Brasil passa de 20 mil casos de Covid-19 e 1.124 pessoas morrem

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
1

Crédito: Reprodução / YouTube / Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde divulgou o boletim sobre o Covid-19 no Brasil desse sábado (11) e o número de casos confirmados chegou a 20.727 e o de óbitos, 1.124. Esse é um aumento de 6% no número de infectados e no número de vítimas fatais, com relação ao dia anterior.

O acréscimo é menor do que o dia anterior, algo que é recorrente em finais de semana. Na sexta-feira (10), foram 116 óbitos a mais, e 1.781 infectados a mais.

Para se ter uma ideia, no Tocantins, único estado do Brasil que ainda não detectou mortes, não há testes novos desde quinta-feira. O estado segue com 23 casos.

Diferença entre os números

O Ministério da Saúde divulga diariamente os dados em torno das 17h, com informações recebidas pelas secretarias estaduais de saúde até as 14h.

Entretanto, as secretarias estaduais seguem recebendo confirmações de testes e os números podem ser diferentes.

Pelos dados compilados pelas secretarias estaduais, o Brasil tem 20.825 casos confirmados e 1.133 mortos em decorrência do Covid-19.

Estados mais preocupantes

Os estados mais preocupantes, de acordo com o ministério da Saúde, são os que possuem mais casos. São Paulo chegou a 8.419 infectados e 560 mortos. São mais infectados do que os identificados pelo Equador, por exemplo (com 7.257), o Chile (com 6.927), o Peru (6.848) e a Noruega (6.408).

São Paulo também tem mais mortos do que Portugal (470), a Áustria (337), a Coreia do Sul (211), a Rússia, cujo sistema de saúde já colapsou (106) e Israel (101).

O Rio de Janeiro, com 2.607 casos e 155 mortos, também merece atenção especial do ministério. Bem como o Ceará, que testou muito no início da crise, até findarem os kits, e identificou 1.582 doentes (1.668 pela secretaria estadual) e 67 óbitos (74 pela secretaria); e o Amazonas, com 1.050 casos, 53 óbitos e um sistema de saúde colapsado.

Números nos estados

Pernambuco avança muito rápido também, apesar dos poucos testes realizados: são 816 casos confirmados e 72 mortes.

Há ainda, na sequência por casos, Minas Gerais (750 e 17 mortes), Santa Catarina (732 e 21), Paraná (676 e 26), Rio Grande do Sul (640 e 15), Bahia (635 e 21), Distrito Federal (579 e 14), Espírito Santo (349 e 9), Maranhão (344 e 21), Rio Grande do Norte (289 e 13), pará (217 e 10), Goiás (209 e 10), Amapá (193 e 3), Mato Grosso (121 e 3), Mato Grosso do Sul (100 e 2), Paraíba (85 e 11), Roraima (75 e 3), Acre (72 e 2), Alagoas (48 e 3), Sergipe (42 e 4), Piauí (41 e 7) e Rondônia (33 e 2).

Taxa de mortalidade

O Brasil chegou a uma taxa de mortalidade de 5,42%, segundo o ministério, e a 5,44%, segundo os números atualizados das secretarias.

O mundo tem uma taxa parecida, de 6,11%.

O Piauí ainda é o pior estado nesse quesito, com 17,07%, seguido pela Paraíba, com 12,94%, Sergipe (9,52%), Pernambuco (8,82%) e São Paulo (6,65%).

Testar mais pessoas faz a taxa de mortalidade cair. O exemplo é os Estados Unidos, com 528.002 pessoas infectados e 20.500 mortos, a partir de 2,64 milhões de testes, numa média de 8 mil testes a casa 1 milhão de habitantes. A taxa norte-americana é de 3,87%.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Teste muito também dá uma ideia melhor do tamanho do problema dentro do país, podendo auxiliar na tomada de decisão sobre medidas para contenção.

Brasil: isolamento ou lockdown

O secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Wanderson Kleber de Oliveira (foto), afirmou que a decisão de se detectar um fechamento geral das atividades, conhecido no mundo como lockdown, deve ser de responsabilidade do gestor local, mas que não pode ser feito a qualquer momento.

