BTG (BPAC11): indicadores de receita da Azul (AZUL4) são animadores

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
1

Foto: Azul (AZUL4) e Latam anunciam acordo de codeshare

A equipe do BTG Pactual (BPAC11) visitou o centro de MRO (manutenção, reparo, revisão) da Azul (AZUL4) localizado em Campinas e teve a oportunidade de discutir as atualizações mais recentes com Abhi Manoj Shah (CRO), gestor responsável pelas receitas da companhia.

Os principais destaques foram:

Praticidade e precisão, saiba quais melhores investimentos e como melhorar rentabilidade de suas ações

  • O hangar foi inaugurado durante a crise da Covid e permite maior flexibilidade da frota, ajudando a reduzir os custos de manutenção (de 15 a 20% em redução de custos do novo hangar, de acordo com a administração);
  • Os planos da empresa de expandir o hangar nos próximos anos, preparando a companhia para realizar manutenções em todas as suas aeronaves Airbus;
  • Do lado da receita, os indicadores de demanda são animadores, com as tarifas domésticas ultrapassando os níveis de 2019 em 20% e o tráfego de negócios chegando a 65 a 70% dos níveis de 2019;
  • A Azul está confiante na evolução de sua divisão de carga, que deve dobrar de tamanho este ano (vs. 2019).

“No geral, continuamos a ver a Azul como uma empresa de reabertura econômica interessante impulsionado por uma recuperação rápida do tráfego doméstico. Apesar de alguns atrasos na campanha de vacinação no Brasil, os volumes devem continuar mostrando recuperação, enquanto a manutenção interna deve continuar trazendo economia de custos e mais flexibilidade para a companhia aérea”, afirmam os analistas do BTG.

Redução de custos já observada

O hangar do MOR (Manutenção, Reparo, Revisão) em Campinas foi inaugurado em março de 2020, com foco na manutenção de aeronaves Airbus, enquanto o hangar da Pampulha é dedicado a aeronaves Embraer E2 e aeronaves ATR.

O momento da inauguração foi significativo visto que: (i) funcionou como um estacionamento para aeronaves ociosas durante o pico do surto de Covid; (ii) as restrições internacionais impediam a manutenção de aeronaves realizada fora do Brasil; (iii) além de trazer maior flexibilidade, a manutenção interna também é mais barata (até agora a empresa economizou de 15 a 20% em custos de manutenção).

Com 35.000 m² de área construída, o hangar de Campinas tem capacidade para comportar até 8 A320 ou 2 A330 ao mesmo tempo.

O complexo emprega mais de 250 funcionários e funciona com 2 linhas de manutenção: uma responsável pelas verificações pesadas, que acontecem a cada dois anos em média, e a outro dedicado à instalação de serviços de wi-fique anteriormente eram realizados fora do Brasil.

A Azul planeja expandir o hangar nos próximos anos, permitindo a manutenção de todas as aeronaves Airbus.

Viagens corporativas já são 65 a 70% dos níveis de 2019

Os indicadores de demanda estão mais animadores, já que as tarifas domésticas ultrapassaram os níveis de 2019 em 20%, enquanto a empresa está operando com todas as suas aeronaves (com uma taxa de ocupação de 70 a 80%).

A Azul continua sendo a única operadora em mais de 80% das rotas que opera (vs. 70 a 75% no ano passado) e até o momento não percebeu nenhum impacto direto desde o início das operações do ITA, uma nova companhia aérea lançada durante a pandemia.

Olhando para o futuro, a gestão não prevê quaisquer impactos importantes da nova companhia aérea, dada a baixa sobreposição de suas malhas aéreas.

O tráfego corporativo está em 65 a 70% dos níveis de 2019 e a empresa espera que isso aumente à medida que a campanha de vacinação no Brasil avance (conforme os volumes corporativos continuam a progredir, espera-se que os rendimentos melhorem).

Em termos de mercados internacionais, Portugal recentemente está reaberta aos viajantes brasileiros e a Azul anunciou a retomada dos voos também para o Uruguai, com o início das vendas de passagens aéreas para Montevidéu e Punta del Este.

Apesar desses eventos, o tráfego internacional deve continuar apresentando uma curva de recuperação mais lenta do que as viagens domésticas.

Divisão de cargo deve dobrar de tamanho este ano

A Azul está confiante na evolução de sua divisão de carga, que deve dobrar de tamanho no final deste ano (vs. 2019).

O ganho de participação de mercado vem principalmente do transporte terrestre. Em termos de frota de cargueiros, a Azul opera atualmente 2 B737s, 3 E1s (que deverá aumentar ainda mais para 6) e 3 Cessna.

O objetivo é desenvolver novos mercados, especialmente no interior, onde a administração não vê grandes concorrentes.

Em relação ao seu acordo de codeshare com a United Airlines, a empresa sinalizou que o acordo expira em meados do ano que vem e o recente acordo da Gol com a American Airlines foi um evento positivo para o setor aéreo.

A Azul continua em busca de oportunidades de consolidação, que é visto pela gestão como um processo natural na indústria pós-Covid. Finalmente, em termos de balanço patrimonial, a companhia aérea está trabalhando na renegociação de suas obrigações de curto prazo (principalmente com fornecedores), visando R$ 3 bilhões em liquidez até o final deste ano.

Money Week 5ª Edição

5 Dias de Evento | 70 Autoridades do Mercado Financeiro | 20 Horas de Conteúdo