BTG (BPAC11): setor de educação tem 2TRI21 com conjunto morno de resultados

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
1

Crédito: Divulgação

O BTG Pactual (BPAC11) espera outro trimestre de resultados mornos para o setor de educação no 2TRI21.

Em relatório divulgado nesta quarta-feira (21) em que analisa os nomes do setor, o BTG destaca que o trimestre deveria ser sem intercorrências, mas a maioria dos nomes deve apresentar números não tão animadores.

Acesse esse material especial para avaliar resultados, performance e dividendos dos melhores FIIs no mercado.

“Com as empresas apresentando uma dinâmica difícil no segmento local (impactando players menos expostos ao nicho de alta qualidade), mais pressões de preços no segmento EaD, alavancagem operacional negativa para a maioria dos nomes e PDAs ainda elevados”, dizem os analistas.

Assim, o BTG continua recomendandoa  compra de Cruzeiro do Sul (CSED3), Anima (ANIM3) e Vitru por conta de suas expansões consistentes na linha superior/margem no nicho de alta qualidade e fortes perspectivas de crescimento no segmento EaD.

Você sabia que algumas das maiores oportunidades de ganhos da bolsa estão nas Small Caps? Quer saber mais sobre essas ações e como investir? 

Confira abaixo um resumo das projeções do BTG para cada nome do setor de educação.

Quer começar o dia bem-informado com as notícias que vão impactar o seu bolso? Clique aqui e assine a newsletter EQI HOJE!

Cogna (COGN3): resultados fracos em tempos ainda desafiadores

O BTG estima que a COGNA apresentará outra rodada de resultados fracos (embora um pouco melhores t/t).

Os dados do 2TRI21 devem ser lançados em 13 de agosto), com a linha superior ainda afetada pela dinâmica da graduação (ou seja, retração da base de alunos locais e pressões de preços), mas as margens melhoram com facilidade a/a.

O BTG espera que a receita líquida consolidada caia 12% a/a para R$ 1,2 bilhão (Kroton R$ 855 milhões; Vasta R$ 131 milhões; Saber R$ 148 milhões; Platos R$ 30 milhões; outros, R$ 55 milhões).

Enquanto isso, a estimativa é de um Ebitda ajustado consolidado aumentando 117% a/a para R$ 262 milhões em compensações fáceis (2T20 teve resultados fracos e provisões anormalmente altas).

“Esperamos que a Vasta poste Ebitda negativo pressionado por menor reconhecimento de vendas. Finalmente, continuamos a sinalizar que os investidores devem ficar de olho na alta alavancagem da Cogna, que deve permanecer acima 3x até ajustando para PDAs não recorrentes”, diz o BTG.

A recomendação é neutra para Cogna.

YDUQS (YDUQ3): em linha com o guidance

A YDUQS deve publicar os resultados do 2º trimestre em 11 de agosto, em linha com sua orientação anterior para o primeiro semestre, com forte crescimento da receita (impulsionado por aquisições), mas com funcionamento um pouco pior de margens em relação ao ano passado.

O BTG espera receita líquida de R$ 1,14 bilhão (alta de 15% a / a, vs. orientação implícita de R$ 1,1-1,2 bilhões) e EBITDA ajustado de R$ 353 milhões (aumento de 8% a/a, resultando em uma margem de 31% vs. 33% no 2T20), em linha com o guidance de R$ 304-394 milhões.

O lucro líquido deve ser de R$ 103 milhões, uma redução de 24% a/a, refletindo a maior dívida líquida.

O BTG é neutro em YDUQS.

Arco: trimestre sem brilho

O BTG espera que a Arco registre resultados medíocres no segundo trimestre, com receita líquida de R$ 249 milhões (+ 6% a/a).

Assim, a expectativa é de um Ebitda ajustado de R$ 76 milhões (-24% a/a), implicando em margem Ebitda de 30,5% (queda de 12 p.p. a/a).

O prejuízo líquido deve ser de R$ 7 milhões (lucro líquido ajustado de R$ 25 milhões).

A recomendação é neutra.

