Covid-19 avança: país tem 17.857 casos e 941 mortes

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / YouTube

O ministério da Saúde divulgou o balanço de casos do novo coronavírus nessa quinta-feira (9).

O relatório aponta que o  número de vítimas fatais em dia voltou a bater recorde. De ontem para hoje, foram identificadas novas 141 mortes em decorrência do Covid-19. O governo relata 941 mortes no total.

Os infectados somam 17.857.

O número de novos testes positivos foi de 1.930, acréscimo de 12%, mas menor do que o do dia anterior, que havia sido de 2.210. Os falecimentos subiram pelo quinto dia seguido, dessa vez em 18% nas últimas 24 horas.

A taxa de mortalidade também subiu, saindo de 5,02% para 5,27%, segundo os dados do ministério da Saúde. A taxa de mortalidade no mundo é de 5,97%, com 1,6 milhões de infectados e mais de 95 mil mortos.

Números das secretarias estaduais

O ministério da Saúde divulga diariamente às 17h seu balanço das últimas 24 horas. Mas as secretarias estaduais de saúde atualizam constantemente seus números, de modo que eles são sempre maiores do que o da pasta federal.

No momento, a secretarias somavam 17.941 casos e 950 mortos. Mas os números seguem crescendo.

A taxa de mortalidade também é ligeiramente maior: 5,3%.

São Paulo e Rio de Janeiro

São Paulo chegou a 7.480 casos confirmados e 496 mortos, uma taxa de mortalidade de 6,63%. É o estado mais afetado pela crise.

Se fosse um país, o estado seria o 20º em todo o mundo em número de infectados. Estaria a frente de populações como da Índia (6.725 casos e 226 mortos), Irlanda (6.574 e 263), Noruega (6.162 e 108) e Austrália (6.104 e 51). O Brasil é o 14º.

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Em número de mortos, seria o 16º país, na frente de Portugal (409). O Brasil é o 12º nessa triste estatística.

O Rio de Janeiro também teve um acréscimo no número de casos, para 2.216, com 122 mortos. A taxa é de 5,51%.

A preocupação no estado é com as comunidades carentes. Já são seis mortes em bairros como Rocinha, Vigário Geral, Manguinhos e Maré.

Outros estados

O Ceará e o Amazonas preocupam sobremaneira o ministério da Saúde. O estado do Nordeste chegou a 1.425 casos (1.445, pela secretaria de saúde) e 55 mortes (57, pela secretaria de saúde), uma taxa de 3,86% (3,94%).

Já o Amazonas, o primeiro a ficar à beira do colapso no sistema de saúde, os casos chegam a 899, com 40 mortes e uma taxa de 4,45%. O estado tem 46 casos confirmados entre profissionais da saúde, o que agrava ainda mais o quadro.

Pernambuco também enfrenta um agravamento brutal da crise. Em uma semana, o aumento de casos foi de 423%, chegando a 555, com 56 mortos. É uma das maiores taxas de mortalidade do Brasil, com 10,09%.

Apenas o estado do Tocantins ainda não teve uma única vítima fatal em decorrência do coronavírus. São 23 infectados.

Nos outros estados, a situação avança preocupantemente: Minas Gerais (655 casos e 15 mortos), Paraná (609 casos e 22 mortos, pelo ministério da Saúde; e 621 casos e 24 falecidos, pela secretaria estadual de saúde); Rio Grande do Sul (618 casos e 14 mortos), Bahia (559 e 19, pelo ministério; e 568 e 19, pela secretaria), Distrito Federal (527 e 13, pelo ministério; e 551 e 13, pela secretaria), Santa Catarina (501 e 17), Maranhão (273 e 12, pelo ministério; e 292 e 13, pela secretaria), Espírito Santo (273 e 6, pelo ministério; e 273 e 7, pela secretaria), Rio Grande do Norte (261 e 11), Goiás (179 e 7), Pará (168 e 7), Amapá (128 e 2), Mato Grosso (108 e 2), Mato Grosso do Sul (89 e 2), Acre (62 e 2), Paraíba (55 e 7), Roraima (52 e 1), Sergipe (39 e 4), Piauí (38 e 6, pelo ministério; e 38 e 7, pela secretaria), Alagoas (37 e 3) e Rondônia (28 e 2).

