Brasil tem mais de 30 mil infectados e quase 2 mil mortos pelo Covid-19

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O ministério da Saúde divulgou em seu boletim de quinta-feira (16) que o Brasil possui 30.425 infectados e 1.924 mortos em decorrência do novo coronavírus.

O anúncio foi feito ao mesmo tempo que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) demitia o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS). O oncologista Nelson Teich foi o escolhido para assumir a vaga.

Com os novos números, o Brasil chega a uma taxa de mortalidade de 6,32%. O mundo, com 2,166 milhões de infectados e 144.515 falecidos, tem uma taxa de 6,67%.

BDRs| Confira os papéis disponíveis para Investimentos

O acréscimo foi de 188 mortos, menor que nos últimos dois dias, quando o país contou 204 vítimas fatais na terça e 204 na quarta. O acréscimo de pessoas que testaram positivo foi de 2.105, menos do que os 3.058 do dia anterior.

Esse decréscimo, entretanto, não significa ainda um recuo da crise.

Saída de Mandetta

Em sua conta pessoal no Twitter, o agora ex-ministro da Saúde avisou: “acabo de ouvir do presidente Jair Bolsonaro o aviso da minha demissão do Ministério da Saúde. Quero agradecer a oportunidade que me foi dada, de ser gerente do nosso SUS, de pôr de pé o projeto de melhoria da saúde dos brasileiros e de planejar o enfrentamento da pandemia do coronavírus, o grande desafio que o nosso sistema de saúde está por enfrentar”.

“Agradeço a toda a equipe que esteve comigo no MS (ministério da saúde) e desejo êxito ao meu sucessor no cargo de ministro da Saúde. Rogo a Deus e a Nossa Senhora Aparecida que abençoem muito o nosso país”, completou.

À revista Veja, na tarde quarta-feira (15), ele foi enfático: “não tem mesmo mais jeito de permanecer no governo, ministro? De permanecer no governo? Não, não. São 60 dias nessa batalha. Isso cansa!”.

O oncologista Nelson Luiz Sperle Teich (foto) foi chamado para ocupar a vaga e aceitou.

“Teich é um velho conhecido do presidente Bolsonaro. Consultor da campanha do então candidato a presidente, Teich é um oncologista com experiência empresarial para quem a gestão da pandemia não deve excluir o socorro econômico. Apesar disso, ele já defendeu, assim como o antecessor Henrique Mandetta, que ninguém saia de casa durante a quarentena”, informou o UOL.

Situação dos leitos

O novo ministro terá um grande desafio pela frente. Especialmente no momento em que os sistemas estaduais de saúde estão próximos ou passando da sua capacidade de absorção.

Um dos estados mais afetados pela pandemia, Pernambuco, através do seu secretário-executivo de Regulação em Saúde, Giliate Coelho Neto, já informou que a capacidade está no limite. “Abrimos 200 leitos de UTI Covid em 1 mês, e hoje estamos com 94% de ocupação. É assustador. Uma corrida contra o tempo”, tuitou Coelho Neto.

O estado tem 1.683 doentes com Covid-19 e 160 mortos.

Além de Pernambuco, cinco estados estão com problemas sérios: São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Amazonas, todos contando seus infectados na casa dos milhares e os mortos na casa das centenas.

São Paulo e Rio de Janeiro correm contra o tempo

Com 11.568 doentes e 853 vítimas fatais, mais do que muito país mundo afora, a capital de São Paulo tem ocupação de 56% dos leitos de UTIs e 60% dos leitos de enfermaria. Até o final de semana o limite pode se esgotar.

O prefeito Bruno Covas disse ontem que a capital possui 378 leitos de UTI e 211 estão ocupados. A cidade deve ter até abril mais 583 leitos de UTI, o que ainda deve ser insuficiente. Por isso, o governador João Doria insiste nas medidas de isolamento social, para ganhar tempo e estruturar melhor o sistema que receberá essa demanda.

Com 3.944 casos confirmados e 300 mortos, o Rio de Janeiro informou que a atual taxa de ocupação em todo o estado é de 48,5% dos leitos de enfermaria e de 71,4% dos leitos de UTI. São 2.541 leitos de enfermaria e 214 de UTI disponíveis.

O estado precisa correr contra o tempo para criar os esperados 3.414 leitos na capital, região metropolitana e interior.

Ceará e Amazonas no limite

A situação do Ceará, com 2.386 casos confirmados e 124 mortos, é complicadíssima. O estado já tem ocupados 100% dos leitos públicos de UTI para coronavírus e fila de espera já chega a 48 pacientes.

Segundo a secretária executiva de Vigilância e Regulação da Secretaria da Saúde (Sesa), Magda Almeida, “a pressão assistencial, independente dos números, é muito grande sobre os leitos de UTI porque não conseguimos abrir todos os 800 leitos que a gente projetava. Nossos respiradores não foram entregues, e estamos com muitos problemas em relação a isso. Nesse momento, apesar de não estarmos no pico esperado da epidemia, estamos com leitos de UTI em ocupação máxima”.

O Amazonas tem 1719 casos confirmados e 124 óbitos. No estado não há leitos mais nem para pacientes de Covid-19, nem para qualquer outro tipo de doença que precise de internação e cuidados intensivos.

Segundo o Correio Braziliense, “o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), vem criticando a população pela baixa adesão ao isolamento em Manaus e trocou o secretário de Saúde, Rodrigo Tobias, após ele anunciar que a rede estadual estava a 5% do colapso. Já o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), disse que a culpa da não adesão ao isolamento é do presidente Jair Bolsonaro”.

Números nos outros estados

Outras unidades da federação estão chegando a mil casos confirmados.

Minas Gerais tem 958 doentes e 33 mortos; seguido da Bahia, com 951 e 31 mortos. Depois, vêm Santa Catarina (884 e 29), Paraná (832 e 41), Rio Grande do Sul (780 e 19), Espírito Santo (754 e 22), Distrito Federal (716 e 20), Maranhão (695 e 37), Pará (438 e 24), Rio Grande do Norte (400 e 20), Amapá (362 e 9), Goiás (318 e 16), Paraíba (165 e 24), Mato Grosso (156 e 5), Roraima (142 e 3), Mato Grosso do Sul (131 e 5), Acre (110 e 5), Piauí (91 e 8), Alagoas (89 e 5), e Rondônia (76 e 3) e Sergipe (48 e 4).

Tocantins, que até ontem era o único estado do Brasil não possuía não registro de morte, já tem uma vítima fatal, com 29 casos confirmados.

LEIA MAIS
Mandetta é demitido e oncologista Teich deve assumir ministério da Saúde

STF obtém maioria e medidas implantadas por governadores e prefeitos na pandemia têm validade