BRF (BRFS3) lucra R$ 307 mi no balanço do 2TRI20, alta de 60%

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
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Crédito: BRF/Divulgação

A BRF (BRFS3) registrou um lucro líquido consolidado de R$ 307 milhões no segundo trimestre deste ano.

Considerando as operações continuadas, o resultado representa uma alta de 60,8%.

Já no total societário, o resultado foi de queda de 5,5%.

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Conforme a empresa, excluindo-se os impactos de Covid-19, no resultado do trimestre, o lucro teria sido de R$ 477 milhões.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado somou R$ 1,031 bilhão, queda de 33,3%, com margem de 11,3% (-7,2 pontos porcentuais).

A receita líquida avançou R$ 9,104 bilhões, alta de 9,2%.

BRF Brasil

Na operações no Brasil, o Ebitda ajustado somou R$ 544 milhões, incremento de 17,7%.

Enquanto a margem Ebitda ajustada ficou em 11,7%, aumento de 0,4 ponto porcentual.

Já a receita líquida no Brasil avançou 13,7%, para R$ 4,643 bilhões.

Ainda no Brasil, em volume houve aumento de 6,3%, impulsionado por processados (+12,9%) e suínos in natura (+7,9%). No entanto, em aves in natura foi registrada retração de 13,8%.

O preço médio no Brasil avançou 7%, mas o custo do produto vendido subiu 16,8%.

Assim, o lucro bruto cresceu 4%, mas a margem bruta recuou 2,1 p.p., a 22%.

Conforme a BRF, as restrições com a pandemia impulsionaram a preparação e o consumo dos alimentos dentro de casa.

Dessa forma, destaca, no Brasil o pequeno e grande varejo absorveram o volume do foodservice.

Exterior

Em relação às operações internacionais, o desempenho do Ebitda ajustado foi de R$ 468 milhões, queda de 32,5%, com margem 6,3 p.p. inferior (11,1%).

A receita líquida da BRF cresceu 5,6% no exterior, a R$ 4,207 bilhões.

Entretanto, o lucro bruto caiu 12,1%, a R$ 920 milhões e a margem bruta  recuou 4,4 p.p., a 21,9%.

Segundo a BRF, a expansão da receita no exterior foi contida pelo efeito da proteção (hedge) cambial.

Isso por consequência da forte desvalorização do real ante ao dólar norte-americano, num curto espaço de tempo, “afetando as posições de proteção formadas nos doze meses anteriores ao encerramento deste trimestre”.

Adicionalmente, o aumento dos custos de produção, em virtude do cenário de grãos e da desalavancagem operacional pela Covid-19 ajudaram a comprimir o lucro bruto.

BRF: financeiro

O resultado financeiro líquido apontou perdas de R$ 190 milhões, cifra 69% inferior na comparação anula e 68% na trimestral.

De abril a junho, a geração de caixa operacional da BRF somou R$ 1,418 bilhão, ante R$ 1,162 bilhão de um ano antes.

Enquanto isso, a alavancagem líquida, medida pela dívida líquida/Ebitda ajustado, foi de 2,89 vezes, ante 3,74 vezes de um ano antes.

Ao final de junho, a dívida líquida da BRF (BRFS3) somava R$ 15,311 bilhões, ante R$ 13,900 frente igual mês de 2019.

Já neste terceiro trimestre, a empresa anunciou a emissão de debêntures e o pré-pagamento de dívidas.

Na linha das despesas operacionais totais houve aumento de 10,0%, por conta de gastos com combate ao Covid-19 (R$ 45 milhões) e despesas em reais no exterior.

Contudo, as despesas totais, como percentual da receita líquida, mantiveram-se estáveis, “fruto de um controle mais estrito dos gastos no período”.