BTG (BPAC11): CSN (CSNA3) e CSN Mineração (CMIN3) reportam excelente 2TRI21

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

A CSN (CSNA3) reportou um excelente conjunto de resultados, superando as expectativas do BTG Pactual (BPAC11) por uma margem razoável.

Em relatório divulgado nesta quarta-feira (28), o BTG ressalta que o Ebitda da CSN ficou em R$ 8,17 bilhões, 7% acima da projeção (+ 324% a/a e + 41% t/t), impulsionado pelos múltiplos ventos favoráveis de receita em todas as unidades de negócios.

Os números acima das estimativas foram impulsionados, principalmente, pela divisão de aço, com preços mais altos levando as margens EBITDA para 33%, de 27% no 1T21.

A CSN reportou sólida geração de FCF no trimestre (anualizando um yield acima de 30%), o que levou a uma redução substancial da dívida líquida para R$ 13,2 bilhões (0,6x).

Na opinião do BTG, o processo de desalavancagem está concluído, com a empresa pronta para buscar alternativas de crescimento mais agressivas ou retornos de caixa mais fortes.

Já a CSN Mineração (CMIN3) reportou resultados amplamente em linha com as projeções (EBITDA de ~R$ 5 bilhões; 2% acima da expectativa), com a empresa anunciando aproximadamente R$ 2 bilhões em dividendos, totalizando um yield trimestral de 3,5%.

Assim, o BTG classificou a CSN e CMIN com rating de compra.

CSN Mineração: trimestre impulsionado pelos preços do minério de ferro

O EBITDA da CSN Mineração ficou em R$ 4,96 bilhões (+ 2% vs. BTG), um aumento de 42% t/t (e + 250% a/a), o que representou 61% do EBTIDA geral da holding.

Os números um pouco acima das estimativas são explicados, em grande parte, por preços realizados mais altos do que o BTG estava traçando.

A receita FOB/ton da CSN Mineração ficou em US$ 152,1/t, que é 25% maior t/t (vs. preços benchmark subindo + 20% t/t – fechando o gap).

Em relação aos volumes, a CMIN registrou um sólido trimestre, diz o BTG, com vendas de 9,1Mt (amplamente em linha com as projeções), o que representa um aumento de 18% a/a (+ 10% t/t).

Os números de produção (que também incluem compras de terceiros) foram ainda mais fortes. Assim, chegaram a 10,6Mt, um aumento de 42% a/a.

Aços e outros: +26% de aumento de receita/ton no trimestre

O EBITDA da divisão de aço ficou em R$ 2,7 bilhões (+ 8% vs. BTG), que se compara a um EBITDA de R$ 325 milhões no 2T20 (+ 48% t/t).

O total de vendas da CSN Mineração ficou em 1,28Mt (-3% vs. BTG), 28% maior a/a, mas -3% menor t/t.

No mercado doméstico, os volumes ficaram em 895kt, 45% superior a/a (+ 4% vs. BTG).

A receita líquida doméstica/ton aumentou 26% t/t (+ 2% vs. BTG), enquanto a receita líquida total/ton (incluindo exportações) aumentou 25% t/t (+ 3% vs. BTG).

Os custos caixa das placas aumentaram 25% t/t, amplamente explicados pela inflação dos custos das matérias-primas.

As margens EBITDA da CSN Mineração continuaram acelerando e agora estão em 33,1%, um ganho de 580 bps t/t, que o BTG espera continuar expandindo à medida que preços mais altos fluam através dos resultados.

O EBITDA de cimento ficou em R$ 147 milhões (vs. R$ 27 milhões no 2T20), enquanto o EBITDA ferroviário foi de R$ 252. Ou seja, aumento de 25% a/a – ambos vieram acima das expectativas.

Reiteração de compras para CSN e CSN Mineração

Nos últimos anos, a CSN conseguiu passar de quase 8x Dívida Líquida/EBITDA, para o que hoje é uma das histórias de desalavancagem de maior sucesso na cobertura do BTG.

Assim, os analistas continuam a ver valor no nome – a CSN está bem posicionada para se beneficiar de fortes ventos favoráveis em seus negócios de aço e minério de ferro, negociando a um atraente 3x EV/EBITDA 2022, diz o BTG.

Já a CMIN, por outro lado, é uma tese de minério de ferro puro, exposta a sólidos fundamentos do setor e pronta para iniciar uma fase de crescimento.

A CMIN nasceu com dívida zero. Assim, a administração está dando guidance de pagamentos agressivos de dividendos adiante (payout de 80-100% mantido).