Brasil tem números econômicos melhores e deverá ter recessão menos intensa, diz UBS

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: PIB

O resultado divulgado na sexta-feira do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), foi ligeiramente superior à expectativa do mercado e indica um impulso para o crescimento econômico no Brasil, avalia o UBS em relatório. Assim, a recessão deverá ser menos intensa do que o previsto anteriormente.

A análise aponta que o índice de setembro, que é considerado uma prévia do PIB, chegou a 1,29% em setembro, próximo à estimativa do UBS de 1,2%, mas acima do consenso geral de 1%. Este foi o quinto mês consecutivo de resultado positivo.

Em 12 meses, o IBC-Br acumulou -0,77% no comparativo entre os anos. Em abril, este indicador estava em -14,3% (também comparando com 2019).

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O UBS aponta que, se o IBC-Br permanecer estável até dezembro, a média de 2020 seria de -4,2%.

PIB melhor e destaque para o comércio

O IBC mensal costuma acompanhar os dados do PIB trimestral, divulgados pelo IBGE.

O UBS aponta que o PIB brasileiro caiu 11,9% no primeiro semestre. Com os números divulgados na sexta, “aumentamos nossa estimativa para o terceiro trimestre de + 8,5% t/t para +9,5% t/t”, pontua a análise.

A rápida recuperação, explicam os economistas Fabio Ramos e Tony Volpon, se dá pelo crescimento do setor de comércio – principalmente a produção industrial, vendas no varejo e o agronegócio, enquanto o setor de serviços continua atrasado.

“Em setembro, o setor terciário apresentou resultados ligeiramente melhores do que o segmento de varejo pela primeira vez desde o início da pandemia. Nos próximos meses, prevemos o varejo perdendo fôlego e possivelmente alguns meses de pequenas quedas. No entanto, esperamos que o setor de serviços ganhe corpo se não houver ‘segunda onda’ de Covid-19”, afirma o UBS.

Expectativa de -4,5% para o PIB de 2020 e menor recessão

Apesar de um primeiro semestre ruim, o UBS prevê uma recessão menos intensa para o Brasil devido aos resultados do segundo semestre.

A previsão é que a queda do PIB possa ser menos intensa do que as estimativas anteriores, de -4,8%.

“Esperamos que o crescimento do 3º trimestre seja de +9,5% t/t e do 4º trimestre de + 2%. Continuamos a estimar a média de -4,5% para 2020. Mas as chances de uma média melhor para o ano aumentaram agora”, explicam os analistas.

Eles acreditam que a desaceleração do varejo coincida com melhores desempenhos dos serviços e que o desemprego continuará a aumentar em relação aos atuais 14,4%. Assim, a estimativa é de uma taxa de desemprego de 15% para o final de 2020.

Desafios virão em 2021

Por fim, os principais desafios virão à tona do primeiro trimestre de 2021 em diante, diz o UBS.

“Isso por que será difícil prever como os gastos do governo poderão ser pagos, enquanto a votação do orçamento está atrasada e nós esperar algum ‘abismo fiscal’”.

Assim, o UBS projeta um PIB de +3% para 2021, e -1% no primeiro trimestre do próximo ano.