Brasil desmarca encontro com autoridades iranianas em Teerã

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reuters

As relações entre Brasil e Irã seguem se tensionando. Uma reunião que estava previamente agendada entre representante do Brasil em Teerã e autoridades iranianas foi desmarcada nesta quarta-feira (8). O Itamaraty confirma que o encontro foi adiado a pedido do governo brasileiro, por considerar que “o atual momento é delicado”.

A encarregada de negócios da embaixada brasileira em Teerã, Maria Cristina Lopes, representa o Brasil no local, já que o embaixador Rodrigo Azeredo está de férias. Ela havia sido convocada pelas autoridades iranianas após o Itamaraty soltar nota de apoio aos Estados Unidos, no ataque que matou o general Qassem Soleiami, na última quinta-feira (2). Na esfera diplomática, essa convocação é vista como uma reprimenda.

O Brasil tem inequivocamente deixado claro sua intenção de se manter aliado do governo de Donald Trump.

Pauta

Ernesto Araújo, o Ministério de Relações Exteriores, disse ao Broadcast Político, do Estadão, que a reunião era “para tratar de temas culturais”, já estava agendada e “foi adiada a pedido do Brasil, no entendimento de que o atual momento é delicado. O assunto será reanalisado oportunamente, quando do regresso do Embaixador do Brasil em Teerã ao posto, e uma nova data para o encontro deverá ser agendada”.

O encontro dessa quarta-feira (8) entre a diplomata brasileira e os iranianos havia sido agendado para tratar de cooperação de modo geral, com foco maior na área da cultura. “Seriam assuntos cotidianos das relações bilaterais”, afirmou uma fonte no Itamaraty.

Crescente atrito

A questão ideológica do núcleo duro de Bolsonaro tem desagradado integrantes do próprio governo, que esperavam mais cautela e diplomacia no trato com o Irã, um importante parceiro comercial no Oriente Médio.

O Brasil só tem a perder nesse embate. A região é um mercado de quase 80 milhões de pessoas que consomem produtos halal.

E o país é o maior exportador global de carnes halal, com técnica de abate específica para ser consumida por muçulmanos. A balança comercial entre Brasil e Irã é favorável ao lado brasileiro, com um saldo de US$ 2,2 bilhões entre janeiro e novembro de 2019.