Covid-19: Brasil tem mais de 45 mil casos confirmados e 2.906 mortes

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Ministério da Saúde divulgou em seu balanço desta quarta-feira (22) que o Brasil chegou a 45.757 casos confirmados do novo coronavírus, acréscimo de 2.678 novos pacientes. Foi o quarto pior dia desde o início da pandemia.

O número de mortos atingiu 2.906, com adição de 165 vítimas fatais, uma a menos do que o contabilizado ontem.

A taxa de mortalidade no país continua em 6,35%, abaixo dos 6,98% da taxa mundial.

O ministério informa que até o domingo (19) havia distribuído aos estados 2,08 milhões de kits de testes rápidos e 30.941 novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Preocupação com o sistema

O ministro da Saúde Nelson Teich apareceu na coletiva de imprensa que anunciou os números da pandemia.

Nos seus cinco dias de ministério, ele havia se esquivado e evitado a imprensa, especialmente na hora de divulgação do balanço da crise.

Ele disse que estava se capacitando dentro da pasta: “A informação sobre a doença é crítica. Não temos quase nada”.

“As pessoas não estão procurando o hospital. Pessoas com doenças crônicas estão morrendo em casa. Não podemos esquecer essas pessoas”, disse Teich.

“Hospitais estão com menos 40% de doenças não-Covid. O ministério da Saúde está focado no sistema e não só no Covid-19”.

Teich disse também que o ministério vai auxiliar estados e municípios a programar a retomada da economia no Brasil: “Nenhum país pode ficar parado por mais de um ano; o isolamento social é importante na entrada da crise, mas precisamos pensar em um programa de saída”.

“Teremos três braços para trabalhar e focar. O lado da informação, a infraestrutura e criar uma diretriz que permita que estados e municípios, abordem, criem políticas, programas, projetos em relação ao isolamento e ao distanciamento”, explicou.

Notícias positivas

O general Luiz Eduardo Ramos, ministro-chefe da Secretaria do Governo, reclamou da imprensa na mesma coletiva: “No jornal da manhã, é caixão, é corpo. No jornal da tarde, é caixão, é corpo. No jornal da noite, é caixão, é corpo e o número de mortos. Tem tanta coisa positiva acontecendo”.

Para ele, há uma “maciça divulgação de fatos negativos” na imprensa. “Tem tanta coisa positiva acontecendo”, diz ele, citando os mais de 23 mil pacientes que já se recuperaram da doença no Brasil.

São Paulo zera fila de testes

Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan e membro do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, disse em entrevista coletiva na manhã dessa quarta-feira, que o governo de São Paulo conseguiu zerar a fila de exames.

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Ela firmou: “Desses 17 mil (exames na fila), zeramos ontem. Realizamos desde o dia 9, 24 mil exames. Batemos na casa de 24 mil. No dia 9 tínhamos no estado inteiro 11 mil testes feitos, hoje são 35,6 mil testes feitos”.

Agora, o estado não demora mais do que 48 horas para emitir o resultado de qualquer exame novo para Covid-19.

São Paulo continua como o epicentro da pandemia no país. São 15.914 casos confirmados e 1.134 mortes.

O governador João Doria (PSDB) disse que mesmo diante desse quadro espera conseguir flexibilizar o isolamento imposto, a partir de 11 de maio, abrindo gradativamente a economia.

Colapso no Amazonas assusta senadores

O senador Eduardo Braga (MDB-AM) publicou no Twitter sobre o “cenário desolador no Amazonas… Já me coloquei à disposição do governo do Estado para ajudar a enfrentar esse momento tão doloroso. Diferenças políticas e partidárias ficam em segundo plano nessa hora. Temos que unir esforços para tentar minimizar o sofrimento da população e as perdas provocadas pela pandemia. Nossas orações e nosso sentimento de pesar aos familiares de todas as vítimas”.

Seu tuíte oferece uma matéria do jornal O Globo mostrando que “Covid-19 faz mortes dispararem em Manaus, e cemitério entra em colapso”.

A Agência Senado lembra quer “imagens de vítimas enterradas em valas comuns em cemitério da capital do Amazonas, cuja prefeitura teve que usar containers refrigerados para manter corpos até o sepultamento, assustaram os senadores e o Brasil”.

O senador Plínio Valério (PSDB-AM) também mostrou preocupação: “nesse momento de dor em que a Covid-19 avança em Manaus, comunidades indígenas e cidades do interior, muitas críticas sobre a gestão da pandemia no Amazonas. Não é hora de apontar culpados. É hora de resolver. Os culpados – e são muitos – serão punidos logo adiante”.

O Amazonas chegou a 2.479 casos confirmados e 207 mortos.

