BTG (BPAC11): 70% devem estar vacinados contra a Covid-19 com duas doses até novembro

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Foto: Vacina vacinação Covid-19

A expectativa do BTG Pactual (BPAC11) é de que 70% da população adulta brasileira esteja vacinada com pelo menos uma dose da vacina contra a Covid-19 até o início de agosto. Já as duas doses devem estar aplicadas em 70% da população até novembro.

Até dia 20 de julho, quando o relatório do BTG foi publicado, 58% da população adulta do país estava imunizada com uma dose, e cerca de 21% com duas doses.

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O BTG destaca ainda que a proporção de pessoas com mais de 60 anos nas novas mortes diárias, que ficou praticamente estável desde o início da pandemia (em 70-80%), caiu drasticamente para cerca de 45%.

Utilizando um modelo epidemiológico, os analistas estimam que o número de óbitos em junho seria 18% maior se a campanha de vacinação não tivesse acontecido.

“Assim, a vacinação já mostrou efeitos importantes na redução do número de óbitos por Covid e, para o segundo semestre, as estimativas indicam que a vacinação terá um impacto ainda maior”, avalia o BTG.

Ritmo de vacinação contra Covid acelerou em junho

O relatório destaca que a vacinação contra a Covid no Brasil avançou lentamente até maio. Mas, desde o início de junho, o ritmo acelerou.

Recentemente a média móvel de doses está ao redor de 1,3 milhão de doses por dia.

Até o momento, 94 milhões de pessoas já receberam pelo menos uma dose no Brasil, das quais 34 milhões foram totalmente imunizadas (com 2ª dose ou dose única), correspondendo a 58% e 21% da população adulta do país.

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Relatório BTG sobre vacinação Covid-19

Apesar de ainda estar bem atrás de países desenvolvidos e até de alguns pares emergentes, algumas faixas etárias no Brasil já possuem uma extensa cobertura vacinal.

A abertura dos dados oficiais por faixas etárias permite uma análise mais completa acerca do grupo mais vulnerável à Covid-19: os idosos.

O BTG destaca que entre aqueles com mais de 60 anos, mais de 94% já foram vacinados com pelo menos uma dose e ~67% estão totalmente imunizados de acordo com dados do Ministério da Saúde.

Relatório BTG sobre vacinação Covid-19

Efeitos positivos da vacinação já são visíveis

Usando a abertura por idade da série de dados diários de novas mortes por Covid-19 do Registro Civil (altamente correlacionada com a série do Ministério da Saúde), até recentemente, a maioria das mortes era de pessoas com mais de 60 anos.

Mas, desde o início da campanha de imunização, a parcela do grupo de 60+ nas novas mortes diárias, que estava praticamente parada desde o início da pandemia (na faixa de 70-80%), caiu drasticamente para ~45% nos últimos tempos.

Além disso, as taxas de ocupação dos leitos de UTI Covid-19, que estavam persistentemente altas, diminuíram consistentemente em todo o país nas últimas semanas.

Em julho, a maioria dos estados já apresentam taxa de ocupação de leitos de UTI abaixo de 70%, taxas estas menores que as do início de janeiro e bem abaixo dos números de abril e maio, quando a taxa de ocupação em muitos estados superou o nível de 90%.

Relatório BTG sobre vacinação Covid-19

Oferta de vacinas foi normalizada

Após atrasos na importação de insumos essenciais (IFA) da China e problemas nas linhas de envase domésticas, o fornecimento de vacinas foi normalizado, diz o BTG. “De fato, Butantan e Fiocruz superaram alguns problemas iniciais e conseguiram expandir suas produções”.

Além disso, a importação de parte dos 200 milhões de vacinas da Pfizer adquiridas pelo Brasil e a chegada antecipada/doação das doses da Janssen ajudaram a aumentar a oferta de vacinas.

Olhando à frente, de acordo com o último calendário do Ministério da Saúde, as elevadas entregas em julho/agosto/setembro devem permitir um forte aumento na distribuição de vacinas para os estados, com baixo risco de atrasos quando comparado ao primeiro semestre (período em que o Brasil estava mais dependente de importações vindo da China e da Índia).

A logística não deve ser uma preocupação, afirmam os analistas.

No final de junho, o ritmo de vacinação perdeu força e permaneceu por um tempo abaixo do pico de ~1,4 milhão/dia de junho. Além disso, muitas capitais (inclusive São Paulo) tiveram que suspender brevemente suas campanhas por falta de doses.

“No entanto, desde maio, o nível geral de vacinas em estoque (ou seja, distribuídas aos estados, mas não aplicadas) tem estado persistentemente alto, perto de ~32 milhões agora. Assim, a desaceleração no final de junho pode ser explicada por uma falta de coordenação na distribuição regional entre estados e municípios em meio a uma demanda acima do esperado. Portanto, dado o nível de estoques e o avanço das entregas de novas doses, vemos esses problemas de logística como questões pontuais e não como algo recorrente”, afirma o BTG.

