BTG (BPAC11) faz análise sobre Azul (AZUL3), Embraer (EMBR3), Localiza (RENT3), Randon (RAPT4) e outras

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Reprodução / Azul

Na semana passada, a equipe do BTG Pactual (BPAC11) realizou mesas redondas virtuais com algumas das empresas sob cobertura do banco, incluindo: Aeris (AERI3), Armac (ARML3), Azul (AZUL3), CCR (CCRO3), Embraer (EMBR3), GPS (GGPS3), Hidrovias do Brasil (HBAS3), Iochpe-Maxion (MYPK3), Localiza (RENT3) e Randon (RAPT4).

Os principais destaques foram:

  • A indústria de veículos pesados continua a crescer, enquanto o segmento de veículos leves é mais impactado pelo escassez de semicondutores e o aumento dos custos das matérias-primas;
  • A indústria da aviação está em recuperação, impulsionada pela vacinação e a flexibilização das restrições de viagens em torno do Globo;
  • A crise hídrica no Brasil levou a safras mais fracas neste ano, dificultando a navegação ao longo do Corredor Sul. Olhando o longo prazo, também exigiu o aumento da necessidade de diversificar a geração de energia do Brasil em direção a uma matriz mais verde;
  • No pipeline de infra estrutura, os leilões são vastos e as empresas locais devem continuar a dominar os leilões;
  • As fusões e aquisições devem permanecer uma via de crescimento para empresas de terceirização de mão de obra, como o GPS.

Momento positivo para veículos pesados

A indústria de veículos pesados está superando o segmento de veículos leves durante a escassez de semicondutores, pois (i) os veículos pesados requerem diferentes semicondutores e chips, dado que não concorram com a indústria de eletrônicos como os veículos leves, e (ii) a lucratividade das montadoras de veículos pesados é historicamente mais alta, portanto, os volumes de componentes estão sendo alocados para caminhões em vez de veículos leves.

Para 2021, a empresa de consultoria automotiva IHS A Markit está prevendo um crescimento do mercado global de 20% a / a para veículos comerciais, principalmente impulsionado pela américa do norte (+ 20% a / a) e Brasil (+ 50% a / a), enquanto espera apenas 2% a / a de crescimento de veículos leves, com expectativa de crescimento do Brasil de 7 a 8%, enquanto outras regiões devem ser quase totalmente estáveis.

Por fim, a normalização da produção na indústria automotiva é apenas esperada para 2S22, quando a inflação de veículos novos deve começar a desacelerar.

Dentro da cobertura do BTG, Armac e Randon estão em um momento positivo pela sua exposição a caminhões, equipamentos e máquinas pesadas.

Recuperando a indústria da aviação; crise hídrica exige mudança na matriz energética

A indústria da aviação está se recuperando, impulsionada pela campanha de vacinação em todo o mundo, especialmente nos EUA, que já está operando em níveis pré-Covid.

Essa recuperação traz uma perspectiva favorável para Embraer e Azul, que devem se recuperar de forma constante ao longo dos próximos trimestres.

Enquanto isso, o cenário hidrológico desafiador do Brasil este ano reforçou a necessidade de renovação da matriz energética, que atualmente é excessivamente dependente da geração hídrica (~ 64% da matriz total).

Além disso, o clima mais seco manteve os níveis dos rios abaixo da média histórica, afetando a navegação, especialmente ao longo do trecho Norte da Hidrovia Paraná-Paraguai, onde a Hidrovias do Brasil opera, embora se espere que a situação volte ao normal no próximo ano.

Aeris: Perspectivas de demanda sólidas; planos de diversificação de receita a médio prazo

Destaques do encontro do BTG com a equipe de gestão da Aeris, representada por Bruno Viela (CEO) e Bruno Lolli (Planejamento e RI):

