BTG (BPAC11): Hypera (HYPE3) é uma opção de crescimento em meio a perspectiva volátil

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Hypera

Os resultados do segundo trimestre de 2021 da Hypera (HYPE3) foram sólidos, embora dentro do esperado, segundo o BTG Pactual (BPAC11).

Para os analistas, a empresa é uma “opção de crescimento resiliente em meio a uma perspectiva volátil”.

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O BTG vê a Hypera pronta para atingir seu guidance anual: (i) R$ 5,9 bilhões em receita líquida (aumento de 44% a/a, beneficiado pela incorporação de Buscopan e Takeda), (ii) EBITDA de R$ 2 bilhões; e (iii) lucro líquido de R$ 1,55 bilhão.

Após os resultados do 2T21, o BTG aproveitou para atualizar os números sobre a empresa, resultando em um novo preço-alvo de R$ 45 para o final de 2022 (vs. R$ 42 anteriormente), mantendo a classificação de compra.

Enquanto a margem bruta de longo prazo deve ser estruturalmente inferior à média histórica da Hypera devido a um efeito mix (maior participação de genéricos e vendas OTC), as recentes aquisições de Buscopan e Buscofem, OTC da Takeda e portfólio de medicamentos prescritos, bem como 12 marcas da Sanofi, todos agregam valor ao modelo e permanecem o alicerce da postura positiva em relação ao nome.

Negociando a 13,4x P/L 2022E e 11,5x EV/EBITDA, a Hypera é uma opção, junto com varejistas de alimentos, para investidores que buscam exposição a mais resiliência no setor de consumo e varejo no curto prazo em meio a uma perspectiva mais volátil para ações de crescimento, diz o BTG.

Receita forte (embora esperada) da Hypera

Tal como no trimestre anterior, e conforme esperado, a Hypera apresentou um conjunto de resultados resilientes, com o sell-out crescendo 23%, 1,1 p.p. acima da média do mercado (vs. +11,5% no 1T e +14,6% no 4T20), impulsionado por um forte crescimento em genéricos, medicamentos crônicos e vitaminas.

A Hypera também se beneficiou da integração dos portfólios Takeda e Buscopan.

Como resultado, a receita líquida foi de R$ 1,5 bilhão, em linha com a projeção do BTG e aumentou 43% a/a (+ 10% a/a ex-vendas de Buscopan, Buscofem e Takeda).

A margem bruta atingiu 65,5%, queda de 20bps a/a (30bps acima da expectativa do BTG), impactada principalmente por pressões de custo de um real mais fraco vs. dólar, parcialmente compensado pelo aumento de preços de medicamentos no período e a contribuição (positiva) das carteiras Takeda e Buscopan.

Margem EBITDA impulsionada por sinergias de M&A

As despesas de marketing da Hypera foram de R$ 298 milhões (19,8% da receita líquida, aumento de 200 bps a/a), já que no ano passado houve menos visitas médicas e iniciativas promocionais, enquanto as despesas com vendas caíram 330 bps a/a (como % da receita líquida) e as despesas gerais e administrativas 100 bps  (para 3,9% da receita líquida), impulsionadas pelas sinergias da integração da Takeda e do Buscopan.

O EBITDA ajustado totalizou R$ 515 milhões, 50% a/a acima e 4% acima da projeção do BTG, com margem EBITDA ajustada de 34,1% (+ 160 bps a/a). O EBITDA do mesmo período do ano passado foi ajustado pelo reconhecimento do acordo de pagamento de R$ 110 milhões com seu principal acionista João Alves de Queiroz Filho Junior (conforme conclusão da auditoria interna em maio de 2020).

O lucro líquido das operações continuadas totalizou R$ 479 milhões (+ 20% a/a) apesar do maior endividamento (e despesas financeiras) para financiar a aquisição da Takeda (R$ 4,6 bilhões de dívida líquida vs. R$ 370 milhões de caixa líquido no 2T20).

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