Cenário positivo à frente

Muitos estados e municípios estão planejando a vacinação de toda população adulta com pelo menos uma dose até meados de agosto (São Paulo e Rio de Janeiro são exemplo disso).

Pelos nossos do BTG, o Brasil poderia atingir 70% de todos os indivíduos com 18 anos ou mais com pelo menos uma dose no início de agosto, e totalmente imunizados (com ambas as doses/dose única) no início de novembro.

Para este exercício, os analistas consideram a estimativa mais recente de fornecimento mensal de doses do Ministério da Saúde para os próximos meses e uma taxa de não comparecimento de 10% para a 2ª dose daqueles que já receberam a 1ª aplicação.

Em média, o ritmo de vacinação neste cenário prevê ~1,4 milhões de doses sendo administradas por dia. “Assim, devemos observar para faixas mais jovens um efeito similar da eficácia da vacina na prevenção de mortes como observado para o grupo de 60 anos ou mais”.

Relatório BTG sobre vacinação Covid-19

Modelo epidemiológico

Uma pergunta natural que surge é o que devemos esperar para os próximos meses com o avanço da vacinação e com possíveis variantes que podem aumentar a taxa de transmissão?

Para responder essa pergunta, o BTG simulou um modelo publicado recentemente pelos autores Usherwood et. al (2021) em que se inclui vacinação e um componente comportamental a um modelo de epidemiologia do tipo SIR.

A principal hipótese do artigo é que a taxa de transmissão é uma função das precauções tomadas pelas pessoas. Um menor cuidado das pessoas seja devido a um aumento do contato social, ou seja, por menores cuidados com respeito à higiene pessoal (uso de álcool gel) e uso de máscara, leva a uma maior taxa de transmissão do vírus.

O modelo é calibrado para replicar a curva de mortes do Brasil até 25 de junho de 2021. O BTG definiu como em Usherwood et. al (2021) que o tempo médio de infecção é igual a 10 dias. Além disso, a taxa de mortalidade, a taxa de transmissão e o fator comportamental são estimados para replicar a curva de mortes observada para o Brasil.

Para a eficácia da vacina foi considerado um caso conservador em que a eficácia é de 60%. “De forma conservadora, consideramos apenas a evolução da primeira dose de vacinação, sem considerar o aumento da eficácia gerado pela segunda dose. Vale dizer também, que consideramos uma defasagem de 20 dias entre a série de vacina e a série de mortes, supondo que os efeitos de imunização não acontecem nas primeiras semanas. Os resultados do modelo calibrado são mostrados abaixo”.

Com o modelo estimado, o BTG realizou contrafactuais para entender a contribuição da vacinação na curva de mortes anterior. Assim, a pergunta se tenta responder é qual deveria ser o número de mortes caso não houvesse vacinação no período em que o modelo foi calibrado. O resultado é mostrado abaixo.

Relatório BTG sobre vacinação Covid-19

Ou seja, o acumulado de mortes que foram evitadas com a vacinação seria de aproximadamente 16 mil mortes (soma total da diferença entre a área das linhas do gráfico 11). Vale dizer que em 25 de junho (último dia considerado na simulação) o percentual de pessoas que haviam tomado a vacina há pelo menos 20 dias era de 23% e, com isso, o número de mortes no caso contrafactual seria 18% maior do que o de fato observado.

A preocupação com as variantes da Covid

Usando as curvas de vacinação anteriores, o BTG simulou o modelo em dois ambientes:

  • (i) No primeiro ambiente (gráfico 13a), considerou que o parâmetro comportamental é o mesmo observado ao final de junho, e foi simulado o modelo para o segundo semestre.
  • (ii) O segundo ambiente incorpora, além da hipótese feita no primeiro caso, um aumento de 60% na taxa de transmissibilidade no início de agosto (gráfico 13b). A ideia do exercício é entender o que pode acontecer com o número de mortes caso uma variante mais transmissível se tornar predominante no país.

Relatório BTG sobre vacinação Covid-19

Pelas simulações, o número de casos ficaria abaixo de 1.000 mortes em agosto, mesmo em um cenário pessimista para a vacinação.

“Se considerarmos o caso de estresse em que há um aumento permanente de 60% na taxa de transmissão, o número de mortes chegaria a um máximo de 1.620 no cenário pessimista para vacinação”, diz o BTG.

Assim, a mensagem geral é que a campanha de vacinação deve levar a uma redução significativa do número de óbitos nos próximos meses e evitar um aumento significativo de mortes mesmo no caso de um aumento permanente da taxa de transmissão do vírus.

“Vale ressaltar que até o momento a verdadeira taxa de mortalidade da variante delta ainda é desconhecida e, portanto, dependendo da mudança na taxa de mortalidade, os resultados anteriores poderiam ser afetados. Dessa forma, continuamos monitorando o recente aumento de casos em alguns países, principalmente no Reino Unido e na Espanha, para avaliar possíveis consequências para o Brasil e a real eficácia da vacinação contra essa nova variante”, afirma o BTG.