BTG Pactual aumenta projeção do IPCA para 2021 de 4,7% para 5,0%

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 8 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Certificações: CPA-10, CPA-20 e AAI. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: BTG/Divulgação

Em relatório, o BTG Pactual (BPAC11) escreveu que ao longo do mês passado, as perspectivas para a inflação continuaram a se deteriorar com riscos altistas aumentando para 2021 e 2022.

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Isso porque a inflação continua sendo afetada por problemas do lado da oferta e alto repasse de variações do câmbio e de preços de commodities.

No curto prazo, o banco espera alguma desaceleração do IPCA devido ao agravamento da pandemia e medidas de distanciamento social mais rígidas. Mas a intensificação da pandemia também aumenta os riscos fiscais, adiciona pressão ao câmbio e agrava as restrições da cadeia produtiva.

Dessa forma, a instituição financeira elevou sua projeção para inflação medida pelo IPCA para 2021 de 4,7% para 5,0%. Já para o próximo ano a expectativa para o IPCA passou de 3,5% para 3,6%.

Dólar deve fechar 2021 na casa dos R$ 5,40

BTG Pactual aumentou sua projeção do dólar para o fim deste ano de R$ 5,20 para R$ 5,40. No próximo ano, o banco espera que a moeda americana feche em R$ 5,60, antes a estimativa era de R$ 5,00.

De acordo com a instituição, a revisão acontece principalmente pela deterioração adicional no cenário doméstico, com recrudescimento da pandemia, perspectiva de eleição presidencial mais polarizada e maior risco fiscal.

O câmbio mais depreciado aumentou a projeção de superávit em transações correntes (TC) em 2021 para US$ 8bi (ante US$6bi) e reduziu nossa previsão de déficit em TC em 2022 para US$4bi (ante US$12bi).

Sinalizações de deterioração adicional do cenário fiscal e de maior intervencionismo na economia são os principais riscos para o cenário de fluxo positivo de investimento estrangeiro nos próximos meses e para nossa projeção de taxa de câmbio.

BTG revisa PIB para cima

O BTG afirma que a piora da pandemia deve impactar a atividade econômica. Considerando os dados de janeiro e fevereiro e sua expectativas para março, revisou para cima a projeção do PIB do primeiro trimestre de 2021.

Por outro lado, é improvável que não haja contração do PIB no segundo trimestre deste ano, já que o agravamento da pandemia nas últimas semanas reduziu a mobilidade social, mesmo que bem menos do que durante a eclosão da primeira onda em 2020.

No entanto, o BTG manteve sua projeção de crescimento do PIB para 2021 em 3,2%, enquanto aguarda uma visão mais clara do desempenho da economia no final do primeiro trimestre e começo do segundo trimestre.

Riscos fiscais seguem aumentando

Em março, ocorreu a aprovação da PEC Emergencial, que permitiu a reedição do auxílio emergencial, mas também trouxe melhorias para o arcabouço fiscal, com destaque para os gatilhos de ajuste desenhados para Estados e municípios.

No entanto, os riscos fiscais continuaram aumentando. O agravamento da pandemia aumenta a pressão por mais gastos. Ademais, repetidas tentativas de se encontrar caminhos para enfraquecer o teto de gastos têm adicionado muito ruído à discussão fiscal.

O Orçamento foi aprovado com despesas obrigatórias artificialmente subestimadas para abrir espaço para emendas parlamentares. Caso não seja alterado, será necessário um contingenciamento agressivo das despesas discricionárias, levando a paralisia de diversos serviços públicos.

Normalização parcial da política monetária

O comitê de política monetária (COPOM) mudou sua postura de política monetária e subiu a taxa Selic em 0,75 pontos percentuais para 2,75% ao ano em sua última reunião.

A “normalização parcial” segue sendo a estratégia do COPOM. Além disso, a mensagem é a de que, a não ser por surpresa significativa, devemos esperar outro ajuste de mesma magnitude em maio.

Com base no cenário da inflação e seus riscos, o BTG mantém sua projeção de que a taxa Selic encerre o ano em 5,50% a.a.

Mas, deteriorações adicionais do cenário fiscal e do quadro internacional, com repercussão nas expectativas de inflação, em particular de 2022, mantêm-se como fonte relevante de pressão, seja para um ritmo mais incisivo de altas ou para um ponto terminal mais elevado da taxa de juros ainda esse ano.