margens começarão a se normalizar a partir do final do ano, à medida que os ventos cíclicos e conjunturais diminuem, justifica nosso neutro”, afirma o BTG.

JBS (JBSS3): expectativa de um trimestre recorde

A JBS divulgará seu resultado em 11 de agosto.

O BTG está modelando um trimestre recorde com receita de R$ 83,4 bilhões (+ 23% a/a) e EBITDA de R$ 11,3 bilhões (+ 6% a/a, apesar de uma base comparativa mais difícil) com margem de 13,5% (-220 bps a/a).

As operações nos Estados Unidos devem apresentar resultados sólidos, com a forte demanda elevando os preços das proteínas e compensando as pressões de custo em PPC e carne suína, enquanto a carne bovina nos Estados Unidos deve continuar sendo o principal destaque do trimestre.

O BTG espera que o EBITDA da JBS USA expanda 18% a/a, e explique todo o crescimento a/a em números consolidados.

A Seara deve sofrer os impactos dos preços mais altos dos grãos e uma demanda doméstica mais fraca, fazendo com que a margem EBITDA caia para um dígito alto, enquanto a carne bovina do Brasil deve melhorar sequencialmente, mas ainda entregar uma margem EBITDA de meio dígito fraco por conta do ciclo negativo.

Os analistas afirmam ainda que o sólido momentum dos EUA deve se prolongar pelo menos por mais um trimestre, o que deve colocar a JBS no caminho certo para entregar outro ano recorde.

“Embora continuemos esperando que o momentum de lucros enfraqueça a partir do final do ano e vejamos os riscos da JBS e das ambições de crescimento renovadas do setor, o desconto de 19% da JBS para o histórico, com base no EV/EBITDA 2022, não é merecido por um empresa mais focada e desalavancada. Temos um rating de compra”, diz o BTG.

BRF (BRFS3): margens em tendência de queda

A BRF divulgará seu resultado em 12 de agosto.

O BTG espera que a empresa entregue um trimestre decente, embora mais ameno, com um sólido desempenho de receita compensado por pressões de margem.

Os analistas modelam para receitas consolidadas de R$ 11,6 bilhões (+ 27% a/a) e EBITDA de R$ 1,19 bilhão (+ 15% a/a) com margem de 10,3% (-110 bps a/a).

No Brasil, a expectativa é que os volumes cresçam 3% a/a (+ 2% a/a para FPP) e combinados com preços mais altos levem a um bom crescimento de vendas de 27% a/a.

O EBITDA na divisão, porém, deve crescer 4% a/a para R$ 564 milhões, já que as pressões de custo trazem a margem para baixo em 210 bps a/a para 9,6%.

A Ásia deve continuar a ser a unidade de negócios de melhor desempenho da BRF, mas a margem EBITDA deve continuar com tendência de queda (estamos modelando para 16%).

Halal deve ser a principal surpresa positiva, já que as margens se recuperaram para dois dígitos devido a uma reabertura mais forte e restrições de exportação para alguns dos principais concorrentes da BRF na Arábia Saudita, enquanto as exportações diretas também devem melhorar em cima de uma base comparativa mais fácil.

“No futuro, ainda vemos espaço limitado para uma recuperação substancial da margem por conta das pressões de custo persistentes, um cenário macro mais fraco no Brasil e uma oferta-demanda mais equilibrada na China, tudo o que poderia dificultar a trajetória de desalavancagem conforme as iniciativas de capex se acelerem”, afirma o BTG.