BTG (BPAC11): CSN (CSNA3) e CSN Mineração (CMIN3) reportam 3TRI21 decepcionante

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: CSN Mineração (CMIN3)

Relatório do BTG Pactual (BPAC11) reporta que a CSN (CSNA3) e a CSN Mineração (CMIN3) reportaram dados do 3TRI21 considerados decepcionantes.

O conjunto fraco de resultados foi marcado por resultados considerados fracos pela divisão de mineração.

O EBITDA da CSN ficou em R$ 4,29 bilhões (20% abaixo da estimativa), enquanto a CMIN reportou apenas R$ 911 milhões (61% abaixo do BTG e do consenso).

O relatório mostrou dois lados. Resultados de aço ainda resilientes (5% acima devido a implementação de preços de aço mais altos); e resultados de minério de ferro abaixo da média (controlados por alguns elementos não recorrentes).

A geração de fluxo de caixa para ambos os nomes foi o destaque no trimestre, dada a forte liberação de capital de giro. A alavancagem permanece contida.

A falta de uma história de retorno caixa mais forte também representa um obstáculo em relação a outros nomes da cobertura do BTG.

Destaques operacionais da CSN Mineração

O EBITDA da CMIN ficou em R$ 911 bilhões, queda de 82% frente ao trimestre anterior. E 66% ante ao mesmo período do ano passado.

Os principais destaques do trimestre foram:

  • Os preços realizados caíram para US$ 65/dmt (comparados aos Platts de US$ 163/dmt e – 32% vs. BTGe), ante US$ 153/wmt no 2T21. Os ajustes anteriores do mecanismo provisório de preços trimestrais foram os principais culpados, levando a uma redução de US$ 33,7/t nos preços realizados;
  • As vendas totalizaram 8,2Mt (-1% vs. BTGe), queda de -10% t/t (e -11% a/a). A produção + compras de terceiros ficaram em 10,3Mt, o que sugere um aumento de estoque de ~ 2,1Mt. A empresa também revisou seu guidance para baixo, agora em 36- 37Mt de produção + compras de terceiros para 2021 (em linha com nossa estimativa atual, e anteriormente em 38-40Mt);
  • O custo caixa C1 foi de US$ 18,8/t (+ 3% vs. BTGe), queda de -6% t/t. A empresa elevou sua projeção de C1, agora em US$ 18/t para o ano fiscal de 2021.

Estratégia de valor sobre volume do aço em vigor

O EBITDA da divisão de aço ficou em R$ 2,85 bilhões (+ 5% vs. BTGe), alta de 6% t/t (e + 400% a/a).

Os principais destaques do trimestre foram: Vendas de aço caíram -23% t/t (-18% vs. BTGe), explicado pela estratégia comercial da administração para preservar preços.

Os preços realizados aumentaram 22% t/t (+ 13% vs. BTGe), enquanto a receita líquida doméstica aumentou 20% t/t, o que foi capaz de compensar os menores volumes de vendas no trimestre. Por fim, os custos com placas aumentaram 5% no trimestre, devido aos maiores custos com carvão, coque e gás natural.

O EBITDA de cimento ficou em R$ 143 milhões (-3% t/t, + 43% a/a), enquanto o EBITDA ferroviário ficou em R$ 260 milhões (+ 3% t/t, + 19% a/a).

Fluxo de caixa sendo gerado apesar da queda de EBITDA

CSN e CMIN continuam reportando geração sólida de caixa e estão operando com balanços pouco alavancados, segundo o BTG.

Portanto, os analistas esperam que o grupo continue operando com estruturas de balanço conservadoras no futuro.

“Calculamos um fluxo de caixa gerado pela CSN de R$ 4 bilhões, que foi influenciado por uma liberação considerável e provavelmente não recorrente de capital de giro de R$ 1,8 bilhão (contas a receber caindo bem)”, informa trecho do relatório.