Anima (ANIM3): resultados desfocados por conta de Laureate

A Anima deve publicar resultados “desfocados” do segundo trimestre (lançado em 11 de agosto) por conta da consolidação de ativos da Laureate no início de junho.

Assim, o BTG preferiu avaliar os números autônomos, que devem ser sólidos em uma base relativa.

Mais especificamente, o BTG espera que a Anima (ex-Laureate) registre receita líquida de R$ 460 milhões (+ 29% a/a), com EBITDA ajustado de R$ 122 milhões, aumento de 33% a/a, margem EBITDA ajustada de 26% (vs. 25% no 2T20, um crescimento impulsionado pelo amadurecimento de suas novas iniciativas acadêmicas) e lucro líquido de R$ 31 milhões (+ 230% a/a).

A recomendação é de compra.

AFYA: pronto para cumprir sua orientação do 1º semestre

A Afya tem um modelo de negócios resiliente com visibilidade de receita clara (altamente exposta ao negócio da escola de medicina), assim o BTG não prevê grandes mudanças nas tendências em seus resultados do segundo trimestre (lançado em 26 de agosto).

Refletindo o amadurecimento das sedes de medicamentos e a consolidação de recentes fusões e aquisições (com a Unifipmoc sendo consolidada desde junho), o BTG espera receita de R$ 368 milhões (+34% a/a), ou R$ 763 milhões para o primeiro semestre.

O EBITDA ajustado deve ser de R$ 151 milhões (+ 28% a/a), ou R$ 359 milhões para o primeiro semestre.

O lucro líquido deve ser de R$ 78 milhões (+ 21% a/a).

Recomendação neutra.

Cruzeiro do Sul (CSED3): trimestre resiliente

A Cruzeiro do Sul deve continuar apresentando resultados resilientes no 2TRI21 (em 16 de agosto).

Isso é reflexo, segundo BTG, de: (i) uma base de alunos mais resiliente; e (ii) alavancagem operacional (principalmente com a maturação das aquisições recentes + eficiência G&A).

Apesar de uma ligeira queda de 4% na receita (R$ 464 milhões), o BTG espera EBITDA de R$ 135 milhões (+ 137% a/a). Assim, projeta 29,2% de margem EBITDA.

O lucro líquido contábil deve ficar em R$ 47 milhões (vs. -R $ 48 milhões no 2T20).

Esta é a principal escolha do BTG para o segmento de educação. Assim, a recomendação é de compra.

SER (SEER3): dinâmica local fraca compensada pela expansão de EaD

O BTG estima os resultados do segundo trimestre (ano/ano) para o SER Educacional (lançado em 13 de agosto), prejudicado pela fraca dinâmica do segmento onsite, mas ajudado pela forte expansão nos seus negócios de EAD (ou seja, expansão da base de alunos de 149% a/a).

Enquanto isso, a UNIFASB (recentemente adquirida pela Ser) deve ser consolidada neste trimestre, agregando 1,6 mil alunos (mas com impactos leves nos números consolidados).

Em suma, o BTG espera receita líquida de R$ 354 milhões (+ 3% a/a), EBITDA recorrente (ex-IFRS16) de R$ 89 milhões (queda de 18% a/a) e aumento das despesas operacionais e de marketing, com resultado final de R$ 28 milhões (queda 49% a/a).

Recomendação neutra para Ser.

VITRU: continua apresentando resultados sólidos

A Vitru deve apresentar mais uma rodada de resultados sólidos, mantendo sua agenda de crescimento acelerado, diz o BTG.

No conjunto, a expectativa é de um crescimento de receita de 24%, para R$ 158 milhões, ainda refletindo o crescimento contínuo nas receitas de EaD (82% da receita consolidada).

O Ebitda ajustado deve ficar em R$ 52 milhões (+ 13% a/a, com margem de 33%, prejudicado um pouco das despesas de vendas mais altas), enquanto pressionado por resultados financeiros e aumento do imposto de renda devem levar a R$ 22 milhões o lucro líquido ajustado  (-49% a/a).

Recomendação de compra.

 

Um dos principais exercícios para a compra de uma ação é saber se ela está cara ou barata. Para isso, preparamos um material especial para ajudá-lo nesta análise.