O prefeito de Manaus, o ex-senador Arthur Virgílio (PSDB), afirmou chorando que a situação na capital está chegando ao “ponto da barbárie”, quando os médicos precisarão escolher quem deve morrer ou pode lutar pela vida.

Hospitais superlotados

O Brasil ainda não chegou ao pico da pandemia. Ao contrário, muitos secretários de saúde dizem que o país está começando sua caminhada. Ainda são poucos testes realizados em proporção com a população.

O senador Paulo Paim (PT-RS) lembrou à Agência Senado do esgotamento da rede hospitalar pública, que já era deficitária antes mesmo da calamidade causada pelo novo coronavírus.

A situação está próxima do caos e estados como Pará, Ceará, Pernambuco, Amazonas e Rio de Janeiro caminham para o pior: “Os hospitais estão superlotados, há fila de espera, corredores cheios de pacientes. O número de internados em UTIs cresce todos os dias e rapidamente. As UTIs são muito poucas, faltam respiradores, faltam EPIs, faltam médicos, ou seja, a nossa estrutura é muito precária. As mortes, o número de contaminados estão aumentando, é uma triste realidade. Há quem diga que é 10 vezes mais que aquilo que estão informando. Por isso, nós já estamos vendo, infelizmente, acúmulo de corpos em corredores”.

Ceará discute retorno da economia

Apesar do número crescente no estado, com 3.910 casos confirmados e 233 mortos, o governador Camilo Santana (PT) confirmou a criação de um Grupo de Trabalho Estratégico para preparar o processo de retomada do crescimento da economia cearense por meio do retorno gradativo das atividades.

“O objetivo é planejar ações que, sem perder de vista os cuidados relacionados ao combate à Covid-19, possibilitem toda a segurança necessária à retomada, em breve, do setor produtivo, permitindo a manutenção e a criação de empregos”, diz o governo.

É o mesmo argumento usado por estados que estão cedendo a pressões, como Santa Catarina, Goiás, Distrito Federal, Alagoas e São Paulo.

O governo chegou a publicar no Diário Oficial do Estado (DOE) de 21 de abril, que é “indiscutível, conforme evidências médicas e científicas, a importância do isolamento social para conter a curva de crescimento da pandemia, só assim sendo possível afastar o risco de um colapso no sistema de saúde”.

“Qualquer decisão, flexibilização, medida de reabertura de setor da economia do Estado será pautada na orientação dos nossos especialistas, ouvindo a comunidade científica, para se ter a decisão com muita responsabilidade, protegendo a população”, explica Camilo Santana.

STF decide pelo Maranhão

O Supremo Tribunal Federal (STF) atendeu pedido do Maranhão contra governo federal e determinou entrega de 68 respiradores ao estado.

Segundo a coluna “Painel” da Folha de São Paulo, “o ministro Celso de Mello determinou que uma empresa de Santa Catarina entregue ao Maranhão 68 respiradores no prazo de 48 horas. A liminar foi dada em uma ação da gestão Flávio Dino (PCdoB) contra o governo federal, que tinha bloqueado a transação no mês passado”.

“A compra do material foi realizada em 19 de março. Cinco dias depois, em 24 de março, o Ministério da Saúde enviou um ofício para a empresa requisitando os respiradores produzidos para poder distribuir segundo seus critérios”, reporta.

O Maranhão tentou ainda outras compras na China, que foram interceptadas pelos Estados Unidos e Europa, deixando o estado desassistido. Até que o governo estadual resolveu fazer a operação via Etiópia, agora contestada pela Receita Federal.

O Maranhão tem 1.604 casos e 66 mortes.

Demais estados

O Rio de Janeiro é o segundo estado em pior quadro do Brasil, com 5.552 casos confirmados e 490 mortos. Pernambuco, 3.298 casos e 282 mortes.

Há ainda Bahia (1.644 e 50), Espírito Santo (1.313 e 34), Minas Gerais (1.283 e 47), Pará (1.195 e 43), Santa Catarina (1.091 e 37) e Paraná (1.063 e 57), todos acima de mil casos.

Seguem o Distrito Federal (946 e 25), Rio Grande do Sul (923 e 27), Rio Grande do Norte (646 e 29), Amapá (479 e 14), Goiás (438 e 21), Paraíba (301 e 39), Roraima (280 e 3), Alagoas (243 e 20), Rondônia (223 e 5), Acre (214 e 8), Piauí (206 e 15), Mato Grosso (183 e 6), Mato Grosso do Sul (175 e 6) e Sergipe (117 e 7).

O único estado do Brasil com menos de 100 casos, o Tocantins, tem 37 casos e 1 morte.

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