BTG (BPAC11): Banco do Brasil (BBAS3) tem 2TRI21 acima do esperado

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

O Banco do Brasil (BBAS3) reportou resultados no 2TRI21 acima do esperado, disse o BTG Pactual (BPAC11) em relatório.

Com lucro líquido ajustado de R$ 5,0 bilhões (~ 14% ROE), 3% maior t/t e 52% maior a/a, o banco foi auxiliado por provisões de perdas com empréstimos melhores do que o esperado, que estavam muito baixos no 2º trimestre consecutivo. O resultado final veio 10% acima do BTG e do mercado.

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O Banco do Brasil também atualizou sua orientação para o ano 2021 para NII e perdas com empréstimos. Na média, o crescimento do NII foi cortado de 4,5% para 2% (+ 2,1% a/a no 1S21), enquanto as provisões para perdas com empréstimos (líquidas de recuperações) foram reduzidas de R$ 15,5 bilhões para R$ 14,0 bilhões (R$ 5,4 bilhões no primeiro semestre).

O BB agora espera que o faturamento em 2021 atinja R$ 17-20 bilhões, R$ 1 bilhão acima do guidance anterior.

Dado que o lucro ajustado atingiu R$ 10 bilhões no primeiro semestre, a orientação sugere uma linha inferior marginalmente inferior no segundo semestre.

A nova orientação é muito perto dos R$ 18,7 bilhões que o BTG está modelando.

NII mais fraco; receita de taxas melhores do que o esperado

Os empréstimos cresceram 1% t/t e 7% a/a, impulsionados pelo agronegócio (+ 3% t/t) e empréstimos pessoais (+ 3% t/t), sendo este último alinhado com a estratégia do BB de crescer em linhas mais lucrativas.

Por outro lado, a carteira de crédito a empresas do Banco do Brasil encolheu 1,5% t/t.

O NII total ficou estável t/t e cresceu 8% a/a (mas 1% abaixo do BTG), impactado principalmente por despesas mais altas com financiamentos, que foram parcialmente compensadas por maiores ganhos de tesouraria e operações de crédito.

As taxas vieram melhores do que o BTG esperava, com aumento de 5% t/t e 3,5% ano/ano, principalmente devido ao aumento das taxas de gestão de ativos e operações de crédito, que mais do que compensaram a redução da verificação de taxas de contas, parcialmente relacionadas com menos transferências TED/DOC após o PIX.

Na comparação com o 1T21, o resultado também foi influenciado por outras operações de receita, que veio 27% pior do que o BTG esperava devido a menores contribuição das subsidiárias.

Boa qualidade de ativos e dinâmica de OPEX

O Banco do Brasil mostrou uma queda acentuada nas provisões para perdas com empréstimos, mais forte do que o BTG viu em seus pares privados, chegando em 31% melhor em comparação com o que estava sendo modelado, como o banco acredita que as reservas acumuladas ao longo de 2020 são suficientes para cobrir o aumento do crédito risco da carteira até agora.

Então, dado que as provisões (R$ 5,4 bilhões no 1S21) estavam em execução bem abaixo do guidance inicial de 2021 (R$ 15,5 bilhões para 2021), o BB decidiu revisar suas estimativas, agora com expectativa de atingir R$ 14 bilhões em seu ponto médio.

Em outro ponto o BTG sinaliza que o Banco do Brasil entregou mais uma vez um controle de OPEX muito bom. O capital principal estava em alta ~ 60bps t/t a 13,5%.

Assim, segundo o BTG, os resultados do segundo trimestre foram decentes, especialmente dadas as baixas expectativas para o nome.

O BTG vê o BBAS3 sendo negociado a uma avaliação pouco exigente de ~ 0,6x P/BV mais recente, o que de fato não está longe do que foi visto no final da presidência de Dilma Rousseff em 2015.

Por outro lado, os analistas ainda veem a digitalização acelerando em um país com possivelmente o mercado de fintech mais concorrido do mundo. Dado que o Banco do Brasil é uma empresa pública, o BTG espera que ela se esforce mais do que seus pares no ambiente digital que está à frente.

“E considerando a alta rotatividade de executivos que vimos recentemente, é difícil prever como o banco pode reagir, levando-nos a permanecer neutros, apesar da avaliação barata”, diz o BTG. O preço teto é de R$ 48.

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