BTG sobre Ambev (ABEV3): empresa se destaca, mas cautela permanece

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

A Ambev (ABEV3) teve execução impressionante no terceiro trimestre, mesmo em cenário de Covid-19, diz o BTG Pactual (BPAC11). Em relatório divulgado nesta quinta-feira (29), o banco apontou a capacidade de adaptação da empresa.

Mais uma vez, a Ambev se destacou. Segundo o BTG, os resultados do terceiro trimestre mostram que a Ambev performou acima da média esperada.

O lucro líquido no trimestre foi de R$ 2,35 bilhões. Ou seja, uma queda referente ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados R$ 2,6 bilhões.

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Apesar de destacar bons indicadores da empresa, o BTG é cauteloso em outros aspectos.

 

Ebitda da Ambev sobe, mas margem cai

O Ebitda foi 11% acima da projeção e 1% maior ano/ano em R$ 5,1 bilhões, já que o real mais fraco impactou positivamente a conversão de câmbio das operações.

Mas a margem Ebitda foi de 32,5%, 90 bps e 440 bps abaixo do esperado no ano comparativo dos anos.

A forte geração de caixa levou a uma posição de caixa líquido recorde de R$ 15,6 bilhões ao final do trimestre. Portanto, o BTG alerta que bons dividendos devem vir para o acionistas até o fim do ano.

 

Cerveja brasileira se destacou

A cerveja brasileira apresentou superfornecimento com crescimento de 25% no volume, bem à frente da indústria. A Ambev admitiu o impulso positivo fornecido pela ajuda financeira do governo, enquanto o último aumento de preços possivelmente ajudou a recuperar a participação no mercado.

“Mesmo assim, ficamos positivamente surpresos com a capacidade de manter um preço fixo ano/ano. Embora isso tenha sido aparentemente ajudado por descontos menores, que caíram para 5,2% da receita bruta da controladora (contra 7,9% de um ano atrás)”, diz a Ambev.

Esse valor também não foi suficiente para evitar uma queda da margem Ebitda para 33,2%. Essa foi a menor já registrada no terceiro trimestre da Ambev.

 

Tá, e aí?

O entendimento que o BTG tinha de que a Ambev enfrenta bem as crises foi reforçado agora.

O relatório cita forte execução e flexibilidade para se adaptar às novas tendências.

“Mas também não vemos razão para mudar nossa postura cautelosa. Como alguns dos imprevisíveis cenários da Covid-19 desapareceram (competidores lutando, aumento de renda fornecido pelo governo) e com a inflação de alimentos, a Ambev voltará a contar com o sucesso de suas principais marcas, que mais uma vez tiveram desempenho inferior”, explicam os analistas Thiago Duarte e Henrique Brustolin.

A nova mentalidade da Ambev, centrada no consumidor, continuará a reduzir as margens para evitar a corrosão das margens.

“Assim, nos perguntamos se a recuperação do volume/participação de mercado permanecerá ou apenas aparecem como ‘componentes difíceis’ daqui a um ano”, diz o BTG.

Por fim, a análise destaca que os indicadores de valuation versus o histórico dos números ainda dependem de mais ganhos.

Assim, o BTG permanece neutro com relação à Ambev. O preço-teto é de R$ 13. Até as 13h30 desta quinta-feira, Ambev caía 4,94%, cotada a R$ 12,71.

 

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