BTG (BPAC11) celebra novo plano estratégico da Petrobras (PETR4) com ressalvas

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Divulgação/Petrobras

A Petrobras (PETR3, PETR4) divulgou na quarta-feira (24) o novo plano estratégico e revisão da política de dividendos, além da realização do Investor Day.

De acordo com relatório do BTG Pactual (BPAC11), se colocado o cenário político do Brasil de lado por um segundo, o recém revelado Plano Estratégico (PE) de 5 anos da companhia seria como a coroação do progresso notável que a companhia alcançou nos últimos anos.

“A Petrobras se sente hoje mais forte, ágil, enxuta, transparente e – por que não? – uma empresa melhor, pronta para evoluir e criar valor de uma forma que, em nossa opinião, os investidores não apreciavam por muitos anos. Foco em segurança, descarbonização, fortalecimento do balanço, pré-sal, um pouco mais de flexibilidade para alocação de capital e delta de geração de EVA (valor econômico agregado) atestam uma empresa sem dúvida mais madura do que jamais foi”, comentam o BTG em relatório.

O BTG Pactual mantém a recomendação de compra em neutralidade, com preço-alvo de R$ 36.

BTG Pactual (BPAC11): Reativar o crescimento pode ser bom ou ruim

A Petrobras confirmou o aumento do capex para o período de 5 anos. Agora, o valor esperado é de US$ 68 bilhões, 23% acima do plano anterior divulgado há um ano. Além disso, é 3% acima do estimado pelo BTG.

Entretanto, a análise não vê a situação como uma completa surpresa para o mercado. Isso seria por conta dos relatos da imprensa antecipados semana passada, então o mix de capex foi uma pequena surpresa.

E&P (exploração e produção) será responsável por 84% do total, estável em relação ao PE do ano passado. Indica-se, portanto, que o capex em outros segmentos também cresceu. O BTG ressalta que, embora acredite positivamente na decisão da administração de aumentar o capex de E&P na tentativa de acelerar a produção de petróleo proveniente do pré-sal, apoiada por uma maior visibilidade do preço do petróleo no médio prazo, o aumento dos investimentos no refino (de 7% a 9%) necessita de mais esclarecimento devido aos recentes desinvestimentos nestes segmentos.

Produção

A curva de produção esperada da Petrobras veio com um toque de decepção, conforme o BTG. A produção média anual ficou 10% abaixo da expectativa e implica uma queda de 11% em relação ao ano anterior.

Além disso os impactos dos desinvestimentos de ativos são estimados em apenas 50kb/d em 2022 e 250kb/d a partir de 2023. Os valores ficam aquém da média de queda anual de 350kb/d nos próximos 5 anos.

Espera-se também que o pré-sal seja responsável por 79% da produção da Petrobras em 2026, 1p.p. de redução em relação à antes e sugerindo que o crescimento nesses campos virá em um ritmo um pouco mais lento do que esperávamos e que os frutos de um capex de E&P mais alto serão capturados mais adiante.

Recomendação neutra, por enquanto

O BTG Pactual (BPAC11) se vê com uma postura mais cautelosa. Ou seja, a capacidade de prever adequadamente a alocação de capital da Petrobras no longo prazo é bem mais reduzida no momento. Especialmente após as alterações acima mencionadas na política de dividendos da empresa, que deve garantir pelo menos mais um ano de rendimentos de dividendos convincentes.

Contudo, foi observado que as metas anunciadas no novo PE da Petrobras podem realmente mudar substancialmente. Mas isso depende de quem estará controlando o Conselho de Administração da Petrobras a partir do próximo ano.

BTG Pactual (BPAC11)