BTG (BPAC11): Banco do Brasil (BBAS3) tem 1TRI21 melhor do que o esperado

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

Os resultados do balanço do primeiro trimestre de 2021 do Banco do Brasil (BBAS3) foram melhores do que o esperado, disse o BTG (BPAC11) em relatório nesta sexta-feira (07).

O banco reportou lucro líquido ajustado de R$ 4,9 bilhões (15% ROE), alta de 38% t/t e 43% a/a.

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O lucro ficou 20% acima da projeção do BTG e do consenso, principalmente devido a provisões para perdas com empréstimos, que parecem insustentavelmente baixas, dizem os analistas.

“Mas, no geral, a maioria das tendências foram bem em comparação com nossas estimativas, especialmente a dinâmica mais positiva para a NII (margem financeira) de crédito em relação ao que vimos no Itaú e no Bradesco. E graças às baixas expectativas para o BB, juntamente com seu valuation muito deprimido, acreditamos que o 1T21 pode ser um gatilho positivo para o preço das ações”, afirma o BTG.

Maiores volumes e menor custo de financiamento melhoraram NII

O crédito do Banco do Brasil cresceu 2% t/t e 5% a/a, impulsionado por crédito consignado (+ 3% t/t) e crédito pessoal (+ 13% t/t), este último alinhado à estratégia do BB de crescimento em linhas mais rentáveis.

A carteira de crédito corporativo cresceu 1% t/t e 5% a/a.

Já a NII cresceu apenas 1% t/t e 6% a/a (3% ao acima da projeção do BTG). “Mas a NII de crédito cresceu 1% t/t, mais do que vimos para o Bradesco e o Itaú com menor crescimento da carteira. Então, achamos que a dinâmica da NII parece melhor do que o que vimos para seus dois pares privados”.

Aceleração nos próximas trimestres para Banco do Brasil

O BB mostrou uma queda acentuada nas provisões para perdas com empréstimos, mais forte do que em seus pares privados, queda de 50% t/t e a/a, 42% abaixo do que o BTG estava modelando, pois o banco acredita que as reservas acumuladas ao longo de 2020 são suficientes para cobrir o aumento do risco de crédito da carteira até o momento.

Assim, uma vez que as provisões estão correndo muito abaixo do limite inferior do guidance de 2021 (que foi mantido), o BTG espera que elas acelerem nos próximos trimestres, o que significa que é improvável que haja melhorias nos lucros no curto prazo.

Boa dinâmica da qualidade da carteira de crédito

O índice de inadimplência acima de 90 dias cresceu 5 bps para 1,95% no Banco do Brasil, influenciado, principalmente, pela carteira de pessoas físicas.

“Lembramos que o BB concedeu aos clientes prazos de carência maiores do que seus pares privados, por isso ainda possuía uma carteira de créditos prorrogados no 1T, no valor de R$ 114 bilhões (16% da carteira), incluindo R$ 26 bilhões (4%) que ainda possui períodos de carência”, diz o BTG.

A inadimplência de mais de 90 dias da carteira é muito baixa, 0,86% dado que 94% das operações têm rating entre AA e C e 93% dos clientes não tiveram histórico de inadimplência nos últimos 12 meses.

Receitas de serviços abaixo do esperado

As receitas de serviços foram um pouco pior do o BTG esperava, com queda de 7% t/t e 3% a/a, principalmente devido a menores tarifas de conta corrente, parcialmente relacionadas a menos transferências TED/DOC após a aceleração de transferências PIX no trimestre.

“O controle de custos foi um destaque positivo, principalmente se considerarmos a dificuldade de fazê-lo em um banco público, influenciada por menores despesas administrativas (queda de 10% t/t e 4% a/a) e do Programa Extraordinário de Desligamento (PDE) que ocorreu em parte no trimestre”, pontuam os analistas.

O PDE inclui + 5 mil funcionários e estava quase 90% concluído no 1T. Portanto, as despesas de pessoal excluindo participação nos lucros caíram 1% t/t e aumentaram “apenas” 1% a/a.

No entanto, maiores despesas operacionais, descontos concedidos e participação nos lucros levaram as despesas não decorrentes de juros a crescer 5% t/t e 19% a/a.

Capital principal reduzido para 12,9%

Outras receitas/despesas foram impactadas por R$ 1,7 bilhão em risco legal devido a provisões trabalhistas/cíveis, o que é acima do esperado considerando a gestão de guidance de R$ 4 bilhões indicada na teleconferência do 4T20.

“Então, esperamos uma despesa maior nessa linha para o ano. Os ganhos também foram impactados pela reavaliação dos termos dos acordos de folha de pagamento do banco, dadas as taxas de juros estruturalmente mais baixas”.

O capital principal caiu ~70 bps t/t para 12,9%, conforme o RWA (Ativo Ponderado pelo Risco) se expandiu com o crescimento do portfólio.

“E sinalizamos que o banco tem um Capital principal mínimo de 11% a partir de janeiro de 2022”.

Múltiplos de valuation semelhantes a 2016

Ao todo, os resultados do 1TRI21 foram decentes, especialmente devido às baixas expectativas para o nome.

“Vemos o Banco do Brasil negociando com um valuation pouco exigente de 0,6x o último P/BV, o que na verdade não está longe do que vimos em 2015 no final da presidência de Dilma Rousseff”.

Por outro lado, naquela época, diz o BTG, o índice de capital do Banco do Brasil estava muito pressionado e havia receios quanto à qualidade da carteira de empréstimos, uma vez que ela havia agido de forma anticíclica nos 5 anos anteriores. E não é por acaso que o ROE do Banco do Brasil se deteriorou consideravelmente nos anos seguintes, diz o BTG.

Assim., o BTG mantém a neutralidade em relação às ações de Banco do Brasil. O preço-teto é de R$ 48.

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