Western: brasileiro investe pouco no exterior e perde oportunidade

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Crédito: Brasileiro investe pouco fora do país e perde oportunidades, diz Clini, da Western

Chefe da área de investimentos da Western Asset, Paulo Clini disse que o brasileiro investe pouco nos mercados internacionais e acaba perdendo oportunidades por isso.

“Além de proporcionar ganhos maiores, investir no mercado internacional está mais atrativo por conta da crise global”, frisou.

Isso porque os países desenvolvidos deverão sair antes do aperto em relação aos emergentes.

Clini cita como benefício o investimento em racionais descorrelacionados com o que acontece no Brasil, diminuindo a volatilidade da carteira.

Também para ter acesso a casos de investimentos que não estão disponíveis no Brasil, como tecnologia, e-commerce, high-grade em dívida.

“Além disso, contar conjunturalmente com um ambiente em que o suporte dado pelos governos é muito relevante fora do Brasil, a exemplo do programa do FED de compra de títulos high-grade e high-yield”, frisou, citando o Banco Central dos Estados Unidos.

Para Clini, há motivos estruturais e conjuntunturais para se olhar para fora com mais atenção e até como proteção de carteira e rebalanceamento.

Segundo Clini, a Western administra atualmente R$ 45 bilhões. Ele conversou com Luis Fernando Moran e Elias Wiggers, sócios da EQI Investimentos, na noite de quarta-feira (20).

A crise global e as oportunidades

De acordo com Clini, a grande vantagem de aportar agora no exterior é a capacidade de reação dos países desenvolvidos, e isso transforma o investimento no exterior em viés tático.

Significa dizer que o investidor brasileiro que aportar recursos no exterior, hoje, com boa parte dos ativos com preço muito abaixo do que de costume, poderá obter retornos expressivos.

“No passado, diversificar no exterior era custoso, mas agora, com a queda dos juros no Brasil, o custo de oportunidade é muito baixo”, frisou.

Conforme Clini, na mesma proporção que a crise é sem precedentes, os incentivos que as autoridades estão fazendo para combatê-la também são sem precedentes.

“Quando olhamos o nível de estímulos do ponto de vista fiscal e monetário, também é algo grandioso, e terá impacto positivo nos mercados financeiros quando a crise passar”, declarou.

O novo normal

Segundo Clini, o mundo inteiro vive essa transição do investimento local para o aporte no exterior, por conta dos juros baixos.

“Este ambiente [de juros baixos] está permeando todos os países. Veja o sudeste asiático, o investidor de lá, por conta de queda estrutural dos juros locais, começou a migrar para investimentos no exterior”, disse.

Em função do panorama brasileiro, cujos retornos giram em torno de 2% contra 9% dos investimentos no exterior, há uma necessidade latente de diversificação de carteira.

Entretanto, Clini faz uma ressalva: “como o mercado lá fora é muito mais diversificado e complexo, se faz necessário o acompanhamento de uma assessoria especializada”, frisou.

A Western

Conforme Clini, a Western Asset é uma casa de multiproduto que oferece desde estratégia multimercado, passando pelos fundos de ações, ativos de renda fixa e outros veículos.

Trata-se de uma companhia fundada em 1971 e afiliada independente da Legg Mason desde 1986. Esta administra 450 bilhões de dólares.

São quase mil especialistas divididos entre os escritórios de Tóquio, Cingapura, Austrália, Londres, e EUA, com unidade em Nova Iorque e sede em Pasadena (CA).

A Western está no Brasil desde 2005 quando chegou para assumir as operações de gestão do antigo Citigroup. “Somos a maior subsidiária do grupo Legg Mason”, disse.

Sete fundos da Western estão na plataforma da XP Investimentos. Um dos produtos que eles recomendam para quem quer diversificar a carteira no exterior é o Macro Strategie.

Trata-se de um ativo de renda fixa global, que não corre risco cambial, com volatilidade que flutua entre 6% e 8%.