  • Perspectivas de demanda tanto nos mercados interno e externo são sólidos, principalmente impulsionados pela migração mundial em direção a fontes de energia mais limpas e a crise hídrica no Brasil reforça a necessidade de desenvolvimento de fontes renováveis de energia;
  • Após o anúncio da intenção de Biden de desenvolver o mercado offshore nos EUA, a empresa estuda um projeto de uma nova planta no país. Embora esteja previsto apenas para o médio a longo prazo (2024 em diante), após a assinatura de um contrato inicial de fornecimento. O projeto preliminar para a nova planta inclui duas linhas de produção, com uma capacidade de produção prevista de 1,5 GW. O investimento para construir a planta é estimado em US $ 100 a 120 milhões (considerando capital de giro e despesas e perdas pré-operacionais);
  • A empresa também está desenvolvendo novos projetos de materiais compostos, visando diversificar seu portfólio de produtos no longo prazo. O foco desses projetos são os setores relacionados à transição energética que demandam materiais compostos, como a indústria da mobilidade.

No geral, a reunião reforçou o posicionamento da empresa como uma companhia de energia limpa com retornos e margens crescentes, apoiado por vantagens econômicas claros (estrutura de baixo custo e produtos de alta qualidade).

Armac: a demanda por aluguel de máquinas está crescendo rapidamente; construindo uma plataforma única

Destaques da reunião com a gestão da Armac e equipe de RI, representada por Fernando Aragão (CEO), Pedro Lemos (CFO) e Gabriel Ferreira (RI):

  • A Armac está alavancando sua escala e programa de compra de ativos para compensar os atrasos em entregas de veículos novos e gargalos na cadeia produtiva, mantendo assim seu programa de crescimento;
  • A demanda por máquinas pesadas continua em expansão, impulsionada principalmente pela clientes dos setores de agronegócio, infraestrutura, papel e celulose e mineração. A Armac ainda tem uma presença tímida em Papel & Celulose, mas a companhia visa fortalecer gradualmente sua posição no setor com o desempenho surpreendentemente bom da indústria extrativa;
  • A relevância das máquinas usadas na frota da Armac está crescendo conforme planejado, uma estratégia para maximizar os retornos e diminuir a exposição à interrupção nas linhas de produção (durante a teleconferência da empresa no segundo trimestre, a administração mencionou sua meta de aumentar a proporção de máquinas usadas em sua frota para 10 a 20%, acima dos ~ 8% atuais);
  • A Armac está investindo na formação dos seus funcionários e seu quadro de colaboradores deve continuar a crescer à medida que a frota da empresa se expande;
  • A Armac está construindo uma plataforma de aluguel de máquinas one-stop-shop oferecendo a seus clientes todos tipos de soluções de aluguel. Nesse sentido, pode-se considerar fusões e aquisições novamente para expandir o portfólio da empresa de outros produtos, como plataformas de trabalho aéreo (como fizeram com RCB), linhas verdes e empilhadeiras, entre outros. No geral, o evento reforçou nossa visão que as perspectivas de demanda pela Armac continuem sólidas, impulsionadas pela crescente necessidade de automação e produtividade, especialmente nas atividades de agricultura e infraestrutura.

O BTG continua a ver ARML como uma empresa interessante para ter exposição a um segmento de alto crescimento com perspectivas de retorno sólidas.

Azul: Volumes de tráfego recuperando; grande oportunidade para o mercado de carga aérea

Destaques da reunião com o CEO da Azul John Rodgerson e a diretora de RI Thais Haberli:

  • A Azul continua a observar uma forte demanda por voos domésticos de passageiros de lazer e visita a familiares e amigos, combinada com uma recuperação gradual na demanda de viagens corporativas. A demanda de tráfego corporativo está atualmente em 60% dos níveis de 2019 e a Azul prevê que chegará a 75% no quarto trimestre;
  • O ambiente competitivo é um pouco mais racional hoje, levando a uma precificação mais saudável no setor, o que deve facilitar a recuperação de sua rentabilidade;
  • O desenvolvimento da infraestrutura aeroportuária regional é positivo para o setor aéreo, ajudando a aumentar o penetração do mercado aéreo no país;
  • A administração continua a ver interessante sinergias de uma possível combinação de negócios com a Latam. A Azul espera acessar alternativas de financiamento caso a aquisição se concretize;
  • A Azul destacou seu poder de precificação mais forte do que os pares, uma vez que tem monopólio em várias das rotas que atende, principalmente em rotas no interior;
  • A empresa reforçou sua visão construtiva no mercado de carga aérea, no qual a Azul vê um enorme potencial vindo principalmente do regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país.