“Lockdown é decisão do gestor local; e não adianta fazer no pico da doença, porque a transmissão é exponencial; no pico, o momento é pensar em distanciamento social, higiene pessoal, como únicas armas”.

Para ele, com a informação de que São Paulo teve um relaxamento na política de isolamento social implantada pelo governo do estado, passando para 47% até a sexta-feira (10) – hoje, aumentou um pouco, passando para 57% – isso pode resultar em um aumento preocupante da epidemia.

“Isolamento não pode ser relaxado, especialmente em Manaus, Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo, para não precisarmos do lockdown”, disse. “O distanciamento social na cidade de São Paulo deveria estar em torno de 70% para surtir um bom efeito. A população precisa aderir”.

Mas ele também vê pontos positivos. Uma delas é a mudança de comportamento, segundo sua visão, das pessoas: “há uma corrente muito positiva no Brasil com relação ao uso da máscara, é um novo hábito”.

Bolsonaro mais uma vez não respeita isolamento

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) mais uma vez ignorou orientações de autoridades do seu próprio governo e da Organização Mundial da Saúde (OMS) e não respeitou o isolamento social, tido como a melhor arma para evitar a proliferação do Covid-19.

Na manhã deste sábado (11), visitou a recém-iniciada obra do hospital de campanha em Águas Lindas de Goiás, município que fica a 57 km de Brasília, no estado governado pelo agora crítico seu Ronaldo Caiado (DEM).

O governador e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), criticaram a insistência de Bolsonaro sair às ruas nesse momento, formando aglomerações.

Na sexta-feira, ele esteve em uma padaria em Brasília e foi hostilizado por moradores do local, enquanto outros tentavam tirar fotos ao seu lado.

Mandetta chegou a dizer: “posso recomendar, não posso viver a vida das pessoas. Pessoas que fazem uma atitude dessas hoje daqui a pouco vão ser as mesmas que vão estar lamentando”.

Caiado também critica presidente

Na visita do presidente, o governador do estado foi criticado e hostilizado por apoiadores de Bolsonaro.

“Ele (Bolsonaro) que deverá explicar esta situação. Esta posição não foi a minha. Ele é o presidente, e eu sou o governador. A minha posição foi a que vocês acompanharam. Esta é a posição que manteremos até o dia 19″, referindo-se à data em que o estado deve começar a flexibilizar o isolamento social, embora ainda sem certeza de que isso ocorrerá.

“Eu sigo a parte da ciência e sigo também as regras do Ministério da Saúde. Então, esta é minha posição. As regras implantadas no estado de Goiás são as regras do Ministério da Saúde. Então, minha posição é contra a liberação neste momento”, afirmou.​

Human Rights Watch

A Organização Não-Governamental (ONG) Human Rights Watch, especializada em direitos humanos e uma das mais respeitadas do mundo, divulgou relatório nessa sábado, onde diz que Bolsonaro está colocando os brasileiros em “grave perigo ao incitá-los a não seguir o distanciamento social”.

A organização afirma que Bolsonaro “age de forma irresponsável disseminando informações equivocadas sobre a pandemia”.​

Carreata a favor de Bolsonaro

O portal UOL informou nessa sábado que “dezenas de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro fazem uma carretada pelas ruas de São Paulo para mostrar apoio a ele na condução da crise da Covid-19 e criticar a Rede Globo, a TV Bandeirantes, a China e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB)”.

“Um homem na caçamba de uma caminhonete fez um discurso pedindo para as pessoas não assistirem a essas emissoras e boicotar qualquer marca que anunciar nestes canais. Ele ainda acusou a China de financiar as redes de televisão em associação com Doria”.

Doria tem tentado seguir as recomendações da OMS, tentando implantar o isolamento social de pessoas que não trabalham em áreas tidas como essenciais. Os bolsonaristas querem que o governador libere todo e qualquer comércio.

O Brasil, entretanto, ainda não chegou ao pico da epidemia, que está prevista para meados de maio.

LEIA MAIS
No Twitter, Bolsonaro divulga vídeo fazendo crítica ao isolamento social

Mandetta evita comentar saídas de Bolsonaro na pandemia: “não julgo ninguém”