BTG (BPAC11): Banco Inter (BIDI11) é cada vez mais uma plataforma de negócios

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

Com KPIs impressionantes novamente no primeiro trimestre de 2021, o Banco Inter (BIDI11) tem se consolidado como uma plataforma de negócios, segundo análise do BTG (BPAC11). O preço-alvo do ativo foi elevado para R$ 200/unit.

O número total de clientes do Bando Inter chegou a 10,2 milhões e, de acordo com o CEO, a meta é chegar perto de 20 milhões até o final do ano.

“Semelhante ao que vimos no 4T20, os novos empréstimos foram muito fortes e um destaque positivo. Mas no geral, os números foram sólidos no geral, com o número de investidores, compradores de seguros, TPV (volume total de pagamentos) de cartões e GMV no Inter Shop, todos superando nossas estimativas”, diz o BTG.

O NPS também foi forte: 82. Apesar da forte alta de 78% no acumulado do ano, o BTG reiterou a compra de Banco Inter, agora com um novo preço-alvo de R$ 200/unit.

Clientes crescem 20% no trimestre

No 1T21, o número de clientes atingiu 10,2 milhões, mais do que o dobro a/a e subiu 20% t/t.

O número ficou 5% acima do modelo do BTG, com o Inter abrindo 29 mil contas por dia útil (vs. 25 mil no 4T20, 20 mil no 3T20 e 16 mil no 2T20).

Em entrevista recente, o CEO João Vitor falou sobre a marca dos 10 milhões, então não foi uma surpresa.

Ele também disse que a meta é terminar o ano com aproximadamente 20 milhões de clientes: 16 milhões de correntistas e 4 milhões de usuários (não correntistas) do aplicativo InterShop/marketplace, com lançamento previsto para este trimestre.

5,4 milhões de clientes agora têm um saldo, aumento de 119% a/a e 17% t/t, representando uma proporção de 53% vs. total de correntistas digitais vs. 51% um ano antes.

O saldo médio por cliente é de saudáveis R$ 1,3 mil, um aumento de 25% a/a.

O Inter Seguros registrou 148 mil vendas de seguros, um aumento de 42% t/t e vendeu R$ 39 milhões em cartas de consórcio (+ 129% a/a).

A unidade de seguros atingiu 367 mil usuários ativos, um aumento de 350% e 26% acima do nosso modelo. Os seguros alcançaram R$ 35 milhões em prêmios líquidos no 1T21 (+ 44% t/t).

Originação de empréstimos aumentam 174% a/a

Apesar da sazonalidade mais fraca, a originação de crédito aumentou 3% t/t para R$ 3,7 bilhões (+ 174% a/a).

A originação de crédito imobiliário (19% do total no 1T21) cresceu 35% t/t e a/a.

O crédito consignado (35%) cresceu 39% t/t apesar do aumento no volume de novos empréstimos no final do ano devido a uma mudança “rápida” da regulamentação, permitindo maior alavancagem, e aumentando 246% a/a.

O crédito a PMEs (46%) caiu 21% t/t, mas aumentou 160% a/a.

Os empréstimos cresceram 84% em 2020 e esperamos um crescimento de ~60% em 2021. O CEO deseja securitizar o crédito e distribuí-lo por meio do braço de investimento, garantindo um balanço mais leve.

GMV do marketplace de R$ 676 milhões

O Intershop (marketplace) registrou GMV de R$ 676 milhões, um aumento de 25% contra um 4T20 sazonalmente mais forte, alta de 149% a/a, e 1% acima do modelo do BTG, o que significa um GMV de R$ 1,8 bilhão nos últimos 12 meses.

Para 2021, o BTG estima um GMV de R$ 3,5 bilhões, o que começa a parecer conservador.

O TPV do cartões totalizou R$ 7,6 bilhões, queda de 4% em relação a um 4T20 sazonalmente mais forte, aumento de 173% a/a e 9% acima de nossa estimativa.

O Inter encerrou o trimestre com 3,5 milhões de cartões usados, um pouco menor t/t e 20% abaixo do nosso número, mas ainda 3x maior a/a, implicando em gastos por cliente acima do esperado.

O Inter Invest (plataforma de investimento) atingiu 1,5 milhão de investidores ativos (+ 25% t/t; + 149% a/a), ou 15% de todos os clientes. 35% dos usuários ativos têm mais de um produto de investimento, o que mostra oportunidades de vendas cruzadas.

Os clientes com ações sob custódia atingiram 368 mil em março, um aumento de 12% t/t e 99% a/a, ou ~10% de todos os investidores de varejo na B3.

Apesar da alta no acumulado no ano, o BTG reiterou a compra do Banco Inter.

“Com todas as verticais tendo um desempenho muito bom, o Inter está se tornando cada vez mais uma plataforma de negócios ao invés de ‘apenas’ um banco”, diz o BTG.

Nos próximos meses, o BTG espera que ele conclua sua reestruturação, “desmembrando” as verticais abaixo do banco, dando-lhe mais flexibilidade para crescer. Uma listagem nos Estados Unidos também pode acontecer.