No geral, a reunião reforçou a perspectiva positiva para a Azul, uma vez que continua a ver uma recuperação em suas operações impulsionados pela vacinação no país.

CCR: Crescente exposição ao segmento aeroportuário; visando novos leilões em infraestrutura

Destaques do encontro com a gestão da CCR, representada por Waldo Perez (CFO) e Flavia Godoy (IR):

  • Embora pequeno, o aeroporto da Pampulha é um movimento defensivo para proteger o aeroporto de Confins da CCR e fornece à empresa mais escala para seu negócio de aeroportos. A gestão vê o lado positivo da receita no ativo a partir da criação de novas rotas, bem como sinergias de opex devido à sua localização próxima a Confins;
  • A empresa está focada em expandir sua exposição no segmento de aeroportos, de olho na 7ª rodada de leilões no próximo ano (nos quais os aeroportos de Congonhas e Santos Dumont deverão ser leiloados). Para o leilão, os prováveis concorrentes incluem grandes operadores de aeroportos (por exemplo, Fraport e Aena) como fundos de infraestrutura;
  • O rebalanceamento do Rodoanel ficou em linha com as expectativas, possibilitando o aumento das tarifas em R$ 0,1 até o final da concessão;
  • A Dutra continua sendo uma prioridade para a CCR em termos de novos leilões, e o concorrente mais provável é a Ecorodovias. Apesar do forte apetite da CCR pela Dutra, a administração reforçou seu foco na alocação de capital e retornos saudáveis. Outros ativos, como BR-381 (MinasVitória), também estão no radar.

Em suma, a reunião reforçou a visão de que a CCR irá continuar desempenhando um papel ativo na retomada do pipeline de infraestrutura do Brasil, beneficiando-se da baixa concorrência. “Com base no pipeline de infraestrutura e melhora substancial no risco regulatório (com todas as principais discussões de rebalanceamento resolvidas), mantemos nossa visão construtiva sobre a empresa”, diz o BTG.

Embraer: Recuperação do segmento comercial e resiliência da aviação executiva; novos produtos crescendo

Destaques do encontro com a equipe de RI da Embraer, representada por Eduardo Couto e Christopher Thornsberry:

  • Em meio ao avanço da vacinação em todo o mundo, a aviação comercial está mantendo a recuperação após o forte impacto no ano passado. O mercado dos EUA já está operando em níveis pré-COVID e algumas companhias aéreas já estão fazendo pedidos de aeronaves para o próximo ano (a SkyWest encomendou recentemente 16 novos E175s para meados de 2022);
  • A aviação executiva continua apresentando desempenho superior, com a carteira de produção garantida para o próximos 12 a 18 meses. O segmento está se beneficiando da migração de clientes mais ricos da aviação comercial à executiva, buscando evitar a contaminação por COVID. Dada a alta taxa de retenção do segmento, uma grande parte dessa nova base de clientes deve persistir no cenário pós-COVID;
  • A alta tecnologia da plataforma de negócios da Embraer continua a se expandir como parte de seu programa de inovação e agenda ESG. A empresa continua estudando parcerias para seus novos produtos, incluindo eVTOL (com início previsto para 2025-26) e turboélices;
  • A aquisição recente de Tempest mostra a confiança da Embraer no mercado de segurança cibernética, uma indústria em crescimento no mundo todo.

Em suma, o evento reforçou a visão construtiva do BTG sobre a Embraer, uma tese que combina uma aposta na reabertura econômica e interessante plataforma de negócios de alta tecnologia em expansão.

