Prestes a ser vendida, Braskem (BRKM5) valoriza 62% com recuperação do mercado de resinas

Matheus Gagliano
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Divulgação/Braskem

Após um ano turbulento, o mercado de resinas já começa a ver sinais de recuperação no horizonte. E projeta um ano positivo para o setor, principalmente diante do avanço da vacinação contra a Covid-19, já que o enfrentamento da crise sanitária é primordial para a recuperação econômica.

Os primeiros sinais de retomada do setor foram dados com a divulgação do resultado da Braskem (BRKM5). Nesse contexto, a empresa já adiantou que espera recuperar ainda este ano o investment grade.

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Para o próximo mês, é aguardado o início do processo de venda da companhia do grupo Odebrecht.

E as ações da empresa repercutem o otimismo: estão entre as maiores altas do Ibovespa no ano e valorizaram 62% de janeiro até março – indo de R$ 23,35 para R$ 37,91 no dia 26.

Resultados da empresa

No quarto trimestre deste ano, a companhia conseguiu reverter o prejuízo do último trimestre de 2019. Nos três últimos meses do ano passado, a companhia petroquímica obteve um lucro de R$ 846 milhões contra perdas de R$ 1,41 bilhão no ano anterior.

No acumulado de 2020, porém, a companhia teve um prejuízo total de R$ 6,69 bilhões contra perdas de R$ 2,79 bilhões do ano anterior.

O principal fator que explica o resultado foram as provisões referentes ao evento geológico de Alagoas, com afundamento do solo – calculado em R$ 10,1 bilhões bilhões. Dos quais R$ 1,2 bilhão já foram desembolsados.

Braskem (BRKM5): BTG (BPAC11) antevê recuperação

Relatório do banco BTG Pactual (BPAC11) vê um cenário favorável para a companhia, apesar do prejuízo. Isso graças a visibilidade de aumento das provisões devido ao evento de Alagoas e a proximidade de um acordo com a Pemex.

O relatório aponta que os spreads de resina melhoraram 26% no último trimestre no mercado nacional. Isso significa que a demanda nacional de resinas atingiu 1,67 milhão de toneladas no último trimestre de 2020. Quando comparado com o terceiro trimestre, o aumento é de 11%, de acordo matéria do Valor Econômico.

Esse resultado ocorre em função da recomposição de estoques aliada ao aumento do consumo. Principalmente pelas indústrias de embalagens, automotiva e infraestrutura.

Com relação ao mercado químico, as vendas nacionais atingiram 813 mil toneladas. Isso significa uma expansão de 8% com relação ao terceiro trimestre de 2020. Além de um aumento de 31% frente aos três últimos meses de 2019.

No mercado internacional, houve um aumento de 18% dos spreads do polipropileno e de 24% no México, com o polietileno. Tudo isso aponta para um ano de melhorias no horizonte.

Boas perspectivas para Braskem

Para o presidente da Braskem, Roberto Simões, 2021 promete ser um ano positivo. Exatamente pelas perspectivas com relação aos spreads dos produtos e à demanda de resinas renováveis. A Braskem é a principal produtora desse tipo de resina no mundo todo.

Em entrevista ao Valor Econômico, ele disse que a companhia conseguiu operar de forma eficiente no ano passado.

Outro fator que ajudou a enfrentar o ano da pandemia foi a alocação de capital, de acordo com ele. Com isso, a Braskem encerrou o ano com geração positiva de caixa e redução da alavancagem. Para o executivo, esses fatores serão fundamentais para a recuperação do investment grade.

Para o fim deste ano, a Braskem espera que a economia cresça, tendo como base projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI). Esse cenário poderá impactar diretamente o mercado de resinas termoplásticas.

“A expectativa é de spreads mais saudáveis para todas as resinas (PE, PP e PVC) e principais químicos no Brasil em função de uma demanda resiliente, principalmente no primeiro semestre de 2021”, informa trecho do relatório do quarto trimestre da Braskem.

Mercado internacional

Nos Estados Unidos, a empresa pretende aumentar seu portfólio de vendas em 450 mil toneladas. Isto graças à nova unidade de polipropileno aberta naquele país. Com isso, espera que os spreads permaneçam saudáveis para esse ano.

Em relação ao negócio da companhia na Europa, o volume de vendas deve permanecer em linha com 2020. Isto em um cenário de manutenção da mesma capacidade de produção na região. Mas com spreads de polipropileno.

No México, o relatório da empresa informou que no início deste ano a Braskem Idesa havia retomado parcialmente a produção de polietileno. Além disso, o serviço de fornecimento de gás natural para a fabricação, foi retomado em março, após interrupção em dezembro do ano passado.

“Em relação aos spreads, de acordo com a projeção de consultorias externas, a expectativa é de spreads de polietileno mais saudáveis em 2021, principalmente em função da forte demanda pelo produto”, informa a companhia.

Venda da Braskem deve ocorrer até o final do ano

De acordo com o plano de recuperação judicial da Odebrecht, a venda da Braskem deve ocorrer até o final do ano.

Fontes ouvidas pela Veja afirmam que o grupo aguardava um melhor momento para reiniciar o processo de venda. O que deve ocorrer a partir de abril. Mês em que os coordenadores da oferta iniciarão road shows em busca de interessados.

O valor de mercado da empresa é de R$ 30 bilhões, segundo a revista, e a Odebrecht divide o controle da empresa com a Petrobras, que também se mostra interessada em se desfazer do ativo.

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