BRF (BRFS3) tem prejuízo 66% menor no balanço do 1TRI20

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
1

Crédito: Mirae formata carteira mais defensiva com BRF (BRFS3) e outras 9

A BRF (BRFS3) registrou um prejuízo líquido nas operações continuadas de R$ 38 milhões no balanço do primeiro trimestre deste ano, queda de 66,2% sobre mesmo período de 2019.

Já o prejuízo considerando o total societário foi 96,2% menor. Neste critério, um ano antes, o prejuízo havia sido de R$ 1,012 bilhão.

Conforme a empresa, o prejuízo reflete as despesas referente ao acordo de encerramento da Class Action nos EUA (R$204 milhões) e de variação cambial líquida sobre o endividamento.

Para o lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda, na sigla em inglês), a BRF reportou um resultado ajustado de R$ 1,251 bilhão, alta de 67,2%.

Assim, a margem Ebitda ajustada foi de 14%, uma alta de 3,8 pontos porcentuais.

BRF: Receita

A receita líquida da BRF de janeiro a março subiu 21,6%, para R$ 8,949 bilhões. Em termos de volume, o incremento foi de 8,1%.

Dessa forma, o aumento da receita foi acompanhado de uma alta de 12,5% no preço médio, que foi a R$ 8,23.

Por outro lado, o custo do produto vendido subiu 14,6%.

Logo, a margem bruta encerrou os três primeiros meses deste ano em 25,2%, alta de 4,6 pontos porcentuais.

Veja os principais números:

balanco-brf-min

Brasil

No Brasil, o volume comercializado da BRF cresceu 10,7% na comparação anual, totalizando 562 mil toneladas.

Segundo a empresa, a expansão ocorreu em todos os canais de venda, sendo mais acentuada no segmento de processados (+14,9%).

Com isso, a receita líquida da BRF no segmento Brasil cresceu 18,1% na comparação anual.

Esse desempenho favorável na receita líquida, compensou o aumento de 2,0% do custo médio unitário, acrescentou, por conta dos maiores custos dos grãos.

Desse modo, a margem bruta expandiu 3,5 p.p. na comparação anual, atingindo 24,7% no primeiro trimestre.

Assim, o Ebitda ajustado totalizou R$ 611 milhões (+63,1%), com margem ajustada de 13,1% (+3,6 p.p.).

BRF: Market share

No primeiro bimestre, a BRF atingiu 43% de market share em termos de valor consolidado, queda de 2 p.p.

Segundo a empresa, isso reflete a estratégia de rentabilização da operação via reposicionamento de preços.

De acordo com a BRF, a fatia de mercado cresceu nas categorias de valor agregado – os números são Nielsen:

  • Frios: +0,8 p.p.;
  • Congelados: +0,6 p.p.;
  • Margarinas: +0,9 p.p.;

Internacional

No segmento internacional, a BRF registrou receita de R$ 4,013 bilhões (+25,6), com um Ebitda ajustado de R$ 682 milhões (+82,7%) e margem de 17% (+5,3 p.p.).

Alavancagem

Segundo a empresa, o aumento da alavancagem na comparação com o quarto trimestre se deveu pela valorização do câmbio.

Na comparação entre os finais de períodos, o dólar saltou de R$ 4,03 para R$ 5,20.

Adicionalmente, a BRF destacou que contratou linhas de financiamento no mercado local de R$ 1,4 bilhão, com prazo de 1 ano.

Dessa forma, a empresa encerrou março com um caixa de, aproximadamente, R$ 9,0 bilhões.

Incluindo uma linha de crédito rotativo de R$ 1,5 bilhão, a liquidez imediata é de R$ 10,5 bilhões.

brf-endividamento-min

Tá e Aí

Para a analista Betina Roxo, da XP Investimentos, a BRF apresentou resultados acima do esperado pelo mercado.

Assim, a gestora mantém sua recomendação de compra.

Enquanto a projeção do Ebitda ajustado era de 1,046 bilhão, o número veio acima – R$ 1,251 bilhão.

Outro fator positivo, segundo a XP, foi que a companhia estendeu o prazo médio de endividamento de 3,1 para 4,5 anos e contratou linhas de crédito de R$ 1,4 bilhão com prazo de um ano.

Veja o desempenho da BRF na Bolsa:

Fonte: tradingview.