GPS: as fusões e aquisições devem continuar a ser um importante pilar de crescimento; crescimento orgânico deve mostrar recuperação

Destaques do encontro com a equipe de RI da GPS, representada por Marita Bernhoeft e Marcelo Madi:

  • As vendas dos mesmos clientes estão crescendo mais rápido do que as receitas dos novos clientes, e nenhuma grande diferença foi observada entre os segmentos de atuação da companhia;
  • O crescimento orgânico foi impactado pela COVID, mas melhorias já foram notadas recentemente;
  • A empresa está discutindo os ajustes em sua estrutura de custos e espera uma nova rodada de negociação;
  • Apesar das sinergias das recentes fusões e aquisições, espera-se que as margens permanecem na casa dos 10%, pressionado por pressão de custos;
  • Espera-se que o próximo ano seja ainda mais forte do que este ano em termos de fusões e aquisições, com a empresa mirando R$ 1,8 a 1,9 bilhão nas receitas de crescimento inorgânico. Os valuations das aquisições anteriores estavam em linha com o 5 a 6x de EV / EBITDA indicados durante o processo de IPO;
  • As aquisições que eles fizeram este ano foram importantes para melhorar a presença geográfica da empresa (como ganhar exposição para o Rio Grande do Sul com a aquisição da Rudder e Distrito Federal com a Global) e trazendo produtos complementares (como obter acesso para shoppings com o Grupo Unica ou trade marketing com a Allis).

Em suma, a reunião reforçou que as fusões e aquisições devem continuar a ser um dos pilares de crescimento para o grupo GPS, enquanto o crescimento orgânico deve mostrar recuperação após ser atingido pela COVID.

Hidrovias do Brasil: volumes com melhora em 2022; fundamentos de longo prazo sólidos permanecem intactos

Destaques da reunião com o CEO da Hidrovias, Fabio Schettino, e a diretora de RI, Ana Bastos:

  • A empresa ressaltou que mesmo em um cenário desafiador com restrições na navegação nos rios e quebras de safra, a companhia será capaz de entregar margens de EBITDA saudáveis, ajudado por seus contratos take-or-pay;
  • Durante o período atual de baixos volumes, a Hidrovias está investindo na manutenção de seus ativos para preparálos para ficarem totalmente disponíveis para os próximos anos, quando a empresa espera grandes volumes de safra;
  • A empresa continua a buscar oportunidades de crescimento inorgânico. Para o Corredor Sul, vê a consolidação como principal pilar de sua estratégia, ao mesmo tempo em que busca a diversificação geográfica na região do corredor Norte;
  • A extensão da Malha norte da Rumo não afeta o guidance da Hidrovias para 2025. Se o projeto do Ferrogrão também for aprovado, haverá aumento de volume para o guidance de longo prazo da empresa;
  • Em relação às tarifas, a empresa sinalizou que seu foco está na utilização da capacidade durante 2022, uma vez que permitiria ganhos de escala significativos na operação.

Em suma, apesar do cenário ainda desafiador no curto prazo, o contexto atual deve continuar pressionando as ações. A reunião reforçou os fundamentos sólidos da Hidrovias e o BTG reitera sua classificação de compra para o nome, vendo espaço para uma reavaliação da ação à medida que a companhia entregue o plano de crescimento esperado.

Iochpe-Maxion: Crescimento da indústria automotiva deve se recuperar em 2022

Destaques do encontro com o CEO da Iochpe Marcos Oliveira, o CFO Elcio Ito e a Equipe de RI, representada por Luis Abreu e Rodrigo Caraça:

  • A empresa está repassando os aumentos de custos das matéria-prima aos clientes ao longo do ano;
  • A falta de semicondutores tem afetado a indústria em todo o mundo, principalmente os volumes de veículos leves. Por outro lado, os veículos comerciais, que têm receitas unitárias e margens mais altas, apresentaram um desempenho mais resiliente;
  • A empresa espera que as interrupções no fornecimento de semicondutores seja normalizado apenas no 2S22;
  • Apesar das interrupções de oferta no setor, a Iochpe prevê perspectivas de demanda construtivas, com base em projeções de mercado que sinalizam crescimento anual em 2022, especialmente para veículos comerciais. Para as operações da Iochpe, a empresa vê um aumento anual de ~ 12 a 14% no próximo ano;
  • A gestão continua focada na gestão de passivos, visando uma alavancagem de 1,5x a 2x dívida líquida/EBITDA nos próximos anos, o que deve ser alcançado por meio do aumento da geração de caixa;
  • A Iochpe vem ganhando participação no mercado local de alumínio devido ao cenário desafiador para as importações;
  • Após suas iniciativas de reestruturação no ano passado, a empresa não espera qualquer outra reestruturação no curto prazo;
  • Para 3T e 4T, a Iochpe vê a continuidade de um mix favorável, auxiliado pela maior relevância dos veículos comerciais.