Mais testes realizados

O ministério da Saúde informou nessa quinta-feira (9) que o Brasil já fez mais testes do que países-símbolo na lita contra a doença, como a Coreia do Sul. Foram 480 mil. Os coreanos realizaram pouco mais de 477 mil.

“Qual é o país que é exemplo? Todo mundo fala que fez a melhor política de testagem? Coreia do Sul? A Coreia do Sul não chegou a fazer 500 mil testes”. disse o secretário-executivo de saúde, João Gabbardo dos Reis (foto), na já usual entrevista coletiva do ministério.

“Tudo que se diz da Coreia é que ela testou, testou, testou. A Coreia testou 450 mil pessoas (foram 477 mil). Nós já fizemos 480 mil testes. A Coreia que é o grande exemplo mundial não fez 500 mil testes até agora. Nós vamos fazer muito mais”, enalteceu, sem levar em consideração que a conta que a Organização Mundial da Saúde (OMS) faz é na relação teste por milhão de habitantes.

Nesse sentido, o país asiático tem uma relação de 9.310 teste por um milhão. O Brasil, com 480 mil testes, fica com 438 testes por um milhão.

“Alguém pode me dizer: mas a população da Coreia do Sul é 50 e poucos milhões. É um quarto da nossa população. Nós vamos fazer muito mais do que 4 vezes o que a Coreia do Sul fez”, defendeu.

“Acho que antes de criticar sempre é legal é comparar com os demais. A questão do teste é extremamente complexa. E acho que o que o Ministério da Saúde tem conseguido, em comparação aos outros países, é motivo de satisfação para nós”, completou.

Quarentena relaxada no Brasil

O Portal UOL informou que “entre a última semana de março e os primeiros dias de abril, a diminuição no isolamento da população foi o padrão para todas as capitais brasileiras”.

“Mesmo em casos onde a variação foi pequena, houve algum aumento na circulação de pessoas”, relatou. “Nenhuma capital viu suas ruas ficarem mais vazias durante a semana passada. A variação foi identificada com base na localização de 60 milhões de telefones celulares no País, compilada pela empresa In Loco, e tem sido analisada por pesquisadores brasileiros para determinar a relação do movimento nas ruas com o grau de contágio pelo novo coronavírus”.

É justamente a não circulação maciça no começo da crise, em março, que levou o pico a ser provavelmente retardado em um mês. Agora, espera-se que o pico de casos e mortes aconteça não mais em abril, mas em meados de maio.

Esse deslocamento da curva deu tempo para os estados se prepararem mais para enfrentar a onda de doentes que cairão no sistema de saúde. Foi possível construir hospitais de campanha, compra mais equipamentos de proteção individual, máscaras, respiradores e testes.

Mas o relaxamento tem sido cada vez maior.

“Para conseguir segurar essas pessoas em casa, precisaríamos de acesso à renda. É nisso que demoramos muito (para fazer)”, diz o infectologista Eliseu Waldman, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, ao UOL.

Evolução rápida dos casos

Há exatamente uma semana, o mundo preocupava-se com o fato de ter atingido a marca de 1 milhão de infectados e 50 mil mortos, algo que demorou-se três meses para acontecer.

Sete dias depois, já são 1,6 milhões de infectados, 50% a mais, e 95 mil mortos, quase 100% a mais.

A curva de infectados e vítimas fatais não dá sinais de arrefecer, embora em alguns países, como Itália e Espanha, dois dos mais afetados, ela tenha se estabilizado – num nível muito alto de mortos, mas estabilizado.

As projeções mais pessimistas chegam a estipular 200 milhões de infectados. Ninguém sabe ao certo em que número acreditar. Mas na taxa que vem crescendo e avançando a doença, tudo é possível.

A falta de testes na África e em outras regiões pobres ou subdesenvolvidas, incluindo o Brasil, podem indicar que o número pessimista poderia ser alcançado, caso todos fossem testados.

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