Covid-19: Brasil tem recorde de 407 mortes em 24 horas e 50 mil infectados

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / TV Brasil

O ministério da Saúde atualizou nesta quinta-feira (23) os dados sobre o novo coronavírus no Brasil e computou mais 407 mortes em 24 horas, um número recorde desde o início da crise.

O país conta agora 3.313 óbitos. Foram também mais 3.735 casos confirmados, também um recorde, totalizando 49.492.

A taxa de mortalidade, assim, acelerou para 6,69%, contra 6,35% registrada ontem. A taxa mundial está em 7,14%, com 2,71 milhões de casos confirmados e mais de 190 mil mortos.

O ministro da Saúde, Nelson Teich (foto), participou mais uma vez da coletiva de imprensa, mas falou por menos de três minutos.

“Em relação aos casos novos e óbitos, a gente teve um aumento acima do que vinha acontecendo anteriormente; a gente não sabe se representa um esforço de fechar os diagnósticos (testar) ou se é uma tendência de aumento. A gente avalia todo dia o que está acontecendo e a partir dos dados novos, define as próximas ações”, disse, sem de fato especificar que ações são essas.

O Brasil, que ainda não começou testagens em massa, é o 11º país com mais casos e mais mortes.

Com exceção do Distrito Federal, que vem realizando testes e massa, no sistema drive thru desde 21 de abril, data de aniversário de 60 anos de Brasília, nenhum outro estado faz movimento semelhante.

O Distrito Federal tem 968 casos e 25 mortos, e já começa a abrir novamente sua economia.

Bahia descarta testes em massa

O secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, afirmou que o estado não fará testagem em massa. Essa é a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) desde o início da pandemia, como forma de combater a disseminação do vírus.

A secretaria informa que entre 1º de março e 22 de abril foram realizados 13.381 testes do tipo RT-PCR, método laboratorial usado desde 1983, que identifica se há material genético do vírus na amostra colhida. Esse é mais demorado, mas considerado mais preciso.

A falta de testes e de equipamentos de proteção individual (EPIs), em falta no mercado, é a justificativa dada pela secretaria para escolher esse caminho.

“Essas e outras imperfeições nas abordagens centradas em teste em massa fazem com que, no presente momento, um programa abrangente de testes em massa, certificação e retestagem esteja além dos limites da capacidade do nosso sistema de saúde”, informou a secretaria.

A Bahia é um dos mais afetados estados do Brasil, com 1.789 casos confirmados e 59 óbitos.

Força Nacional do SUS em Manaus

O ministro da Saúde, Nelson Teich ressaltou que vai enviar a Manaus, onde a situação está caótica, a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS).

O estado tem 2.888 casos e 234 vítimas fatais.

“O quadro aqui é muito delicado”, disse o governador Wilson Lima (PSC). “O que tem acontecido e o que está por vir nos próximos dias nos acende um sinal de alerta muito forte. Daí, a necessidade de termos ajuda federal e da iniciativa privada, todas as ajudas. Estamos trabalhando no nosso limite e vamos ampliando as estruturas na medida em que vamos recebendo equipamentos, insumos”.

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Servidores públicos infectados

O ministro Teich informou que o governo já recebeu mais 10 milhões de testes de Covid-19. Eles serão distribuídos aos estados. Quanto mais testes, melhor o raio-x da pandemia no Brasil.

O ministério da Economia, por exemplo, soltou uma nota dizendo que, entre os dias 13 e 17 de abril, 285 casos positivos foram confirmados entre os servidores públicos federais civis. Um aumento de 72% com relação à semana anterior.

O impacto na administração pública pode ser grande, mas ainda não há nenhum tipo de shutdown em vista, porque 46% dos servidores federais conseguem realizar suas funções de modo remoto, em casa.

Caos chega a Belém

A capital paraense registra registra filas, unidades de terapia intensiva (UTIs) lotadas e morte de paciente na porta de hospital.

O estado tem 1.267 casos confirmados, incluindo o governador Hélder Barbalho (MDB), e 53 mortos. Para o governador, Belém “pode virar nova Manaus” com o avanço do novo coronavírus.

Segundo ele, “os pronto-socorros estão à beira do colapso”: “nós estamos vivendo um momento muito difícil no combate ao coronavírus. O sistema de saúde, tanto público quanto privado, está extremamente pressionado”, escreveu, em uma rede social.

São Paulo prepara-se para o pior

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB, foto abaixo), informou nessa quinta-feira (23) que a cidade elaborou um plano de contingência para o serviço funerário: serão oito câmaras refrigeradas para guardar corpos, além da possibilidade de enterros em cemitérios privados sem passar pelo serviço funerário municipal.

Foram comprados também 15 mil sacos para corpos, além de mais 200 sepultadores.

“Temos, se for o caso, possibilidade de comprar 1 mil gavetas em cemitérios verticais. E se precisar, pode contratar mais 200 coveiros”, acrescentou o prefeito na coletiva de imprensa.

O estado de São Paulo 16.740 casos confirmados e 1.345 óbitos.

O governador João Doria foi ao Twitter para dizer que o estado, apesar da quarentena, mantém 74% da economia funcionando: “em SP, nunca trabalhamos com a falsa polêmica entre saúde e economia. As duas coisas andam juntas. Salvar vidas é nossa prioridade, mas sempre garantimos o funcionamento do maior número de atividades possível. Aqui nunca houve o lockdown que foi necessário em países da Europa”.

“Os bons resultados obtidos pela população de São Paulo permitem que possamos passar de uma quarentena mais ampla para uma quarentena heterogênea após o dia 10 de maio. Para isso, é fundamental que a população siga fazendo sua parte e fique em casa. Um gesto de respeito à vida”, concluiu.


Folha de São Paulo

Outros estados do Brasil

O Rio de Janeiro tem 6.172 casos e 530 mortos. Helena Witzel, esposa do governador Wilson Witzel (PSC), também está infectada. O próprio Witzel foi diagnosticado com Covid-19 na semana passada.

O Ceará vem logo em seguida, com 4.598 caso e 266 óbitos. Pernambuco tem 3.519 e 312.

Depois, com mais de mil confirmados, além dos já citados, Maranhão (1.757 e 76), Espírito Santo (1.363 e 42), Minas Gerais (1.308 e 51), Santa Catarina (1.115 e 39) e Paraná (1.082 e 60).

Os demais estados são Rio Grande do Sul (994 e 29), Rio Grande do Norte (708 e 34), Amapá (548 e 16), Goiás (453 e 23), Paraíba (345 e 40), Alagoas (324 e 22), Roraima (297 e 3), Rondônia (250 e 5), Acre (227 e 10), Mato Grosso (221 e 7), Piauí (217 e 15), Mato Grosso do Sul (186 e 7) e Sergipe (124 e 8).

O Tocantins segue sendo o único estado do Brasil com menos de 100 casos: 37, com duas vítimas fatais.

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