Em suma, apesar do tom positivo da administração, o BTG mantém sua classificação neutra no nome devido à falta de catalisadores de curto prazo.

Localiza: Preparada para enfrentar os desafios de curto prazo da indústria; fundamentos sólidos permanecem

Destaques da reunião com o CFO da Localiza, Rodrigo Tavares, e a equipe de RI, representado por Nora Lanari e Guilherme Milton:

  • O reajuste dos novos veículos chegaram a ~ 40% desde o início da pandemia, levando a veículos com baixas taxas de depreciação e margens de seminovos acima da média histórica no curto prazo;
  • A Localiza tem conseguido repassar o aumento esperado na depreciação para o próximos períodos, enquanto as condições de preços continuam a ser acessíveis para os consumidores;
  • A empresa vem adotando uma boa gestão de passivos, com foco na redução de sua alavancagem e custo da dívida e, mais importante, aumentando a competitividade de seu custo de capital;
  • A empresa já está negociando as compras de veículos com as montadoras para o próximo ano, quando espera um cenário mais normalizado e a retomada do crescimento da frota, mantendo seus níveis de descontos históricos na aquisição de frota adicional;
  • Atualmente, a frota da Localiza está envelhecendo já que a empresa adotou a estratégia de investir na manutenção de seus veículos ao invés de comprar novos veículos a preços pouco atraentes;
  • A empresa continua a ver importante vantagem competitiva no Zarp, uma unidade de negócios dedicada aos motoristas do Uber, pois permite um maior oferta de produtos especializados, bem como fortalece o relacionamento da Localiza com o Uber;
  • A empresa está continuamente estudando oportunidades para entrar em novos países, incluindo por meio de parceria com as operadoras de mobilidade como Uber;
  • A empresa continua acompanhando de perto as atualizações sobre o negócio com a Unidas e fornecendo às autoridades todos as informações necessárias;
  • Os investimentos da Localiza em tecnologia já estão rendendo frutos, pois permitiram à empresa melhorar a alocação da frota e ter sua estratégia de precificação mais efetiva.

Em suma, o evento reforçou sua visão construtiva sobre a Localiza, uma tese de investimento com fundamentos sólidos. “Esperamos atualizações sobre a fusão com a Unidas sendo o principal gatilho de curto prazo para a companhia”, diz o BTG.

Randon: Ventos favoráveis da indústria; iniciativas de automação e inovação devem expandir margens

Destaques do encontro com a equipe de RI da Randon, representada por Esteban Angeletti e Davi Bacichette:

  • A indústria de reboques do Brasil está tendo um bom desempenho, este ano deverá trazer volumes recordes, já que se prevê demanda por reboques e caminhões em ~ 90 mil e ~ 150 mil unidades, respectivamente. O bom momento da indústria deve persistir para o próximo ano, impulsionado pela necessidade contínua de renovação da frota;
  • A empresa permanece focado em iniciativas de automação e inovação e a administração espera expandir a margem EBITDA de longo prazo em 1 a 2% para 16 a 17% (dos 15% esperados anteriormente);
  • O sólido momento da indústria está atraindo novos competidores, levando a um ambiente mais competitivo para empresas já consolidados, como a Randon. Contudo, quando o ímpeto da indústria diminuir, esses novos participantes deverão enfrentar mais dificuldades para sobreviver, pois os clientes provavelmente preferirão produtos mais avançados, favorecendo assim as empresas tradicionais;
  • A recente expansão da planta de Araraquara da Randon deve melhorar a competitividade da empresa, permitindo-lhe produzir até 1 mil vagões / ano em uma nova linha de produção. O próximo ano deve ser positivo para o setor ferroviário, impulsionado pelo pipeline de infraestrutura.

Em suma, o BTG reiterou sua aposta devido aos sólidos catalizadores de curto prazo (volumes e margens resilientes) e uma perspectiva de longo prazo promissora, impulsionada por mais automação, inovação contínua e melhor alocação de capital.