BRF (BRFS3) faz acordo de US$ 40 mi e encerra ação coletiva nos EUA

Paulo Amaral
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Foto: BRF

A BRF (BRFS3) chegou a um acordo nesta sexta para encerrar uma ação coletiva movida contra a companhia no Tribunal Distrital Federal dos EUA, em Nova York.

Segundo comunicado divulgado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia dispôs de US$ 40 milhões “para encerrar todas as demandas pendentes e que possam vir a ser propostas por pessoas ou entidades que compraram ou de outra forma adquiriram American Depositary Receipts – ADRs de sua emissão entre 04 de abril de 2013 e 05 de março de 2018”.

Carlos Alberto Bezerra de Souza, diretor vice-presidente financeiro e de Relações com Investidores da BRF, explicou que o acordo selado desta sexta “não implica reconhecimento de responsabilidade ou de prática de atos irregulares pela BRF ou seus executivos”.

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Segundo o executivo, o acordo “expressamente prevê a negativa de qualquer conduta irregular por parte da BRF ou que qualquer autor tenha sofrido quaisquer danos ou tenha sido prejudicado por qualquer conduta alegada nesta Class Action”.

BRF e a “Operação Carne Fraca”

A BRF se viu envolvida em uma das fases de uma operação da Polícia Federal, batizada de “Operação Carne Fraca”.

Deflagrada em março de 2017, ela teve como alvos as principais empresas do ramo frigorífico – JBS e BRF -, acusadas de adulterar as carnes que vendiam tanto para o mercado brasileiro quanto para o exterior.

Entre as acusações, as empresas tiveram de responder por suspeita de comercializar carne estragada, mudar a data de vencimento dos produtos e maquiar o material com o uso de produtos químicos.

“Operação Trapaça”

O acordo fechado pela BRF em abril deste ano, e sacramentado nesta sexta-feira, foi referente à terceira fase da operação da Polícia Federal, rotulada de “Operação Trapaça”.

Deflagrada em março de 2018, a “Trapaça” teve como alvo um esquema fraudulento na companhia.

Um dos dez presos na ação da PF foi o ex-presidente da BRF, Pedro de Andrade Faria.

A operação teve um total de 91 mandados decretados pela Justiça do Paraná, sendo 11 de prisão temporária, 27 de condução coercitiva e 53 de busca e apreensão em unidades da BRF.

Entre as acusações que pairaram sobre os suspeitos estavam falsidade documental, estelionato qualificado e formação de quadrilha, além de crimes contra a saúde pública.

Ações da empresa despencaram com o escândalo

Na época em que o escândalo aconteceu, tanto a BRF quanto a JBS dominavam amplamente o mercado de carnes no País.

A holding BRF, controladora de Sadia e Perdigão, tinha 47 fábricas em solo brasileiro e, sozinha, detinha 14% do mercado mundial de aves, exportando para 120 países.

A JBS, por sua vez, detinha as marcas Friboi, Seara, Swift e Pilgrim’s Pride, e era o maior frigorífero do mundo, enviando carnes para 150 países.

Os efeitos do escândalo das operações da Polícia Federal foram sentidos diretamente no preço das ações das duas gigantes do ramo.

De acordo com o BM&FBovespa, os papéis da BRF despencaram 8% no dia 17 de março, causando um prejuízo aproximado de R$ 2,31 bilhões à empresa.

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